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Preocupação

Araraquara pode sentir crise no setor após Trump taxar suco de laranja brasileiro em 50%

Sobretaxa eleva custos em até 533% e setor teme prejuízos bilionários; entenda

Geisa Ferreira da Silva|· 5 min de leitura
Araraquara pode sentir crise no setor após Trump taxar suco de laranja brasileiro em 50%
Trump impõe tarifa de 50% ao suco brasileiro, elevando custos e ameaçando empregos; Brasil recorrerá à OMC para defender exportações Foto ilustrativa: Do Portal do Governo SP.

 

 

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O setor brasileiro de suco de laranja vive momentos de tensão após o anúncio do presidente americano Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 50% sobre o produto importado do Brasil, decisão que pode gerar fortes efeitos para a economia nacional e, particularmente, para a região de Araraquara, grande polo produtor da fruta.

 

Hoje, o Brasil lidera o mercado mundial de suco de laranja, respondendo por 95% da produção destinada ao exterior, sendo que os Estados Unidos absorvem 42% desse volume. O impacto direto sobre empregos locais é uma preocupação imediata, principalmente em estados produtores como São Paulo, onde Araraquara se destaca como importante polo citrícola.

 

 

“Essa decisão não atinge somente o Brasil, mas também toda a cadeia de produção de suco nos Estados Unidos, que há décadas depende do Brasil como principal fornecedor externo”, declarou Ibiapaba Netto, diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).

 

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Aumento tributário pode inviabilizar mercado americano

 

A sobretaxa proposta por Trump implicaria um salto nos custos tributários de US$ 415 por tonelada para quase US$ 2.600, considerando o valor médio do suco concentrado na Bolsa de Nova York, atualmente cotado em US$ 3.600 por tonelada. Isso significa que o imposto poderia representar 72% do preço total do produto.

 

Segundo Ibiapaba Netto, um acréscimo dessa maneira, que equivale a uma alta de 533% nos tributos e tornaria inviáveis as exportações ao mercado americano, com potencial para paralisar colheitas, desorganizar o funcionamento das fábricas e frear o comércio.

 

 

Peso econômico bilionário e risco ao emprego

 

Durante a safra 2024/25, encerrada em 30 de junho, as exportações brasileiras de suco de laranja para os EUA renderam US$ 1,31 bilhão, o que correspondeu a 41,7% do total exportado. No entanto, há preocupação com o que fazer com esse volume, caso o mercado americano seja perdido.

 

A Europa, maior destino do suco brasileiro, absorveu 52% das vendas na mesma safra, mas, segundo o setor, dificilmente conseguiria compensar o excedente que ficaria sem destino nos EUA. Inclusive, o volume exportado para o mercado europeu caiu 24%, passando das 495.602 toneladas na safra anterior para menos na atual, embora a receita tenha aumentado em 22,9%, subindo de US$ 1,40 bilhão para US$ 1,72 bilhão.

 

Em outros mercados, as quedas também foram expressivas: no Japão, os embarques recuaram 30%, reduzindo-se de 27.668 toneladas para 19.356 toneladas, ainda que o faturamento tenha crescido 26,3%, saltando de US$ 86,2 milhões para US$ 108,9 milhões. Já a China apresentou a maior retração, com redução de 63,2% nas exportações (de 81.808 toneladas para 30.114 toneladas) e uma perda de receita de 27,2%, caindo de US$ 142,3 milhões para US$ 103,5 milhões.

 

 

“Esses mercados não têm capacidade para absorver o que deixaria de ser vendido aos EUA. O impacto seria imediato na produção, no emprego e na competitividade da indústria nacional”, alertou Netto.

 

Atualmente, a cadeia do suco de laranja gera cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, sustentando milhares de famílias em diversos municípios produtores.

 

 

Reação brasileira e apelo à OMC

 

Diante da ameaça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira (10), em entrevista à Record TV, que o Brasil ingressará com uma queixa oficial na Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter a tarifa de 50% sobre as exportações. Caso não tenha sucesso, Lula prometeu retaliações proporcionais.

 

“Se ele vai cobrar 50% da gente, nós vamos cobrar 50% dele”, afirmou o presidente, citando a Lei da Reciprocidade, sancionada em abril, que permite ao Brasil suspender concessões comerciais ou impor restrições em retaliação a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade nacional.

 

A estratégia de Lula é tentar formar um bloco de países igualmente afetados para pressionar os Estados Unidos na OMC. “Se nada disso der resultado, vamos ter que agir de acordo com a Lei da Reciprocidade”, reforçou o presidente.

 

 

Gabinete para salvar exportações

 

Para lidar com a crise, Lula anunciou a criação de um comitê que reunirá governo e empresários exportadores aos EUA. “Não vou dizer um gabinete de crise, mas sim um gabinete para repensar a política comercial brasileira com os EUA”, explicou, ressaltando que buscará abrir novos mercados para o suco brasileiro e proteger a cadeia produtiva.

 

 

“O comércio do Brasil com os EUA representa 1,7% do PIB. Não é que a gente não possa sobreviver sem os EUA. Mas, claro, queremos vender”, enfatizou Lula, demonstrando confiança em alternativas comerciais.

 

 

Alckmin critica Trump e acusa bolsonaristas

 

O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, classificou a medida de Trump como “um grande equívoco”, destacando que os EUA possuem superávit de US$ 7 bilhões em bens e US$ 18 bilhões em serviços nas relações com o Brasil. Além disso, lembrou que a maioria dos produtos exportados pelos EUA para o Brasil entram com tarifas zeradas.

 

Alckmin foi além e atacou o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-o de trabalhar nos bastidores junto ao governo Trump para prejudicar a economia brasileira. “Antes era atentado à democracia, agora é atentado à economia”, disparou Alckmin, citando a má gestão da pandemia, a destruição ambiental e a tentativa de golpe em 2023.

 

Mesmo diante das críticas, Alckmin reiterou o compromisso do Brasil com o diálogo e afirmou que as negociações seguem com o governo americano, conduzidas diretamente entre ele e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. “O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo”, finalizou.

 

 

Com informações: Agência Brasil.

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