Redução na merenda, diminuição de ambulância e mudança no transporte escolar dominam a Sessão da Câmara de Araraquara
Discussões acaloradas entre oposição e situação
Vereadores de Araraquara debatem cortes na merenda e transporte escolar durante sessão na Câmara Municipal / Reprodução/Youtube.
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Na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (28), vereadores de oposição em Araraquara manifestaram forte crítica às recentes medidas adotadas pelo governo Lapena. O debate acalorado girou em torno da redução na merenda escolar, da diminuição de ambulâncias e da alteração nos critérios do transporte escolar. O assunto já repercute amplamente nas redes sociais, com manifestações de pais, pacientes e profissionais da área.
Aluísio Boi (MDB) repudia cortes na educação
O vereador Aluísio Boi (MDB) classificou as mudanças na educação como "desastrosas" e questionou a gestão municipal. “Alguém tem que ensinar o prefeito o que é gasto e o que é investimento”, afirmou, criticando a falta de diálogo com a sociedade.
Sobre a redução da merenda escolar, ele protestou. “Vão cortar 40% da merenda porque os funcionários estão comendo? Olha o respeito com os funcionários! Os pais agora vão achar que os servidores estão roubando o lanche das crianças?”
Boi também criticou a restrição no transporte escolar:
“Nossa cidade tem um sol ardente, dói no lombo. As crianças tinham uma conquista de 1,5 km para ir à escola. Isso é normal para essa casa? Isso é investimento nas crianças!"
O parlamentar sugeriu a realização de audiências públicas e a mobilização popular para pressionar o governo municipal a rever as decisões. “Há tempo. As bases governistas têm que ir para dentro do governo. Porque vai ser um erro histórico”.
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Maria Paula (PT) questiona base das decisões
A vereadora Maria Paula (PT) seguiu a mesma linha de crítica e cobrou embasamento técnico para as medidas. “Qual estudo justifica a redução de 40% na merenda? De onde saiu que 50% da merenda é consumida pelos funcionários?”, questionou.
Ela alertou que a medida pode impactar diretamente na alimentação e na aprendizagem dos alunos. “Na prática isso vai reduzir a alimentação e nutrição balanceada dos alunos e consequentemente o ensino e aprendizado deles”.
“Cortando gastos, estão cortando direitos”, concluiu.
Michel Kary (PL) defendeu a administração
Em defesa do governo Lapena, o vereador Michel Kary (PL) argumentou que o remanejamento das ambulâncias está sendo monitorado e que novos profissionais serão contratados a partir de 10 de fevereiro.
“Não houve aumento da demanda. Caso isso aconteça, as sete ambulâncias retornarão ao atendimento”, garantiu.
Sobre a merenda, Kary minimizou as críticas e destacou que a mudança segue uma legislação federal de 2009. “A prefeitura está apenas se adaptando. A oposição precisa definir se a crítica é ao governo federal ou à gestão anterior, que descumpriu a lei”.
Filipa Brunelli (PT) rebate mudanças no transporte escolar
A vereadora Filipa Brunelli (PT) foi enfática contra a restrição no transporte escolar e relembrou sua própria trajetória. “Eu vim da periferia. Minha mãe acompanhava, saíamos do Jardim Vitório de Santi até a escola Angelina Lia Rolfsen, no Cecap, todos os dias. Minha mãe comigo no carrinho e meu irmão no colo atravessando todo aquele bairro para poder estudar.”
“Não é porque eu e minha mãe passamos por isso que eu quero que as próximas gerações passem. É inadmissível isso. Não é porque a gente passou por desgraças que a gente quer que os outros passem”.
Vale lembrar que sobre as novas determinações do transporte escolar, de acordo com as normas do município, o ele é destinado a estudantes da rede pública que residem a mais de 2 km da escola ou enfrentam dificuldades de acesso, como moradores da zona rural. A gestão anterior seguia critério semelhante, com algumas exceções dependendo da situação familiar, porém elas foram vetadas na administração atual. “Não vamos deixar que nossas crianças paguem por disputas políticas”, reforçou Brunelli.
“Dr. Lapena, o senhor, no mínimo, é uma pessoa sórdida ao implementar uma política que se fala em 2 km para as crianças andarem em Araraquara”, disse a vereadora.
Áudio Polêmico
Filipa também rebateu falas do vereador Baldassari (Novo), em áudio vazado por uma mãe, que minimizou a mudança alegando que, em sua infância, caminhava 16 quarteirões para estudar. Neste áudio ele ainda alegou que a população está acomodada com os benefícios sociais. “Nós não tínhamos isso na nossa época e ninguém morreu. Com 7 anos de idade, eu andava 16 quadras para ir para a escola com uma mochila nas costas, mais a lancheira e eu não morri por causa disso”, afirmou no áudio compartilhado nas redes sociais.
Por fim, Filipa anunciou que, caso o prefeito não revogue o decreto, ela recorrerá ao regimento interno e apresentará um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para derrubar a medida: “Se o prefeito não abrir o debate, a Câmara irá”, garantiu.
“A população vai ouvir o que cada um de vocês parlamentares pensam sobre esse decreto”.