10/10/2020 às 15h20min - Atualizada em 10/10/2020 às 12h28min

"A decisão me pegou de surpresa", diz Dado Cavalcanti sobre demissão da Ferroviária

Por Guilherme Henrique Moro

Na última quinta-feira a Ferroviária anunciou a demissão do técnico Dado Cavalcanti. O ocorrido se deu após um empate da locomotiva contra o Cascavel-PR, na Fonte Luminosa, pela terceira rodada da Série D. O treinador se mostrou surpreso com a decisão da diretoria afeana, pois ele ainda estava invicto na competição nacional. Para prestar esclarecimentos sobre a precoce saída do clube-empresa e falar sobre o planejamento apresentado, Dado conversou com exclusividade com a equipe do Araraquara Agora.

O convite para comandar a locomotiva

Primeiramente contatado por um dos membros gestores do clube, Dado conta que a segunda ligação recebida foi de Pedro Martins, diretor executivo: “O projeto era sedutor em cima de vários pontos. A Ferroviária queria resgatar sua ideia de jogo que a fez chegar em três finais de Copa Paulista e nas quartas de final do Paulistão. As ideias se coincidiam muito com as minhas. Também tinha a missão de participar efetivamente de algumas modificações de processo na inclusão, fazendo com que o clube evoluísse. Essas condições me seduziram por inteiro", afirma.

O início de 2020 foi conturbado para a Ferroviária. Marcelo Vilar, que até então era o substituto de Vinícius Munhoz, foi demitido antes mesmo de estrear pela equipe. Para o seu cargo a diretoria se encarregou de contratar o experiente Sérgio Soares, demitido no mês de março. Trocas constantes no comando técnico intrigam qualquer treinador de futebol e com Dado Cavalcanti não foi diferente. Perguntado se a “dança das cadeiras” entre os técnicos grenás o deixaram receoso em aceitar o convite, ele respondeu: “Confesso que fiz uma pesquisa. Eu seria o terceiro treinador de uma gestão e na minha cabeça eu estava assumindo para corrigir uma rota, então a minha esperança era de uma correção. Isso foi conversado com o Pedro Martins”.

Montagem do elenco

Em um momento complicado causado pela pandemia, times do Brasil inteiro tiveram dificuldades financeiras. Na contramão de tudo isso, a Locomotiva manteve os salários de todos os funcionários em dia e, mais do que isso, contratou diversos jogadores. Questionado se participou de forma ativa das negociações para contratação de alguns jogadores, Dado argumenta:

“No Campeonato Paulista eu não fiz indicação nenhuma. Alguns jogadores que chegaram pós estadual, como o Nando Carandina, tiverem minha participação. Tiago Marques foi uma indicação da direção, mais precisamente do Pedro Martins. O lateral Pastor foi indicado pelo comitê gestor e assim como a do Tiago Marques, apoiei a chegada dele. Foi uma relação harmoniosa, alguns jogadores não deram certo, outros eu participei de uma maneira mais efetiva na vinda e alguns não fui eu que indiquei, mas participei processo de contratação. Nós começamos a traçar um perfil de contratação após o fim do Campeonato Paulista, quando já tínhamos seis atletas contratados. A minha participação efetiva aconteceu um pouco mais tarde”.

Demissão

Após dois empates e a perda de quatro pontos jogando na Fonte Luminosa, na madrugada de quarta para a quinta-feira, a diretoria da Locomotiva anunciou a demissão de Dado Cavalcanti em uma decisão inesperada.

Ele contou alguns detalhes de como ocorreu o desligamento junto a Ferroviária e da visão dele sobre situações que causaram sua demissão:

“A decisão me pegou de surpresa, eu não esperava. Não foi por rendimento técnico e nem por resultado, foi apenas pela linha de condução que eu estava seguindo. Essa, talvez, tenha sido a minha maior estranheza no processo inteiro, porque o trabalho dentro da Ferroviária estava sendo direcionado exatamente para onde o clube abriu o seu horizonte. Eles queriam criar uma equipe propositiva, fazendo a bola sair do campo de defesa e chegar no gol adversário. Tínhamos problemas no terço final do campo, mas tínhamos possibilidades de mexer em algumas peças. Estava tudo muito controlado. A questão foi muito mais abrupta, pelo fato de o comitê gestor não querer seguir essa linha. Foi algo que me pegou muito de surpresa, porque se lá no começo nós conversamos e ficou decidido que essa era a linha a ser seguida, o erro não foi meu. O comitê gestor, mais precisamente o Saul Klein (Principal investidor da Ferroviária S/A), entendia que era preciso fazer a troca no comando para mudar drasticamente a maneira da equipe jogar. Eu tenho certeza de que as pessoas do futebol ligadas ao clube sabiam quem eu era e tinham convicção do meu trabalho. Eu ainda questionei, pois esse modelo de jogo adotado foi conversado antes da minha vinda. Os jogadores que foram contratados e estão no clube são muito mais próximos dessa maneira de jogar. Se soubesse que não era esse o modelo a ser adotado, eu não vinha. Não sou um treinador que trabalha aleatoriamente, eu utilizo uma linha. Meu direcionamento foi todo para uma maneira de jogar e no final das contas o Saul preferia que fosse outra”.

Torcida grená e Araraquara

Dando adeus a Ferroviária sem nem ter tido um contato mais próximo com os torcedores, Dado lamenta: “Desde a minha chegada, eu tive um contato com pessoas na rua e nas redes sociais. Foi uma demonstração de carinho muito bacana, queria muito ter sentido o calor vindo das pessoas de Araraquara. Minha família está totalmente adaptada à cidade, esperava que até o fim do ano pudesse ter esse contato e lamento muito estar saindo daqui sem ter a presença do torcedor, na Fonte Luminosa, nos apoiando”.

Foto: Ferroviária


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