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Assédio Sexual

“Ele me chamou de gatinha e pegou na minha mão”, diz alunas sobre professor acusado de assédio sexual em escola de Araraquara

As estudantes relataram que as falas e atitudes do docente causaram desconforto durante as aulas na escola estadual Professor Antônio dos Santos; DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) investiga o caso

Flávio Fernandes|· 4 min de leitura
“Ele me chamou de gatinha e pegou na minha mão”, diz alunas sobre professor acusado de assédio sexual em escola de Araraquara
Foto: Flavio Fernandes/Araraquara Agora

 

Estudantes denunciaram um professor de ciências e matemáticas por assédio sexual na escola Estadual Professor Antônio dos Santos, no Jardim das Estações, em Araraquara. Os comportamentos e atitudes inadequadas do idoso tem deixado alunos, pais, professores e diretores da unidade preocupados. 

Uma das vítimas que é representante de classe e denunciou o caso na manhã desta segunda-feira (30), conversou com o repórter Flavio Fernandes ao lado da mãe e também entregou aos investigadores, um relatório com relatos de outros colegas. Segundo ela, os episódios começaram em março (Assista A Entrevista Completa Abaixo).

 

“No começo a gente até relevava, porque era mais discreto, mas depois virou rotina e ele começou a falar da minha aparência, da minha voz, mostrou fotos pessoais e fez comentários que deixavam a gente sem reação”, disse.

 

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Segundo a estudante, o docente havia feito comentários estranho e a elogiou durante as aulas.

 

“Ele me chamou de gatinha, pegou na minha mão de forma carinhosa quando fui entregar um livro. Já falou que minha voz era linda e que queria ouvir só a minha”, contou.

 

Durante a apresentação da eletiva “Barbie pelo Mundo”, a aluna relatou outro episódio. 

 

“Enquanto eu falava sobre a situação da mulher em outros países, ele me interrompeu perguntando se lá as mulheres podiam usar biquínis cavados, foi constrangedor”, relatou.

 

A estudante diz ainda que outros colegas, especialmente alunas passaram por situações semelhantes, mas muitas têm receio de falar: “A gente só quer estudar em paz, queremos ser tratadas com respeito. É por isso que falamos”, afirmou.

DENUNCIA DA SEGUNDA ALUNA

Uma segunda aluna também de 14 anos procurou a reportagem e enviou um áudio relatando situações vividas com o mesmo professor. Ela é colega da denunciante, mas só decidiu contar o que aconteceu após a divulgação da reportagem do Araraquara Agora.

 

“O que aconteceu comigo foi que numa das aulas, ele falou sobre um exame de próstata que ele fez contou que o médico pediu pra ele voltar que tinha sido muito bom, tudo muito gostoso e ainda desenhou na lousa demonstrando como foi e até onde ia o dedo”, disse.

 

A vítima também mencionou um episódio em que o idoso teria feito um comentário durante uma situação em que alunos brincavam no fundo da sala.

 

“Tinha uns meninos brincando lá no fundo e ele virou pra mim e disse: ‘na minha época eu conversava com as gatinhas’. Depois me chamou de ‘gatinha’, eu respondi que meu nome era outro e ele saiu dando as costas”, citou.

 

Em outro momento, durante a mesma atividade eletiva mencionada por sua colega, o docente voltou a comentar sobre a voz dela.

 

“Ele falou que minha voz era bonita e que queria ouvir minha voz. Também comentou, para mim e para outras colegas que em alguns países as mulheres não sentem certas coisas, e perguntou se lá elas usavam biquínis cavados”, relatou.

 

A estudante disse ainda que o professor mostrava imagens pessoais para os alunos.

 

“Ele mostrou foto da namorada dele na praia e falou: ‘olha que namorada bonita’, depois comentou coisas sobre o corpo dela, todo mundo ficou desconfortável. Ele fazia isso na frente de todos nós as vezes até com colegas que não sabiam como reagir e a gente se sentia exposta”, lamentou.

 

Já a mãe da aluna que entregou o relatório à escola e acompanhou a filha até a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) também conversou com a reportagem. Ela é pedagoga e afirmou que notou mudanças no comportamento da filha nas últimas semanas.

 

“Ela sempre gostou da escola, mas começou a chegar em casa estressada, irritada. Primeiro, ela comentava o que via acontecer com os colegas e depois passou a acontecer com ela e a escola precisa ser um lugar seguro. Registramos tudo e esperamos que medidas sejam tomadas”, afirmou.

 

A Polícia Militar foi acionada na escola e acompanhou a aluna, os pais e a vice-diretora da escola até a DDM, onde a delegada registrou um boletim de ocorrência pelo crime de assédio sexual. Um inquérito foi instaurado e o professor será ouvido nos próximos dias.

Procurado a Secretaria da Educação não se manifestou até o momento e quando houver um posicionamento da pasta, a matéria será atualizada. A Polícia Civil reforça a importância do registro de boletins de ocorrência, mesmo em casos de desconforto verbal ou situações recorrentes em ambientes escolares e este é o primeiro passo para garantir a apuração dos fatos e preservar o ambiente educacional.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA 

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