Preocupação
Prefeita de Américo diz que água está normalizada, mas origem do surto ainda é incerta
Terezinha Viveiros afirma que análises seguem em andamento

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A prefeita de Américo Brasiliense, Terezinha Viveiros, fez um pronunciamento oficial nesta segunda-feira (17) para atualizar a população sobre o surto de doença diarreica aguda registrado no município. A cidade, com cerca de 33 mil habitantes, contabiliza 2.111 casos e uma morte em 2025, segundo nota divulgada conjuntamente pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo.
A coletiva, realizada com a presença do corpo técnico municipal, buscou esclarecer dúvidas sobre a possível relação entre o surto e a qualidade da água distribuída à população. A prefeita destacou que ainda não há definição sobre a causa exata da contaminação.
Logo no início do pronunciamento, ela pontuou que o único registro oficial de contaminação ocorreu em 21 de outubro, quando uma coleta identificou Escherichia coli (E. coli), bactéria associada a infecções gastrointestinais severas.
“Criou-se o argumento de que nossa água era contaminada, mas a contraprova nos mostra que não. Estamos com todos os laudos e estamos com nossa água”, afirmou.
Ela reforçou que as análises subsequentes não confirmaram contaminação generalizada, destacando que a população tem motivos legítimos para se preocupar. “É natural que a população esteja preocupada, eu também estou. Eu moro aqui, minha família mora aqui, tomamos água da torneira”, disse.
Segundo a prefeita, as investigações continuam e nada está descartado. “Pode ser da água, pode ser de um alimento, nós não sabemos. Não ficou definido. Mas eu quero tranquilizar a população: desde o primeiro momento estamos fazendo todo o atendimento necessário”, afirmou.
Terezinha também declarou que o abastecimento não foi interrompido porque a água se encontra dentro dos padrões exigidos neste momento. “Se fosse a água, nós teríamos interrompido o fornecimento”, afirmou.
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Corpo técnico aponta que causa ainda não está definida
De acordo com o corpo técnico municipal, a equipe ainda não conseguiu identificar com clareza se o surto teve origem hídrica. As análises agora são ampliadas para verificar a presença de bactérias, vírus e protozoários. O município segue investigando todas as possibilidades para determinar se o abastecimento tem ligação direta com o aumento de casos.
Os técnicos informaram que, atualmente, a rede está “florada”, o que significa que o sistema se encontra adequadamente clorado. Segundo eles, essa condição garante a desinfecção da água distribuída à população. No entanto, outras formas de contaminação ainda não podem ser descartadas.
As análises oficiais ocorrem todas as segundas e quintas-feiras, e são descritas pela equipe como “frequentes”. Durante a coletiva, a prefeita e o corpo técnico beberam água da torneira para demonstrar confiança na potabilidade do sistema.
“Existe um surto na cidade, e estamos buscando essa resposta. Eu também quero essa resposta”, completou Terezinha.
Relatório estadual identificou falhas na cloração em outubro
Um comunicado conjunto do CVE e do CVS apontou que amostras coletadas em outubro revelaram deficiências graves na cloração do sistema de abastecimento municipal. No documento, exames laboratoriais identificaram coliformes totais e, no caso específico da coleta de 21 de outubro na área urbana, confirmou-se a presença de E. coli.
Para garantir consumo seguro durante o período de instabilidade no sistema, o governo estadual enviou ao município 6 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5%, distribuídos como medida emergencial até que a cloração fosse restabelecida.
Prefeita comenta sobre divergências no relatório
Ao comentar o teor do relatório estadual, a prefeita afirmou. “O relatório é divergente porque eles vieram fazer o trabalho na cidade, fizeram as investigações e, como apareceu esse único ponto em outubro, estão se baseando nisso. Mas ainda haverá um laudo final”.
Após o resultado insatisfatório registrado em outubro, a Vigilância Sanitária intensificou as análises e realizou novas coletas em 10 de novembro, vistoriando 18 locais da rede de distribuição. Os laudos divulgados em 13 de novembro apontaram níveis adequados de cloro e ausência de E. coli, indicando melhora no sistema.
Moradores relatam mau cheiro na cidade
Paralelamente à investigação sobre a água, moradores têm relatado mau cheiro intenso no município, especialmente à noite. A CETESB confirmou que acompanha o caso e que técnicos identificaram um vazamento irregular de vinhaça em uma empresa da região. O órgão afirmou que adotará penalidades e seguirá com investigações para eliminar os incômodos causados pelo odor.
Usina Santa Cruz se manifesta
A Usina Santa Cruz, do grupo São Martinho, envolvida na apuração sobre o vazamento de vinhaça, afirmou em nota que vêm sendo adotadas várias medidas para solucionar o problema.
A empresa destacou que, segundo informações técnicas disponíveis, não há risco à saúde da população, e afirmou lamentar os transtornos, reforçando o compromisso com a responsabilidade socioambiental e a segurança das comunidades do entorno.
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