FORNECIMENTO AFETADO
Prefeita de Américo diz que retomada da Furp avança e promete geração de empregos; veja o que muda
Projeto transforma a unidade de Américo Brasiliense em “Butantan Farma”

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou no início de novembro, em sessão extraordinária, o Projeto de Lei Complementar 49/2025, que autoriza o Instituto Butantan a assumir a Fundação para o Remédio Popular (FURP), incluindo a fábrica localizada em Américo Brasiliense. A medida desencadeia uma reestruturação, pois a FURP será extinta como fundação autônoma e, segundo o governo estadual, transformada em uma nova entidade chamada Butantan Farma, com o objetivo de “modernizar e ampliar a produção de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS)”.
A prefeita de Américo Brasiliense, Therezinha Viveiros, destacou a reativação da fábrica na cidade. “Embora a FURP seja vinculada ao Governo do Estado, reconhecemos a importância de que a unidade de Américo Brasiliense retome suas atividades, gerando empregos, desenvolvimento e renda para nossa cidade”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que, desde o começo do ano, tem trabalhado ao lado de autoridades estaduais para defender a reativação da fábrica em seu município. “Nosso compromisso continua firme: defender o progresso de Américo Brasiliense e o bem-estar de toda a nossa população”, destacou.
Nas redes sociais, a prefeita compartilhou um vídeo em que o deputado estadual Itamar Borges (MDB) reforça o impacto para a cidade. “O projeto visa entrar em funcionamento, começar a trabalhar a fábrica da FURP em Américo Brasiliense para gerar emprego, renda. Vai ser uma transformação para a história e na cidade.” Para a prefeita, a reativação “trará ganhos não só para a cidade de Américo, mas para toda nossa região”.
Por que a FURP será incorporada pelo Butantan?
Segundo o governo estadual, a mudança representa uma reestruturação para fortalecer e modernizar a instituição, transformando a FURP em um braço mais ágil e inovador sob o nome de Butantan Farma. A ideia é ampliar e diversificar a produção de medicamentos para o SUS, recuperando o potencial original da fundação.
Historicamente, a FURP já chegou a produzir 80 tipos de medicamentos, mas atualmente oferta cerca de 30. Além disso, a fundação, que anteriormente atendia a até 600 municípios paulistas, passou a ter apenas cerca de 30 cidades como clientes regulares. Com a incorporação ao Butantan, o estado espera retomar a relevância da FURP.
Ainda de acordo com o governo de SP, nos últimos anos, a produção da FURP caiu. “Com unidades em Guarulhos e em Américo Brasiliense, ela produz hoje aproximadamente 400 milhões de unidades farmacêuticas por ano, embora disponha de capacidade instalada para alcançar até 3 bilhões de unidades anuais. O Butantan terá condições de utilizar essa infraestrutura ociosa e, assim, desenvolver novos produtos”.
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Funcionários, portfólio e produção garantidos
De acordo com o plano aprovado pela Alesp, a transição ocorre em um prazo de dois anos, e os colaboradores da FURP serão mantidos. A intenção é somar a experiência técnica dos funcionários atuais à equipe do Instituto Butantan.
O estado garante que todo o portfólio atual de medicamentos continuará em produção. O Butantan Farma não pretende interromper nenhum dos remédios já fabricados, mas sim expandir suas linhas. Entre os produtos fornecidos ao SUS estão medicamentos para HIV/Aids, saúde mental, Alzheimer, antibióticos e imunossupressores. A reestruturação também prevê a introdução de novas terapias.
Parcerias estratégicas com o Ministério da Saúde (PDPs)
A reativação da FURP por meio do Butantan tem backing de cinco Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) aprovadas pelo Ministério da Saúde. A formalização dessas parcerias ocorreu em reunião da plenária do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, nesta segunda-feira (24), com a participação de autoridades como a secretária de Estado da Saúde em exercício, Priscilla Perdicaris, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás e o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
As PDPs envolvem empresas privadas e permitirão a produção de medicamentos estratégicos, entre eles:
Ivacaftor 150 mg: para fibrose cística, em parceria com a Cristália;
Tafamidis Meglumina 20 mg: para amiloidose, com a Prati & Donaduzzi;
Dasatinibe 20 mg e 100 mg: para leucemias, parceria com BIOCON Pharma e Nortec;
Pazopanibe 200 mg e 400 mg: para carcinoma de células renais, com Blanver e Cyg Biotech;
Dolutegravir 50 mg + Lamivudina 300 mg: antirretroviral para HIV, também com Blanver e Cyg Biotech.
A secretária Priscilla Perdicaris destacou que “a aprovação dessas PDPs é fundamental para garantir a produção desses medicamentos considerados estratégicos para o Instituto Butantan e para o SUS”. Já o superintendente da FURP, Rogério Aun, lembrou que “essas parcerias ampliam o acesso da população a tratamentos de ponta”.
O que muda para Américo Brasiliense?
Com a fábrica de Américo assumida pelo Butantan, a expectativa é de geração de emprego, aumento de renda e desenvolvimento econômico para o município.
O estado assegurou que a operação da unidade de Américo Brasiliense contribuirá para “aumentar a produção farmacêutica do SUS”, reforçando a autonomia do estado na fabricação de medicamentos estratégicos. “Ao fortalecer a produção local, o Butantan Farma visa devolver à FURP sua capacidade plena e original, aproveitando a infraestrutura instalada para suprir demandas de saúde pública”.
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