Empresário de Araraquara alvo de investigação por lavagem de dinheiro ligada ao PCC tem R$ 348 milhões bloqueados
Polícia Civil do Piauí apura esquema que usava rede de 12 postos e dezenas de empresas para lavar recursos da facção criminosa
Foto: Divulgação/Polícia Civil
Um empresário de Araraquara está no centro de uma investigação que aponta seu envolvimento em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), de acordo com a Polícia Civil do Piauí. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores durante a Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nesta semana que apura a utilização de empresas de fachada e postos de combustíveis para movimentar recursos ilícitos em diferentes regiões do país.
A ação policial apreendeu um avião monomotor avaliado entre R$ 1 milhão e R$ 3,5 milhões, além de um veículo de luxo de cerca de R$ 500 mil. Ao todo, cerca de R$ 348 milhões foram bloqueados em contas vinculadas a 10 investigados e 60 empresas controladas pelo grupo.
Segundo as investigações, o empresário — que aparece como sócio de ao menos 40 empresas — seria um elo entre o crime organizado e o mercado de combustíveis, atuando como articulador financeiro da facção nas regiões Norte e Nordeste. Entre suas participações, estão 12 postos da Rede Diamante que operam no Piauí e no Maranhão.
LEIA TAMBÉM- DISE desarticula esquema de tráfico, prende trio e apreende grande quantidade de cocaína e maconha em Araraquara
- Auxiliar de produção é presa pela Polícia Civil após comprar celular furtado em Boa Esperança do Sul
- Adolescente relata em depoimento como tentou salvar a mãe que morreu após ser esfaqueada pelo padrasto em Araraquara
A Polícia Civil identificou ainda transações superiores a R$ 700 mil feitas por ele para empresas de fachada, além de mais de 500 notas fiscais emitidas por distribuidoras controladas pelo PCC em nome de postos investigados. As provas foram reunidas pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro que encontrou indícios de que parte dessas empresas eram operadas por laranjas ou ex-funcionários, com renda incompatível com a gestão de negócios milionários.
O esquema veio à tona após a venda da Rede de Postos HD, com filiais em três estados, para a Pima Energia Participações Ltda., empresa criada apenas seis dias antes da assinatura do contrato, no fim de 2023. A compradora seria ligada a fundos de investimento e gestoras já citadas na primeira fase da Operação Carbono Oculto, realizada em agosto deste ano.
De acordo com o delegado Anchieta Nery, da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil do Piauí o grupo usava estratégias como adulteração de combustíveis, fintechs clandestinas e fundos de investimento irregulares para movimentar dinheiro do tráfico. A investigação segue em andamento e os envolvidos podem responder por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas.