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Entenda

Dormir à noite ou tirar cochilos? Descubra o que faz melhor à sua saúde

Estudo da USP revela como o sono polifásico e o monofásico impactam sua saúde física e mental

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Dormir à noite ou tirar cochilos? Descubra o que faz melhor à sua saúde
Cochilos curtos podem melhorar humor e atenção, se bem controlados Foto: Freepik.

 

Dormir bem é essencial para a saúde, mas a forma como distribuímos o sono ao longo do dia pode gerar muitas dúvidas. Será que o modelo tradicional de dormir apenas à noite é realmente o melhor? Ou será que os famosos cochilos durante o dia podem oferecer benefícios? Pesquisas revelam que o assunto é mais complexo do que parece e que entender os diferentes padrões de sono pode ser a chave para uma vida mais equilibrada.

 

O professor Geraldo Lorenzi Filho, da Faculdade de Medicina da USP, coordenador do Laboratório de Investigação Médica do Sono, afirma que não existe uma regra única sobre o sono ideal. “A verdade é que o sono é muito individual”.

 

“O mais fácil é manter o padrão monofásico, de dormir à noite quando está escuro e, durante o dia, realizar atividades, como a maioria das pessoas. Mas existem outras possibilidades que, em geral, causam estresse ao corpo”, explica.

 

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Como a natureza moldou nossos padrões de sono

 

Ao longo da vida, nosso corpo passa por múltiplas fases de sono. Recém-nascidos, por exemplo, seguem um padrão polifásico, com vários cochilos curtos durante o dia e a noite. Já crianças pequenas costumam dormir à noite e ainda tiram cochilos à tarde, em um padrão bifásico. Conforme crescemos, migramos para o modelo monofásico, concentrando todo o sono durante a noite.

 

Na terceira idade, há uma tendência de retorno ao polifásico, com idosos retomando os cochilos durante o dia. Essa oscilação natural ao longo da vida sugere que o corpo humano é flexível e capaz de se adaptar a diferentes arranjos de sono, mas nem todos esses arranjos são ideais para o funcionamento diário, especialmente em uma sociedade regida por rotinas rígidas.

 

 

O impacto da luz elétrica e a história do sono bifásico

 

Antes da invenção da luz elétrica, a humanidade seguia um ritmo de sono diferente do atual. Estudos históricos indicam que era comum um padrão bifásico noturno: um primeiro sono após o anoitecer, seguido de um período de vigília noturna, e então um segundo sono até o amanhecer. Essa pausa entre dois blocos de sono era aproveitada para meditação, conversas ou tarefas domésticas, revelando como a luz e o ambiente influenciavam os hábitos humanos.

 

 

Com a modernidade e a iluminação artificial, esse ritmo foi sendo substituído por uma longa noite de sono, mas nossas origens bifásicas continuam gravadas na nossa biologia.

 

O que é sono polifásico e por que ele desafia o corpo?

 

O sono polifásico é a prática de dividir o descanso em vários períodos ao longo do dia. Embora possa parecer uma boa ideia para quem tem rotina intensa, ele impõe grandes desafios fisiológicos, especialmente porque nosso relógio biológico (circadiano) regula a liberação de hormônios como o cortisol e define os horários ideais para dormir e acordar.

 

Desrespeitar essas janelas naturais de sono pode causar problemas graves, alerta o professor Lorenzi. Profissionais que trabalham em turnos noturnos ou com horários irregulares enfrentam descompassos entre o corpo e o ambiente, o que pode gerar obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e transtornos de humor.

 

Além disso, fatores como barulho diurno, luz solar e compromissos sociais tornam difícil manter o sono de qualidade durante o dia.

 

Casos extremos de sono polifásico: exceção ou inspiração?

Um dos exemplos mais conhecidos de adaptação extrema ao sono polifásico é o do navegador Amyr Klink. Durante suas expedições polares, ele dormia 15 minutos a cada hora, uma estratégia necessária para manter a vigilância constante nas águas geladas.

 

Apesar de casos como o de Klink mostrarem que adaptações radicais são possíveis, o professor Lorenzi enfatiza que são exceções raras. “Algumas pessoas se adaptam bem a horários diferentes, mas a maioria sofre fisicamente e biologicamente”, afirma.

 

Cochilos curtos podem ser aliados da saúde

 

Se o sono polifásico completo é difícil de manter, cochilos curtos durante o dia surgem como uma alternativa viável e saudável. Segundo o professor, cochilos de até 20 minutos podem trazer benefícios como melhoria no humor, atenção e compensação de sono noturno insuficiente.

 

Contudo, dormir além desse tempo pode ser contraproducente. “Se você entra em sono profundo (REM), ao acordar, pode sentir inércia do sono, aquela sensação de acordar mais cansado do que antes”, alerta Lorenzi Filho.

 

Encontrar o equilíbrio ideal é o maior desafio

 

O sono ideal é aquele que garante qualidade, descanso e bem-estar ao longo do dia. Para alguns, isso significa manter o modelo tradicional de sono noturno; para outros, pode incluir cochilos estratégicos. A chave, segundo especialistas, está em respeitar o próprio ritmo biológico e manter a regularidade sempre que possível.

 

Enquanto o sono monofásico noturno continua sendo o mais recomendado e compatível com as exigências sociais e biológicas da maioria das pessoas, variações individuais são possíveis e, em alguns casos, necessárias.

 

Com informações: Agência SP.

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