BOM PRINCÍPIO DE ANO NOVO
Passagem de ônibus sobe neste sábado em Araraquara; entenda os novos valores
Nova tarifa do transporte público tem descontos que amenizam impacto para passageiros

A partir deste sábado (3), os moradores de Araraquara que utilizam o transporte público coletivo precisam se preparar para desembolsar mais dinheiro nas viagens diárias. A nova tarifa, oficializada por meio de decreto assinado pelo prefeito Dr. Lapena (PL), estabelece o valor base de R$ 6 para a passagem de ônibus no município. O reajuste representa um aumento de 20% em relação ao preço anterior, que era de R$ 5.
Apesar do valor cheio fixado em seis reais, a administração municipal manteve uma política de descontos que varia conforme a forma de pagamento utilizada pelo usuário. Quem opta por pagar a tarifa em dinheiro diretamente na catraca pagará R$ 5,50, enquanto os portadores do cartão NovoCard Comum terão um custo de R$ 5,25 por viagem.
Já os trabalhadores que utilizam o vale-transporte sentirão o impacto integral do reajuste, arcando com o valor cheio de R$ 6. Para os estudantes cadastrados no sistema com cartão específico, a tarifa estudantil passa a ser de R$ 2,62, mantendo o benefício da meia-passagem. Este mesmo valor será aplicado à tarifa turística aos domingos e feriados para usuários do NovoCard Comum.
O serviço de transporte urbano em Araraquara é operado pelo Consórcio Araraquara de Transportes (CAT), formado pela Viação Cruz e pela Paraty Mobilidade. As duas empresas atuam em conjunto desde 2016, quando firmaram parceria para administrar as linhas urbanas do município por um período de 20 anos.

Reajuste supera índice da inflação oficial
O aumento de 20% na tarifa do transporte público de Araraquara ficou significativamente acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou em 4,4%, segundo dados divulgados pelo IBGE. A diferença expressiva entre o reajuste aplicado e o índice inflacionário oficial gerou insatisfação entre os usuários do sistema.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Assuntos de Segurança e Mobilidade Urbana, o reajuste foi considerado necessário para equilibrar as contas do sistema de transporte coletivo. A pasta justifica que houve aumento considerável nas despesas operacionais das empresas que integram o consórcio, incluindo elevação nos custos com combustível, manutenção de frota e remuneração de funcionários.
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A inflação de 2024 foi impactada principalmente pelo grupo de alimentos e bebidas, que acumulou alta de 7,69% no período, e pelos transportes, com variação de 3,30%. O preço da gasolina, por exemplo, subiu 9,71% ao longo do ano passado, sendo o item individual com maior impacto no IPCA. Esses fatores pressionaram os custos operacionais das empresas de ônibus em todo o país.
Contradição com programa Tarifa Zero
O reajuste na tarifa de ônibus ocorre em um contexto delicado para a gestão municipal. Menos de nove meses atrás, a administração do prefeito Dr. Lapena havia anunciado com grande repercussão o Programa Tarifa Zero, prometendo a redução progressiva dos valores cobrados no transporte público da cidade.
Na ocasião do lançamento do programa, em abril de 2025, a Câmara Municipal aprovou por 9 votos a favor e 5 abstenções a criação do Fundo Municipal de Transporte Público, instrumento considerado essencial para viabilizar a promessa de transporte gratuito feita durante a campanha eleitoral.
O programa chegou a ser implementado parcialmente, com a redução da tarifa de R$ 5,40 para R$ 5 em maio de 2025. Para bancar esse desconto, a Prefeitura passou a transferir mensalmente R$ 690 mil às empresas operadoras, recursos provenientes do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), tributo que havia recebido reajuste de 50% no ano anterior.
Na época, o prefeito afirmou que a medida representava uma mudança de mentalidade na forma como o transporte coletivo é entendido pela administração pública. A promessa era de que novas reduções seriam anunciadas conforme houvesse condições de fortalecer o fundo municipal criado especificamente para esse fim.
Usuários manifestam descontentamento
A reação dos passageiros ao novo valor da passagem foi de descontentamento generalizado. Para trabalhadores das periferias que dependem exclusivamente do transporte coletivo para chegar aos seus empregos, o reajuste representa um peso adicional no orçamento doméstico.
Um trabalhador que utilize o ônibus duas vezes por dia, cinco dias por semana, gastará mensalmente cerca de R$ 220 com vale-transporte, considerando o valor cheio de R$ 6. Mesmo para quem paga em dinheiro na catraca (R$ 5,50), o custo mensal será de aproximadamente R$ 200 nas mesmas condições de uso.
Histórico de reajustes na cidade
A trajetória das tarifas do transporte coletivo em Araraquara nos últimos anos mostra uma tendência de altas graduais, intercaladas por períodos de estabilidade. Em 2021, o valor passou de R$ 4,10 para R$ 4,35, um reajuste de 6% que foi considerado moderado na época, especialmente porque não houve aumento em 2020 devido à pandemia de Covid-19.
Em maio de 2023, a tarifa saltou de R$ 5 para R$ 5,40, representando um reajuste de 8%. Na ocasião, o Consórcio Araraquara de Transportes havia solicitado um aumento muito maior, chegando a propor tarifa de R$ 7,50 ou até R$ 7,60, alegando elevação expressiva nos custos com óleo diesel e queda na demanda de passageiros desde a pandemia.
A redução implementada em maio de 2025, de R$ 5,40 para R$ 5, representou apenas a segunda vez na história em que Araraquara teve diminuição no valor do transporte público. A primeira ocorreu em 2013, quando a tarifa caiu de R$ 2,90 para R$ 2,80.
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