31/05/2020 às 21h30min - Atualizada em 01/06/2020 às 05h42min

Democracia: as cores do futebol nas manifestações políticas

Crônica escrita por Rian Fernandes. Não representa a opinião do portal Araraquara Agora

Para confrontar opiniões recentes de que o futebol não se mistura com política, na Avenida Paulista, em São Paulo, torcidas deixaram o lado de adversários e formaram um esquadrão para lutar, não contra tal argumento mencionado, mas sim pelo regime que oferece a possibilidade do diálogo: DEMOCRACIA.

Corintianos e palmeirenses tomaram conta de São Paulo neste dia 31 de maio, juntamente de são paulinos e santistas. Seria quase um “futebol contra futebol”, pois o adversário desta vez, se apoia em símbolos, como a própria camisa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Porém, o “quase” demonstra que não é uma batalha contra camisas do próprio esporte.

O verde e amarelo, das camisas de Pelé, Zico, Garrincha, Ronaldo e muitos outros craques, foram apropriadas pela ideologia, formando uma vestimenta incoerente. Em 2014 e 2018, durante a Copa do Mundo, a Amarelinha foi criticada por não estar do lado democrático, referente aos protestos da época. Porém, após dois anos do último evento futebolístico envolvendo as seleções de todo o mundo, o uniforme da própria CBF é usado como, para alguns, um símbolo do patriotismo. A torcida que era contra as vitórias do próprio futebol, se diz ao lado do nacionalismo.

No entanto, para dar voz a DEMOCRACIA, o preto e branco apareceu na Avenida Paulista, contra o tal verde e amarelo. Quem diria, cores já vestidas por Sócrates, unidas em apenas uma batalha, mas em campos opostos. O saudoso Doutor, reaparece, novamente como um marco histórico, mesmo no céu.

Afinal, impossível, neste momento, não se lembrar da memoriosa DEMOCRACIA Corinthiana, da década de 80, em que Sócrates foi um dos grandes ícones, ao lado também de Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria, Zenon e outros importantes nomes. Naquela época, os atletas politizados deram voz ao povo, desafiando, com coragem, a ditadura em busca de DEMOCRACIA.

Com mãos ao alto, assim como no histórico movimento do Timão, torcedores alvinegros gritavam por “DEMOCRACIA, DEMOCRACIA!”. Ato na luta contra falas, que por muitas vezes são consideradas antidemocráticas, do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pessoa que figura como um marco do atual símbolo do “verde e amarelo”. Uma representação, que antes, demonstrava apenas, a felicidade nos gramados por meio do futebol apresentado pela Seleção Brasileira, de tantos já citados craques.

Também neste dia 31 de maio, para colorir ainda mais as manifestações pelo país, no Rio de Janeiro, um coletivo antifascista do Flamengo apareceu nas ruas. O vermelho do coração, da paixão pelo futebol, atualmente se une e demonstra a quentura da presente e preocupante situação da política nacional.

As cores que envolvem o futebol, formam um novo arco-íris, porém nada tranquilo e belo. Não no céu, mas sim, pelas ruas.

Foto: Reprodução/Facebook


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »