Meninas usam a arte como expressão em Boa Esperança do Sul

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Por Guilherme Henrique Moro 

Histórias, realidades e vidas diferentes. Em uma fase muito importante da vida, meninas de Boa Esperança do Sul usam seus desenhos e técnicas como manifestações artísticas e fonte de renda. Conheça um pouco do trabalho de cada uma e de suas principais características e particularidades:

Ketlen Stefhane Trivia

Ketlen tem 17 anos, mas é conhecida por sua clientela como Corujinha Arte, nome que leva o perfil em que jovem divulga seus trabalhos. Mesmo desenhando desde pequena, ela só foi começar a tentar abrir seus horizontes artísticos aos 13 anos. “Na época, minha principal inspiração foi um professor de história, chamado Rafael. Ele desenha muito bem. Hoje em dia me inspiro muito na Renata Celi, Thiago Spyked, entre outros artistas”, revela.

Atualmente trabalhando com as técnicas relacionadas ao realismo, a principal dificuldade encontrada por ela na elaboração dos desenhos é a passagem de suas ideias iniciais para o papel. Ketlen quer seguir esse caminho como profissão e conta com apoio de alguns familiares para isso. Futuramente, ela pretende aprimorar a sua técnica nas histórias em quadrinhos, sua grande paixão. “Quero lançar uma história feita por mim. Minha mãe (Maria) e minha avó (Cícera) me incentivam muito. Elas sempre apoiam minhas escolhas relacionadas a arte. Minha prima (Aline), sempre que pode, me dá alguns materiais para desenvolver meus desenhos. Isso é um grande apoio”, afirma.

Utilizando seus desenhos também como fonte de renda, ela conta que um dos fatores que dificultam a continuidade do trabalho é a falta de seriedade que as pessoas tratam trabalhos artísticos. “Já tive colegas que falaram que o que eu fazia era apenas uma brincadeira e não viam isso como um trabalho. Graças a Deus eu consegui vender inúmeros desenhos e mostrar que isso sim é uma profissão”. Para a garota, arte significa um lugar melhor do que aqui, onde somos livres para expressar o que quisermos.

Bianca Nogueira de Brito

Com um ateliê chamado Brito Arte, que leva o sobrenome de sua família, Bianca começou a desenhar por um acaso. Sem dinheiro para comprar um presente para um amigo, ela recebeu um conselho de sua mãe: ser criativa. Foi então que ela teve a ideia de fazer seu primeiro desenho, de maneira despretensiosa. “Eu fui olhando no Pinterest (aplicativo de fotos) e vi um quadro com fotos e um textinho. Logo pensei em fazer em uma tela de pintura. Comprei as coisinhas que eu precisava, desenhei e ele amou muito”, relembra.

O primeiro contato fez com que pessoas próximas sugerissem que ela começasse a investir em seu talento. “Minha família e meus amigos me deram a ideia de começar a vender telas exatamente daquele jeitinho. Confesso que no começo fiquei insegura e com medo, mas tomei coragem, postei e estou até hoje fazendo o que eu amo fazer”. Bianca ama pintar telas, apesar de desenvolver outros tipos de técnicas. Ela confessa que não é fácil trabalhar com o criativo. “Existem dias que estou super criativa, sei o que quero e preciso fazer. Também existem dias em que estou sem criatividade alguma, sem saber o que fazer e preciso procurar minha criatividade em algo que não sei onde está. Parece um bloqueio”.

No início, a jovem de 16 anos não tinha a intensão de levar tudo isso como um trabalho, porém ela viu que deu muito certo e acabou unindo o útil ao agradável para gerar uma renda e ganhar seu próprio dinheiro. Claro, tudo isso com o apoio de sua família. “Minha família me dá o maior apoio sempre que eu preciso. Quando estou desanimada e sem ideias, eles fazem de tudo para me verem bem. Por esse e outros motivos, eu sou muito grata por ter eles em minha vida!”.

