CIDADE DE ASAS
Gavião Peixoto lidera PIB per capita na região de Araraquara
IBGE divulga dados de 2023; município está em 11º lugar nacional com R$ 369 mil per capita.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (19) os dados do Produto Interno Bruto dos municípios brasileiros referentes a 2023.
O levantamento, que representa uma parceria do instituto com entidades estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), fornece um panorama detalhado da economia municipal brasileira e permite análises regionais sobre desenvolvimento econômico e produção per capita.
Na região de Araraquara e entorno, a análise dos dados revela disparidades significativas entre os municípios. Gavião Peixoto destaca-se como líder regional, alcançando PIB per capita de R$ 369.126,50 em 2023 — posicionando-se em 11º lugar no ranking nacional de PIBs per capita municipais.
Esse resultado representa crescimento expressivo frente aos dados de 2022, quando o município registrou R$ 267.622,84, demonstrando trajetória econômica positiva e consolidação de sua relevância econômica regional.
É importante compreender que o PIB per capita não equivale à distribuição de renda daquele lugar, mas representa a média da produção econômica por habitante. Portanto, o indicador reflete o potencial produtivo e econômico do município, não necessariamente a renda efetiva recebida por cada residente.
O que faz Gavião Peixoto ter esse resultado extraordinário é a presença da fábrica da Embraer na cidade. A empresa, uma das maiores do mundo no segmento, movimenta anualmente bilhões de reais com a venda de aeronaves.
Gavião Peixoto: destaque regional com crescimento robusto
Gavião Peixoto consolidou-se como maior economia per capita da região de Araraquara em 2023. O município, que apresentava PIB per capita de R$ 186.042,64 em 2018, experimentou crescimento impressionante ao longo de cinco anos, totalizando aumento de aproximadamente 98% nesse período. Esse crescimento denota transformação econômica significativa e posicionamento competitivo em escala nacional.
A análise temporal revela oscilações interessantes na trajetória de Gavião Peixoto. Após atingir R$ 331.489,51 em 2020, o PIB per capita caiu para R$ 244.615,79 em 2021, recuperando-se vigorosamente nos anos subsequentes. Em 2022, alcançou R$ 267.622,84, e em 2023 atingiu R$ 369.126,50, consolidando posição de destaque regional e nacional.
Dourado destaca-se como segundo colocado regional
Com PIB per capita de R$ 145.521,22 em 2023, posicionando-se em 113º lugar no ranking nacional.
O município experimentou crescimento extraordinário, passando de R$ 58.916,33 em 2018 para R$ 145.521,22 em 2023, representando aumento de aproximadamente 147%. Essa trajetória de crescimento robusto posiciona Dourado como economia emergente de relevância na região.
Muito desse crescimento está ligado a fábrica da Premier, uma das maiores fabricantes de ração animal do Brasil e que tem uma unidade no município.
Matão: terceiro colocado com trajetória consistente
Matão posiciona-se como segundo maior PIB per capita da região, com R$ 96.754,27 em 2023, ficando em 288º lugar no ranking nacional. O município apresenta trajetória consistente de crescimento desde 2018, quando registrava R$ 50.222,83. Esse crescimento de aproximadamente 92% em cinco anos demonstra dinamismo econômico sustentado.
A análise dos últimos cinco anos mostra crescimento praticamente contínuo, com pequena queda entre 2018 e 2019 (R$ 47.632,45), seguida por recuperação e expansão consecutiva: 2020 (R$ 52.826,37), 2021 (R$ 63.716,37), 2022 (R$ 78.294,18) e 2023 (R$ 96.754,27). Esse padrão sugere economia resiliente, apoiada em atividades produtivas estáveis.
A cidade é conhecida por sua indústria ligada ao agronegócio.
Ranking regional: hierarquia econômica entre municípios
A região apresenta hierarquia econômica bem definida quando observados os PIBs per capita dos demais municípios. Abaixo de Matão, a sequência de cidades reflete diferentes graus de desenvolvimento econômico:
São Carlos apresenta PIB per capita de R$ 72.146,03, ficando em 628º lugar no ranking nacional. O município, sede de importantes instituições de pesquisa e educação superior, reflete economia diversificada com base em serviços, comércio e atividades acadêmicas. Seu PIB per capita cresceu de R$ 44.796,40 em 2018 para R$ 72.146,03 em 2023.
Araraquara, com PIB per capita de R$ 60.643,28, posiciona-se em 915º lugar no ranking nacional. O município, que é foco de cobertura do portal Araraquara Agora, apresentou crescimento consistente desde 2018, quando registrava R$ 40.271,18. Em 2023, alcançou R$ 60.643,28, demonstrando crescimento de aproximadamente 50% em cinco anos.

Nova Europa registra PIB per capita de R$ 59.757,23, ficando em 947º lugar no ranking. O município apresenta trajetória ascendente particularmente notável, tendo crescido de R$ 18.120,21 em 2018 para R$ 59.757,23 em 2023, representando aumento de aproximadamente 230%.

Completando o ranking regional:
Boa Esperança do Sul (R$ 48.791,50, posição 1438º)
Ibaté (R$ 47.138,96, posição 1530º)
Motuca (R$ 42.396,42, posição 1833º)
Rincão (R$ 38.133,31, posição 2131º)
Trabiju (R$ 39.619,92, posição 2026º)
Américo Brasiliense (R$ 45.578,66, posição 1617º)
Santa Lúcia (R$ 25.928,44, posição 3136º)
Ribeirão Preto: maior centro urbano do entorno
Como maior cidade do entorno regional, Ribeirão Preto registra PIB per capita de R$ 74.869,27, posicionando-se em 561º lugar no ranking nacional. Apesar de ser maior municipalidade em população e importância econômica na região, Ribeirão Preto não lidera o ranking de PIB per capita regional — situação que reflete a concentração de atividades em Gavião Peixoto e o crescimento robusto de Matão e Dourado.
O PIB per capita de Ribeirão Preto cresceu de R$ 49.419,92 em 2018 para R$ 74.869,27 em 2023, representando aumento de aproximadamente 51%. Essa trajetória, embora consistente, foi menos robusta comparativamente aos crescimentos observados em municipalidades menores como Nova Europa (230%) e Dourado (147%).
O contexto nacional: disparidades extremas
Conforme informado pelo IBGE, aproximadamente 4.384 municípios — representando 79% das cidades brasileiras — ficam abaixo do PIB per capita nacional, que é de R$ 53.886,67. Essa proporção elevada demonstra concentração significativa de atividade econômica em número reduzido de municípios.
O ranking nacional de PIBs per capita municipais é liderado por cidades ligadas à atividade petrolífera, com sete integrando o top 10. Cidades como Saquarema (RJ), com R$ 722.441,52, e São Francisco do Conde (BA), com R$ 684.319,23, dominam as primeiras posições. Segundo técnicos do IBGE, esses municípios "realmente concentram bastante dessa atividade" petrolífera, sendo a extração e refino de petróleo determinantes para seus elevados PIBs per capita.
Também integram o topo do ranking cidades com indústrias de transformação e comércio, como Louveira (SP) com R$ 388.732,46, e cidades com foco em commodities agrícolas, como Santa Rita do Trivelato (MT), com R$ 409.443,67.
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