Rumo começa obra que pode tirar os trilhos definitivamente do Centro de Araraquara

Por Willian Oliveira

Há 13 anos, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançava o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O prefeito Edinho Silva (PT), na época também chefiava a prefeitura de Araraquara e surfou na onda dessa injeção bilionária de recursos públicos para obras de infraestrutura e inseriu o projeto de retirada dos trilhos como um daqueles que seriam custeados pela iniciativa.

No lançamento, aqui na cidade, foi feita uma enorme cerimônia, com autoridades ligadas ao governo federal e promessas de conclusão em tempo recorde. Nem a velocidade e nem o combinado foi cumprido. Uma série de problemas aconteceram, a obra atrasou muito mais do que o previsto, custou muito mais do que o planejado e quando foi considerada concluída os trens seguiram passando, em menor número, mas ainda assim, circulando pelo Centro de Araraquara.

A explicação para isso é simples, formataram o projeto, mas deixaram de fora duas obras fundamentais para que a concessionária, de fato, abandonasse a área urbana da cidade. Seria preciso construir um centro de abastecimento e um pátio de oficinas na região de Tutóia. Essas duas unidades seguem operando em dois pontos distintos do Centro, as oficinas estão na área da Facira e o posto de abastecimento está na rotunda ao lado da Via Expressa e por isso os trens seguem “desfilando” e apitando pelo Centro de Araraquara.

Perto do fim

Esse entrave só foi resolvido há algumas semanas quando a Rumo Logística, que hoje administra a malha ferroviária, teve seu contrato de concessão antecipadamente renovado pelo Governo Federal. Nessa atualização, as duas obras estão inseridas em um programa de investimentos e melhorias que a empresa deve fazer nos próximos 6 anos. A Rumo não divulga valores, mas o prefeito Edinho Silva citou recentemente que seriam investidos na cidade algo em torno de R$ 245 milhões.

Nesse momento apenas o posto de abastecimento está sendo erguido, ao lado da Estrada de Ferro, perto da divisa com a cidade de Américo Brasiliense.

“Os trabalhos representam o primeiro passo para a retirada das atividades operacionais do centro do município. Conforme o caderno de obrigações, há um prazo de 6 anos para concluir de forma definitiva essa migração”, diz a Rumo Logística por meio de nota.

No total o plano de investimentos da renovação da Malha Paulista abrange 40 municípios e prevê duplicações e reativações de trechos, ampliação de pátios, modernização da via e obras para melhorar a mobilidade nas cidades atravessadas pela ferrovia (contornos ferroviários, viadutos, passarelas).

“Os recursos vão aumentar a capacidade de transporte dos atuais 35 milhões para 75 milhões de toneladas por ano, conectando os principais centros de produção ao Porto de Santos. Além do agronegócio e o fluxo de exportação ao maior complexo portuário da América Latina, a ampliação beneficia toda a indústria brasileira, atendendo às operações de importação e ao mercado interno”, argumenta a empresa.

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