Tragédia, Dor e Saudade
“Ele já falava papai e vovó, um anjo que não volta mais”, familiares lamentam morte de bebê afogado em balde no Valle Verde
Mãe foi detida e liberada após prestar depoimento no Plantão Policial, mas vai responder por homicídio culposo; Nathanael Fernando Souza Moraes de 1 ano e 6 meses foi encontrado morto pelo irmão mais velho

De acordo com informações a mãe disse que estava fazendo almoço, quando percebeu que o filho havia sumido. Em seguida, o irmão mais velho encontrou a vítima morta afogada, em um balde embaixo da pia da casa que fica na Avenida Dr Alfredo do Amaral Gurguel (Av.39).
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O menino chegou a ser socorrido até a UPA do bairro, mas apesar dos esforços de toda equipe médica não resistiu. A auxiliar de limpeza de 40 anos, contou que a tragédia abalou toda a família e descreveu o momento em que soube da notícia (Veja O Vídeo Abaixo).
“Meu filho me ligou falando que o irmão tinha morrido e tinha se afogado dentro de um balde. A mãe se deparou, pediu para o filho mais velho ir na cozinha pegar o balde de água e ele encontrou o irmão dentro. Na verdade, já estava sem vida na UPA, o médico disse que fazia horas que o menino estava no balde. É um sentimento de muita dor, não tem como expressar”, disse Gisele.

Gisele também levantou dúvidas sobre o que aconteceu na casa e disse que a versão da mãe não está batendo com o cenário encontrado.
“A gente só espera que tudo seja esclarecido, porque agora não podemos culpar sem saber. Mas a versão dela não bate, se ela tivesse dado almoço, como disse, o Nathanael que nem andava, teria que estar com ela. Como, depois de mais de meia hora, percebe que o menino sumiu? Fica a dúvida: o que ela estava fazendo? Onde estava?”, citou.

Para a tia, o sofrimento do bebê e a rotina da família exigem respostas da Polícia Civil que vai investigar o caso.
“Era uma criança indefesa deve ter sofrido tentando sair e não conseguiu. Como mãe, é uma dor muito forte e ela não estava nem aí para os filhos dela. O meu filho mais velho sempre vinha dar comida, dar banho, levar. Ela não faz e espero que tudo seja esclarecido”, lamentou.

Avó sente peso de uma nova perda, Benedita Souza também está profundamente abalada. Para ela, a casa perdeu alegria.
“É uma falta imensa, porque agora não volta mais só restam as lembranças boas. Ele já estava começando a falar ‘papai’ e ‘vovó’. O pai dele está preso há sete meses e nem sabe que perdeu o filho. É um sentimento que vai demorar a passar, porque ele era tão pequeno, tão criança. Para mim, como avó, é uma perda muito triste achei que estava forte, mas estou vendo que não. Estou ficando bem abatida”, falou.
Benedita descreveu a rotina de convivência com os netos e disse que os três irmãozinhos ficavam na casa dela, cada vez que a mãe ia visitar o filho na Penitenciária de Araraquara.
“Eu vinha aqui todo fim de semana os três irmãozinhos ficavam em casa. Eu cuidava o dia inteiro, dava banho quando era tarde, eles voltavam para a casa deles. Cada vez que a mãe ia visitar meu filho, eu ficava com as crianças. Eu os tenho como netos é uma dor que não vai ter fim”, disse.
E recordou outra tragédia que ainda marca a família de ter perdido um outro neto há 1 ano e meio.
“Nesta mesma data, há dois anos, perdi outro neto agora estou perdendo o meu netinho de um ano e meio. É uma falta imensa, não só para mim, como para toda a família — tios, tias, meu filho. É muito difícil”, lamentou.
A mãe de Nathanael foi detida e levada ao Plantão Policial, prestou depoimento e acabou liberada, mas o delegado registrou o caso como homicídio culposo — quando não há intenção de matar — e será investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Os investigadores devem ouvir testemunhas, analisar horários e apurar se houve negligência.
O inquérito busca esclarecer, por quanto tempo a criança ficou sozinha e as condições da casa e os policiais civis aguardam os laudos periciais do IML (Instituto Médico Legal), para onde o corpo foi livado. Enquanto aguardam respostas, os familiares enfrentam um luto doloroso.
As últimas palavras que Nathanael pronunciava — “papai”, “vovó” — agora ecoam como lembranças de uma vida interrompida de forma trágica.
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