Caso Fabinho Cross
STJ determina que todos os réus envolvidos na morte de empresário de Araraquara respondam em liberdade
A Justiça entendeu que os acusados podem responder fora da prisão por serem réus primários, com bons antecedentes e sem trazer riscos ao andamento do processo; o crime aconteceu em setembro do ano passado na casa noturna Almanaque no Centro da cidade

O caso que chocou Araraquara em setembro do ano passado ganhou um novo e importante capítulo nesta semana, após todos os cinco réus acusados pela morte do empresário Fábio Luiz Alves Gaspar, conhecido como Fabinho Cross, serem colocados em liberdade na noite da última terça-feira (23), por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A Justiça entendeu que os envolvidos são réus primários, com bons antecedentes, residência fixa, trabalho lícito e sobretudo, sem indícios de que representem risco ao andamento do processo.
Os seguranças Danilo Henrique Rocha Valarani e Adrian Antony Rodrigues Vidal, o gerente da casa noturna André Maciera conhecido como Deko, o bombeiro civil Agnaldo Francisco Rodrigues e o cliente Eduardo Carrascosa Franco Machado foram interrogados por juízes e promotores em audiência de custódia nesta quarta-feira (24), no fórum da cidade. Antes disso, as testemunhas de defesa e acusação também já haviam sido ouvidas semanas antes e o processo corre sob segredo de Justiça, o que impede o acesso público a documentos, gravações e elementos de prova.
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O Ministério Público de São Paulo denunciou os cinco envolvidos por homicídio qualificado — com agravantes de motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. O crime aconteceu dentro da casa noturna Almanaque, localizada na Rua Gonçalves Dias no Centro.
De acordo com a denúncia do MP, Fabinho teria sido retirado da pista de dança após um suposto comportamento inadequado. Ele foi conduzido até uma área isolada do estabelecimento, onde teria sido espancado violentamente por vários minutos.
A dinâmica da agressão, segundo laudos periciais e imagens internas indicou que a vítima foi contida à força, imobilizada e agredida com chutes e golpes — especialmente na região do pescoço e do tórax. Fabinho perdeu os sentidos, chegou a ser socorrido até a Santa Casa e acabou não resistindo.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou a causa da morte, como asfixia mecânica por estrangulamento que de acordo com testemunhas Fabinho teria levado um mata leão. Danilo e Adrian estavam presos preventivamente na Penitenciária de Taiúva, Eduardo respondia o processo em liberdade, enquanto André e Agnaldo estavam foragidos até se apresentarem na audiência virtualmente.
Mesmo com a liberdade provisória, o caso ainda aguarda um ponto crucial a definição sobre a submissão ou não do grupo a júri popular, o que deverá ser decidido pelo juízo nos próximos meses. Ainda não há data marcada para essa decisão que será tomada, com base nas provas reunidas ao longo da instrução.
A reportagem procurou os advogados de defesa dos réus, mas nenhum deles quis comentar o assunto até o fechamento desta matéria. Por outro lado, a advogada Josimara Veiga Ruiz que representa a família de Fabinho, lamentou publicamente a decisão do STJ e reforçou o compromisso com a responsabilização dos envolvidos:
“Os envolvidos na morte de Fábio Gaspar conseguiram o direito de responder ao processo em liberdade. Nada trará a vida de dele de volta, mas a família sinceramente não quer acreditar que este homicídio tão cruel, em que cinco pessoas seguraram e golpearam Fabio com tamanha violência até a morte, deixe de receber da Justiça uma punição à altura. Os acusados poderão se defender livremente, um direito que Fabio não teve. Ainda que o processo demore, confiamos que a Justiça será feita lutaremos para isso,” declarou.
Fabinho Cross era uma figura bastante conhecida na cidade e sua morte mobilizou forte comoção popular, protestos e ampla cobertura da imprensa local e nacional. O caso que até agora reúne mais de uma dezena de oitivas, vídeos de segurança e laudos técnicos, caminha para uma etapa decisiva no Judiciário. Enquanto isso, os réus, agora em liberdade aguardam os próximos desdobramentos da Justiça.
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