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Jovem teme novo ataque após perseguição e importunação sexual em Araraquara; suspeito solto

Vítima relata medo, insegurança e cobra providências das autoridades policiais

Cassiane Chagas|· 4 min de leitura
Jovem teme novo ataque após perseguição e importunação sexual em Araraquara; suspeito solto
Jovem teme novos ataques em Araraquara após ser perseguida e sofrer importunação sexual Imagem Ilustrativa: Freepik.

 

 

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Uma jovem de 26 anos vive dias de angústia e medo em Araraquara após ter sido vítima de importunação sexual e perseguição no último dia 19 de maio, no Jardim Indaiá. O relato dela, feito ao portal Araraquara Agora, expõe não apenas o trauma do ataque, mas também a falta de apoio e respostas efetivas por parte das autoridades responsáveis.

 

O episódio aconteceu por volta das 9h10 da manhã, quando a jovem caminhava para a casa, pela Rua Dinamerico Duarte de Oliveira. Um homem branco, com piercing no rosto, cabelo castanho e cavanhaque, a seguiu em um veículo, VW/Gol com adesivos de uma empresa de telefonia, que ela conseguiu identificar e passar os dados à polícia.

 

 

Durante a perseguição, o homem exibia seu órgão genital pelas janelas abertas, chegando a “balançá-lo” fixando o olhar nela.

 
 
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A rua, pouco movimentada, tornou a situação ainda mais assustadora. Por três quarteirões, ele a acompanhou de carro, até que, em desespero, ela começou a acelerar os passos e buscar ajuda.

 

 

“Consegui acionar a Polícia Militar com a ajuda da minha cunhada. Um vizinho que estava na frente de casa ficou comigo até os policiais chegarem, o que levou entre 30 e 40 minutos”, relata.

 

Porém, em vez de encontrar acolhimento, ela diz ter enfrentado um atendimento indiferente: “Os policiais foram até mim só para pegar meus dados e fazer uma anotação de comparecimento”.

 

 

Triste: falhas no atendimento policial

 

 

Segundo a jovem, o agressor ainda circulava pelo bairro quando a viatura chegou, mas não foi detido nem abordado. Apenas mais tarde, ao procurar a delegacia, foi atendida por um delegado de plantão que, segundo ela, foi mais atencioso e explicou que, sem a prisão em flagrante, o processo poderia demorar.

 

 

“O delegado procurou pela minha denúncia e pelo chamado na delegacia, mas não encontrou nada registrado. Ou seja, os policiais que foram até o local nem fizeram o registro com meu nome no plantão”, denuncia.

 

Apesar de ter conseguido fotografar o carro e entregar a placa à Delegacia da Mulher (DDM), que formalizou a ocorrência como importunação sexual, o suspeito ainda não foi detido. Enquanto isso, quem se sente presa em casa é a vítima.

 

 

Medo constante e sensação de abandono

 

 

“Eu moro aqui há quatro anos e sempre me senti segura no bairro. Hoje não posso dizer o mesmo. Nem os policiais estão exercendo suas funções de maneira que nos façam sentir seguros”, lamenta.

 

Mesmo após o boletim de ocorrência, a jovem relata frustração com a falta de apoio:
 

 

“Depois do que aconteceu, me sinto lesada. Fui orientada por uma policial militar a não fazer o boletim porque eu ficaria na delegacia por mais de cinco horas e seria minha palavra contra a dele”, conta.

 

Já se passaram duas semanas desde o incidente, e ela afirma que não recebeu nenhum retorno das autoridades. O agressor segue solto, e ela, com medo de sair sozinha:

 

 

“Não sou mais a mesma. Só saio na rua acompanhada da família, olho para os lados com medo que ele ainda esteja rondando por aqui”.

 

Segundo ela, nenhuma orientação emocional ou psicológica foi oferecida até o momento. “Meu medo é muito grande porque ele ainda está solto e pode fazer outras vítimas”.

 

 

“No Brasil, a lei é falha e a culpa sempre acaba recaindo sobre nós, mulheres, que não podemos mais andar sozinhas porque não temos mais paz”.

 

 

Autoridades respondem sob sigilo

 

A equipe do Portal Araraquara Agora entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) buscando esclarecimentos. Foram feitas perguntas sobre:
 

✔ O andamento das investigações;
✔ Se o suspeito já foi identificado ou ouvido;
✔ Se há previsão de medidas protetivas para a vítima;
✔ Quais procedimentos a DDM adota em casos em que o agressor ainda não foi localizado;
✔ Se há alguma orientação ou ronda preventiva sendo oferecida à vítima ou à comunidade feminina da região.

 

 

Em nota, a SSP respondeu que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher sob sigilo e que “diligências estão em andamento para identificar o autor e esclarecer totalmente os fatos”.

 

 

Falta resposta sobre atuação da PM

 

Até o fechamento desta reportagem, a SSP não respondeu aos questionamentos sobre a atuação dos policiais no momento da ocorrência, a falha no registro inicial e a ausência de informações relatadas pela vítima, como, por exemplo, a prisão em flagrante do autor.

 

O Portal Araraquara Agora continuará acompanhando o caso para cobrar respostas das autoridades e trazer atualizações para a população e , principalmente, para a jovem que hoje vive sob medo constante.

 

 

“Não vejo a hora desse pesadelo acabar. Não é fácil andar por aí e não se sentir em paz”, desabafa.

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