Greve em plena pandemia: Santa Casa e Sindicato não entram em acordo

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Por Rian Fernandes

A reunião que se iniciou no fim da tarde desta terça-feira (6) para tentar resolver a situação dos funcionários da Santa Casa e evitar uma possível greve terminou sem um acordo. A conversa, que foi feita de maneira virtual, contou com a participação do SinSaúde e também da Gerência Regional do Trabalho e Emprego.

Segundo informações, o SinSaúde teria feito tentativas e deu a opção para que o retroativo do reajuste salarial, que não foi pago desde junho, fosse acertado e que a entidade começasse a pagar o reajuste salarial base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), além do aumento no ticket de alimentação. No entanto, a situação segue sem um reajuste. 

Com isso, os funcionários seguem em estado de greve, que deve ocorrer a partir do dia 14 de outubro, às 6h. Caso se concretize, a greve poderá ser aderida por cerca de 600 funcionários.

Entenda a greve

Durante uma assembleia realizada no dia 29 de setembro trabalhadores da Santa Casa de Araraquara votaram por uma greve, marcada para ocorrer a partir do dia 14 de outubro. Os funcionários reivindicam, segundo o SinSaúde, 2,05% de reajuste nos salários (reatroativo a junho), R$ 50,00 a mais no ticket alimentação, passando para R$ 200,00, além de 10% de abono sobre a folha de pagamento bruta. 

“Os funcionários da Santa Casa carregam o triste fardo de terem os piores salários da região, assim como o pior tíquete alimentação, o qual não é reajustado desde 2018, tornando precárias as condições de trabalho destes que tanto se esforçam para cuidar da saúde da população”, destaca a presidente da subsede do Sinsaúde, Claudete Defavere. 

De acordo com o SinSaúde, um técnico de enfermagem que atua na Unimed Araraquara recebe R$1.675,39, enquanto o mesmo profissional atuando na Santa Casa recebe R$1474,79. Já com relação ao tíquete alimentação, a Santa Casa oferece R$150,00 por mês, enquanto temos Davita com R$202,00, Grupo São Francisco com R$239,52 e Unimed com R$249,71.

Por meio de nota enviada na semana passando a A Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Araraquara disse que ““há meses vem incansavelmente reformulando e ampliando suas propostas para pactuação do Acordo Coletivo de Trabalho junto ao Sindicato dos Trabalhadores nos Estabelecimentos de Saúde de Campinas – Subsede de Araraquara, não se furtou em negociar e tendo apresentado neste período mais de três propostas, sendo as últimas, inclusive, suficientes a restituir a defasagem causada pela inflação e a garantir aumento real aos colaboradores (situação que muitas instituições não estão conseguindo realizar) expondo ainda de forma clara e transparente os números das dívidas milionárias acumuladas pela Instituição em decorrência da falta de repasses públicos por serviços prestados ao SUS e privados que inviabilizam o atendimento das exigências no momento pleiteadas pelo sindicato, ou majoração da última proposta apresentada, que garantiria um aumento de mais de 30% sobre o vale alimentação hoje fornecido aos colaboradores”. 

Ainda segundo a entidade, “as exigências realizadas pelo sindicato no momento ultrapassam por completo as condições financeiras da Instituição e não apresentam sinergia e preocupação com a sustentabilidade do emprego, e aceitá-las poderá comprometer o fiel e regular pagamento dos salários e benefícios de seus empregados, bem como a manutenção do número de vagas de emprego atualmente ofertadas. Ademais, lembramos que a entidade, mesmo com todas suas dificuldades, oferta além do salário, plano de saúde e vale alimentação, benefícios esses que poucas empresas garantem a seus colaboradores.

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