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Araraquara registra 35 mortes no trânsito em 2025

Dados do Infosiga revelam alta de 34,6% nas mortes viárias na cidade, com motociclistas como principais vítimas e SP-255 liderando os óbitos

Willian Oliveira|· 5 min de leitura
Araraquara registra 35 mortes no trânsito em 2025
Acidentes de trânsito geram custos diretos e indiretos que impactam orçamentos municipais e economia regional. Foto: Arquivo

 

Araraquara encerrou 2025 com números alarmantes no trânsito. De acordo com dados do sistema Infosiga, do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), a cidade registrou 35 mortes em acidentes de trânsito ao longo do ano, representando um aumento expressivo de 34,6% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 26 vítimas fatais.

Os números colocam Araraquara em situação de alerta, com uma taxa de 14,19 óbitos para cada 100 mil habitantes. Durante o período, a cidade contabilizou 448 sinistros de trânsito, resultando em um custo estimado de mais de R$ 60 milhões aos cofres públicos.

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A análise detalhada dos dados revela que os motociclistas foram as principais vítimas, somando 18 mortes durante o ano, o que representa um salto de 50% em relação ao ano anterior.

Na sequência aparecem ocupantes de automóveis, com nove óbitos (aumento de 50%), e pedestres, com sete mortes (crescimento de 75%). Apenas uma morte de ciclista foi registrada, representando queda de 50% em relação a 2024.

 

 

Perfil das vítimas em Araraquara

O levantamento aponta que a grande maioria das vítimas fatais é do sexo masculino, correspondendo a 85,7% dos casos, enquanto mulheres representam 11,4% dos óbitos. As faixas etárias mais afetadas concentram-se entre 20 e 24 anos, seguidas pelos grupos de 30 a 34 anos e 40 a 44 anos, evidenciando que adultos jovens e de meia-idade são os mais vulneráveis no trânsito da cidade.

Quanto à distribuição temporal, as sextas-feiras destacam-se como o dia da semana com maior número de óbitos, acumulando nove mortes, seguidas por domingos, com oito vítimas fatais. O horário das 18h concentra o maior número de sinistros não fatais, com 42 ocorrências registradas ao longo do ano.

Vias mais perigosas

A Rodovia SP-255 lidera o ranking das vias mais perigosas de Araraquara, com sete mortes registradas em 2025. A via concentrou ainda 14 sinistros não fatais, totalizando 161 pontos no índice UPS (Unidade Padrão de Severidade) do Infosiga.

Na segunda posição aparece a Rodovia Washington Luís, que apesar de não ter registrado óbitos, acumulou 19 sinistros não fatais, resultando em 95 pontos. A Rua Castro Alves completa o ranking, com uma morte e dez acidentes sem vítimas fatais.

A distribuição dos acidentes aponta que 68,6% dos óbitos ocorreram em vias urbanas, enquanto 31,4% aconteceram em estradas e rodovias. Quanto à jurisdição, a proporção se mantém similar, com 68,6% das mortes em vias municipais e 31,4% em vias estaduais.

São Carlos apresenta redução

Em contraste com Araraquara, São Carlos – maior município da região, com 258.874 habitantes – registrou 26 mortes no trânsito em 2025, representando uma queda de 16,1% em relação ao ano anterior. A taxa de mortalidade na cidade ficou em 10,04 óbitos por 100 mil habitantes, inferior à de Araraquara.

Dos 26 óbitos em São Carlos, os motociclistas foram responsáveis por dez mortes, seguidos por pedestres, com sete vítimas fatais, e ocupantes de automóveis, com cinco óbitos. Apenas uma morte de ciclista foi contabilizada, representando queda de 75% em relação a 2024. O perfil das vítimas permanece semelhante ao de Araraquara, com predominância masculina (88,5% dos casos).

A Rodovia Washington Luís e a SP-310 lideram as estatísticas de sinistros em São Carlos, com a segunda via acumulando sete mortes no período. A cidade registrou 512 sinistros ao longo do ano, com custo estimado de R$ 57,2 milhões.

Matão mantém números elevados

Matão, com população de 78.965 habitantes, contabilizou 16 mortes no trânsito em 2025, representando leve queda de 5,9% em relação ao ano anterior. A cidade apresenta taxa de 20,26 óbitos por 100 mil habitantes, a segunda mais elevada da região.

Os motociclistas foram as principais vítimas também em Matão, com oito mortes, seguidos por ocupantes de automóveis (quatro óbitos) e pedestres (três mortes). A predominância masculina permanece, com 81,3% das vítimas. A cidade registrou 230 sinistros, com custo estimado de R$ 26,4 milhões.

As faixas etárias mais afetadas em Matão incluem jovens de 15 a 19 anos e adultos entre 30 e 34 anos, além de idosos acima de 70 anos. A Avenida Baldan e a SP-310 aparecem entre as vias mais perigosas do município.

Américo Brasiliense mantém estabilidade

Américo Brasiliense, município com 32.478 habitantes, manteve estabilidade nos números, registrando quatro mortes no trânsito em 2025, mesmo total de 2024. A taxa de mortalidade ficou em 12,32 óbitos por 100 mil habitantes. Dezembro fechou sem registro de óbitos.

As vítimas incluem um pedestre, um ciclista, um motociclista e um ocupante de automóvel, todos do sexo masculino, nas faixas etárias entre 25 e 69 anos. A cidade contabilizou 32 sinistros no ano, com a SPA 004/257 e a SP-257 concentrando a maior parte das ocorrências.

Boa Esperança do Sul lidera taxas per capita

Apesar do pequeno porte, Boa Esperança do Sul apresenta a situação mais crítica proporcionalmente. O município de 12.814 habitantes registrou quatro mortes em 2025, representando explosivo aumento de 300% em comparação ao ano anterior, quando apenas uma vítima fatal foi contabilizada.

A cidade apresenta a maior taxa de mortalidade da região: impressionantes 31,22 óbitos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média regional. Todas as vítimas eram do sexo masculino, sendo duas em automóveis, um motociclista e um ciclista. A SP-255 concentrou duas das quatro mortes.

Panorama regional preocupa

Os dados consolidados da Região Administrativa Central do estado apontam para 171 mortes no trânsito em 2025, crescimento de 3% em relação a 2024. A região registrou 2.299 sinistros, com custo estimado superior a R$ 305 milhões.

Os motociclistas permanecem como o grupo mais vulnerável em toda a região, representando 67,3% das vítimas fatais, seguidos por pedestres (17%) e ocupantes de automóveis (9,4%). O perfil predominantemente masculino se repete, com 83,6% dos óbitos.

O aumento expressivo em Araraquara e Boa Esperança do Sul contrasta com a redução em São Carlos, evidenciando a necessidade de políticas públicas direcionadas para cada realidade local. Especialistas apontam que ações de educação no trânsito, fiscalização intensificada e melhorias na infraestrutura viária são fundamentais para reverter o cenário preocupante na região.

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