Sem água e com aumento: moradores e comerciantes enfrentam duplo castigo em Araraquara
Pane na bomba por quatro dias enquanto Daae anuncia reajuste de tarifa; ‘vão ressarcir?’
Comerciante também enfrentam 4 dias de torneiras secas nos bairros abastecidos pelo Poço Paiol em Araraquara / Foto: Freepik.
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Araraquara vive dias de tensão e revolta. Moradores e comerciantes de mais de 10 bairros estão há quatro dias enfrentando falta total ou baixa pressão de água nas torneiras, enquanto o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae) anuncia um reajuste na tarifa de 2,82% para o mês de novembro.
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Falha no Poço Paiol causa transtornos em mais de 10 bairros
O problema começou no domingo (5), quando a bomba do Poço do Paiol, que abastece o setor de distribuição “Paiol”, apresentou falha e queimou, comprometendo o fornecimento de água na região.
Esse poço atende diretamente os bairros Vale do Sol, Águas do Paiol, Residencial Lupo 1 e 2, Jardim Nova Araraquara, Altos do Jaraguá, Village Dahma 1, 2 e 3, Igaçaba e arredores.
Mesmo com manobras na rede de distribuição, feitas pelo Daae para tentar amenizar o impacto, a população ainda sofre com desabastecimento e baixa pressão.
Novo equipamento também falha
Na tentativa de resolver o problema, equipes do Daae realizaram a substituição da bomba na noite de terça-feira (7). No entanto, poucas horas após a instalação do novo equipamento, uma falha elétrica foi registrada na madrugada de quarta-feira (8), provocando a paralisação total do sistema novamente.
Segundo nota oficial do Daae, a substituição da bomba é feita em caráter emergencial e prioritário, com prazo de conclusão até o final da noite desta quarta (8). Até a normalização completa, poderá haver falta d’água ou pressão reduzida nas casas abastecidas pelo sistema Paiol.
Tá osso! Comerciantes relatam prejuízos e se sentem abandonados
Além do transtorno doméstico, a situação causa prejuízos econômicos. Um comerciante da região relata que não consegue trabalhar há dias. Ele desabafou: “São 4 dias sem água. Eu tenho um comércio e não consigo trabalhar por falta d’água. Queria saber o que eles vão fazer, vão ressarcir o prejuízo dos comerciantes? Porque a conta chega, e se não pagar, eles cortam a água”.
“Gostaria de saber como eu fico. Se eles vão pagar meu prejuízo ou minhas contas, porque as contas não param de chegar. Vou falar pra elas esperarem, porque o bairro está há quatro dias sem água”, disse.
A falta de água impacta diretamente negócios locais, principalmente comércios alimentícios e de serviços, onde a higienização constante é essencial. A paralisação prolongada compromete receitas e a rotina de atendimento.
População cobra soluções e denuncia falhas na gestão
Nas redes sociais, moradores expressam insatisfação com a situação, cobrando alternativas e denunciando o que consideram incompetência da gestão do Daae. “Anotem aí, arruma amanhã, daqui 3 meses queima de novo!! Tá na hora de ter mais um poço. Esse lado Lupo 1, Vale do Sol só cresce, e é o mesmo poço de 30 anos atrás!”, disse uma moradora.
“Interessante que não tem uma bomba reserva? Não há política para situações emergenciais como esta? Ou o povo que se dane mesmo?”
“Não é possível que uma cidade do porte de Araraquara ainda tenha problemas desse nível. É pura incompetência mesmo.”
“Cadê a manutenção preventiva, bomba reserva ou outro poço? Cadê as ações dos gestores para reduzir ou eliminar essas falhas? Cabe uma investigação para ver o que realmente está acontecendo.”
Outros ainda questionam a qualidade da gestão: “A população paga seus impostos e tem direito de exigir uma prestação de serviço de qualidade.”
Estudantes e trabalhadores também sofrem
O problema afeta também estudantes e trabalhadores. Um morador, que trabalha durante o dia e estuda à noite, desabafou: “Quem chega do trabalho precisa tomar banho pra ir pra faculdade, como fica?”
Outros moradores apontam um possível viés político: “A ideia é gerar o caos e ficar mais fácil privatizar”, escreveu um cidadão indignado.
Reajuste em meio à crise
A insatisfação da população cresceu ainda mais após o anúncio do Daae sobre o reajuste tarifário de 2,82%, válido a partir de novembro. O aumento foi autorizado pela Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento (ARES-PCJ), a pedido do Daae, e recebeu aval do Conselho Municipal de Saneamento Básico (CMSB).
O reajuste incide sobre todas as categorias e faixas de consumo, abrangendo tanto o fornecimento de água quanto o tratamento de esgoto.
Logo após a publicação do aumento nas redes sociais da autarquia, surgiram críticas: “Vão dar desconto nesses dias sem água???? Aumentar o valor é fácil.”
“Vai subir a taxa???? Faz três dias que estamos sem água aqui no Paiol! Daqui a pouco tenho que comprar água pra beber! Mas a taxa aumenta de qualquer jeito! Parabéns aos envolvidos!”
Daae promete solução até o fim do dia
Em nota oficial, o Daae comunicou:
“A bomba instalada no poço profundo Paiol, realizada na data de ontem (07/10), apresentou falha elétrica com parada de seu funcionamento na madrugada dessa quarta-feira (08/10).”
“O abastecimento normal já havia sido reestabelecido no setor, porém, devido ao novo defeito apresentado, deverá ocorrer novamente desabastecimento e/ou diminuição na pressão de água.”
A autarquia finalizou reforçando que as equipes estão no local e que a substituição da bomba segue em caráter emergencial, com expectativa de normalização até o fim da quarta-feira (08).
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