03/09/2021 às 11h13min - Atualizada em 04/09/2021 às 12h50min

Aprovada em Medicina na UFSCar, estudante indígena veio de escola pública de Ensino Médio Integral no Espírito Santo 

A aluna Júlia Martins da Conceição disputou a única vaga reservada para indígenas na instituição, garantindo sua chance em uma Universidade Federal

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Estudante indígena do Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (CEEMTI) Monsenhor Guilherme Schmitz, escola de EMI - Ensino Médio Integral   política pública e modelo de ensino nacional gratuito no Espírito Santo, Júlia Martins da Conceição venceu dificuldades para conseguir estudar e conquistou a tão desejada vaga no curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo. 

Nascida e criada na aldeia indígena Caieiras, em Aracruz, o sonho da estudante de ingressar em uma Universidade, por vezes, pareceu muito distante da sua realidade. "Além da distância para chegar à escola e do cansaço da rotina de ir e vir todos os dias, venho de uma família simples, sem muitas condições financeiras. Meu pai é pedreiro e não concluiu os estudos. Minha mãe, com muito esforço, cursou técnico em Enfermagem quando eu e meus dois irmãos éramos pequenos. Mas, apesar dos obstáculos que enfrentamos, sempre fui incentivada a estudar e dar prioridade a minha educação. E agora, para o orgulho dos meus pais, eu serei a primeira médica da família", contou a aluna.

Foi por meio da experiência no EMI que Júlia encontrou maneiras para alcançar essa grande conquista. Pensar e desenvolver planos para o futuro nem sempre são questões fáceis e, para a estudante, a relação construída na escola foi fundamental neste processo. "A medicina já  era uma ideia em mente, mas quando entrei no Ensino Médio Integral isso se intensificou, especialmente pela disciplina de Projeto de Vida, em que discutimos sobre o que queremos para nosso futuro e traçamos os caminhos para alcançar as metas, junto aos nossos tutores", explicou. 

Trajetória no Ensino Médio Integral

A partir desse modelo de ensino, que também busca promover o amadurecimento e preparar o aluno não só para o mercado de trabalho ou vestibular, mas para a vida, Júlia pôde se dedicar aos estudos de forma integral, contando com o apoio de professores-tutores, orientação de estudos personalizada, disciplinas eletivas que se somam ao currículo base, clubes de protagonismo e muito mais. 

Mas o EMI não faz sua parte sozinho. O sucesso, no fim das contas, depende de um compromisso mútuo entre a escola e o aluno. "Com a pandemia vi que minha rotina mudou muito. Mas, apesar de não termos a ajuda presencial dos professores, eles continuavam presentes virtualmente para me ajudar nessa jornada. Consegui reorganizar meus estudos, estudando o conteúdo da escola durante o dia, e me dedicando às redações durante a noite", finaliza Júlia. Como resultado, a aluna, que iniciou sua história na escola em 2018, conquistou também outras vitórias, como a aprovação no curso de Enfermagem na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). 

Conheça o Ensino Médio Integral 

Ao apostar no Protagonismo Juvenil e no Projetos de Vida, o EMI procura se conectar à realidade dos estudantes, focando no desenvolvimento das habilidades e competências socioemocionais. Um modelo de ensino moderno, público e gratuito, que foca em auxiliar os jovens na construção de seus planos para o futuro. 

Através de uma jornada escolar ampliada, de 7h a 9h diárias, o EMI oferece uma proposta diversificada, além do conteúdo pedagógico regular. Os estudantes têm aulas e atividades para conhecer técnicas que desenvolvem o hábito de estudar com autonomia por meio de suas próprias buscas e pesquisas, por exemplo.

Em todo o Brasil são cerca de 3720 escolas no modelo e 778 mil estudantes.  A modalidade apresentou crescimento exponencial no último IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), reforçando sua assertividade. Os índices de desempenho e rendimento também surpreendem. Enquanto a média nacional do IDEB foi de 3.9 pontos, o Ensino Médio Integral atingiu 4.7 pontos na média nacional, superando a meta Brasil de 4.6 pontos. Apesar de acumular os melhores resultados do Ensino Básico, o modelo, que promove a formação integral e cidadã dos jovens, ainda é pouco conhecido. 



 
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