Com o objetivo de sempre fazer com que sua arte chegue para o maior número de pessoas possível, Bianca deseja que todos saibam o quanto ela ama o que faz. “Faço tudo com muito amor, carinho e fé! Eu amo arte e com certeza quero de alguma forma ter ela como minha profissão, para sempre. Para mim, ela significa se inspirar em algo que te passe algum tipo de sentimento, seja ele qual for. É uma forma de se expressar”, relata.

Sthéfani Regina Portero

Mais uma artista de Boa Esperança, Sthéfani gostava de desenhar desde muito pequena. A garota de 16 anos sempre usou sua arte como uma expressão. “O mais engraçado é que aprendi tudo sozinha, nunca tive nenhuma influência qualquer. Gosto muito de desenhar personagens, sejam eles da minha criação ou de algum desenho animado”.

Levando seus desenhos como um hobbie, ela relata que anteriormente havia pensado em levar esse dom como profissão. “Ao longo do tempo, acabei descobrindo que isso para mim é apenas uma paixão e não uma coisa que vou me aprofundar muito. Só utilizo apenas para me distrair e me sentir melhor. Nunca vendi qualquer desenho meu, pelo contrário, eu sempre gostei muito de dar meus desenhos aos outros na intenção de ver eles sorrirem quando recebem. Eu diria que é por puro amor”, conclui.

Sobre a não valorização da cultura em geral na cidade, ela argumenta que isso pode gerar um grande bloqueio criativo. “É bem complicado. Muitas das vezes as pessoas não falam nada a respeito e isso vai criando um bloqueio criativo enorme, mas o que nos resta é sempre seguir em frente e fazer o que gosta por você mesmo”.

Sthéfani é muito ligada ao amor e por sentimentos que a arte pode nos trazer. “A arte pra mim é como expor seus sentimentos em um simples pedaço de papel e fazer com que sua mente seja limpa de uma forma totalmente incomum de pensamentos ruins”.

Raíssa Aranda Rabelo

Assim como toda artista, Raíssa leva em seu coração o prazer de poder entregar felicidade através de obras. A garota, já maior de idade, tem 18 anos e começou a desenvolver sua veia artística de uma maneira um tanto quanto diferente. “Eu comecei a caligrafia em títulos de resumos que eu fazia no colégio. Daí, conforme o tempo foi passando, eu descobri que aquilo que eu estava fazendo era chamado de Hand Lettering, que significa ‘escrever à mão’ ou desenhar letras”.

Especialista nesta técnica, ela usa o nome “Um Rabisco” para dar vida à suas obras. “O que eu mais faço hoje em dia, é o Lettering. Eu nunca imaginei que isso seria de fato um trabalho, mas depois fui entendendo que sim. É um trabalho assim como qualquer outro e a principal dificuldade é a desvalorização desse segmento do trabalho feito à mão. Muitas pessoas não entendem o real significado e o tempo que leva pra ser criado”, lamenta.

Sempre com sua família ao lado, para ela arte significa transformação. “Ela me transformou, me fez enxergar muito além das pequenas coisas. Eu sinto que coloco um pouco de mim em cada trabalho que faço, passo um pouquinho pela história de cada um, o que torna meu trabalho ainda mais especial”.

Sobre o futuro, ela não garante que para sempre irá trabalhar nesse mundo, mas afirma: “Enquanto eu conseguir fazer o meu trabalho com excelência, com certeza continuarei até onde eu puder”.

As quatro garotas são exemplos de como a arte pode ganhar um espaço maior, não só em nossa cidade, mas sim em todo o Brasil. Como elas, existem milhares de artistas que muitas vezes não mostram o que sabem fazer por vergonha ou falta de incentivo. Toda demonstração artística é válida, desde que seja feita com muito carinho, amor, sentimento e pureza. Um país só é forte, tendo sua arte e cultura preservadas.

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