Câmara Municipal
Vereador de Araraquara critica Bem-Estar Animal por falta de diálogo e dificuldade nas castrações; ‘se organizem’
Canil quase dobrou número de filhotes disponíveis para adoção em 2025, mostra dados apresentados por Aluisio Boi (MDB)

O vereador Aluísio Boi (MDB) utilizou a tribuna da Câmara Municipal para fazer duras críticas à gestão do Bem-Estar Animal de Araraquara, apontando falhas na política de castração gratuita e na condução do diálogo com protetoras independentes. Segundo ele, a falta de articulação entre o poder público e quem atua diretamente na causa animal contribuiria para o aumento expressivo no número de filhotes acolhidos pelo canil municipal.
Durante seu discurso, o parlamentar afirmou que recebeu diversas denúncias relacionadas à dificuldade para conseguir autorização de castração. “Me trouxeram denúncias sobre dificuldade na castração e, consequentemente, o aumento exponencial no número de filhotes. Busquei esclarecimentos e não me foram dados, por isso, tive que ser duro nas palavras, porque a situação tem que ter uma solução”, declarou.
O vereador ressaltou que decidiu levar o tema à tribuna por considerar a situação alarmante. “Eu tento por um lado, eu vejo que a comunicação não está boa, eu vou dar voz aqui no meu espaço. Tem muita reclamação”, afirmou.
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Aumento de filhotes e pressão sobre o canil
Os dados apresentados pelo vereador indicam crescimento significativo na demanda do canil municipal entre 2024 e 2025.
📊 Indicadores apresentados:
Atendimentos totais no canil
➡ 2024: 1.735
➡ 2025: 2.281
Variação: +546
Filhotes disponíveis para adoção
➡ 2024: 271
➡ 2025: 485
Variação: +214
Para o parlamentar, os números evidenciam falhas na contenção de colônias de animais — técnica que envolve manejo, estabilização e controle populacional de cães e gatos que vivem em grupo.
“É muito preocupante. Ninguém tá vendo isso no Bem-Estar Animal? Eu que preciso falar aqui”, questionou, cobrando fiscalização e medidas efetivas.

Críticas à política de castração gratuita
Um dos principais pontos levantados por Aluísio Boi foi a suposta redução no volume de castrações preventivas, o que, segundo ele, geraria economia imediata para o município, mas um custo muito maior no médio e longo prazo.
“A economia da castração está indo para onde? No custeio da prefeitura para manter os animais no canil? O custo é muito maior, fora um monte de animais em um local pequeno, é desumano”, afirmou.
Boi também defendeu ações direcionadas às áreas mais vulneráveis da cidade. “A gente tá tendo economia para não fazer um trabalho de castração. Selecionar os bairros periféricos, as pessoas que têm animais, mas que não têm condição”, disse.
Logística e acesso dificultado
Outro ponto criticado foi a mudança na logística para obtenção da autorização de castração. De acordo com o vereador, anteriormente o procedimento podia ser iniciado nos CRAS de bairros periféricos, mas agora está centralizado na sede da Secretaria de Meio Ambiente, na antiga CTA.
“As pessoas não têm dinheiro nem para pagar um ônibus. É para dificultar a castração?”, questionou. Para ele, a centralização do atendimento pode estar afastando justamente o público que mais precisa do serviço gratuito.
Falta de diálogo com protetoras independentes
O vereador também destacou a importância das protetoras independentes, que atuam voluntariamente no resgate e manejo de colônias de cães e gatos.“O diálogo com as protetoras, para evitar as colônias de animais, não existe”, afirmou.
Ele reforçou que essas pessoas acumulam experiência prática de décadas na causa animal e que o poder público deveria estreitar laços. “Tá faltando diálogo entre o Bem-Estar Animal com as protetoras, e sabemos a importância do trabalho delas. Se organizem, porque eu peguei um monte de dados e vou a fundo”, declarou.
Em outro trecho, foi ainda mais enfático: “Tirem as rusgas, senão não será útil para o governo, para o dinheiro público e para os animais. Saiam da redoma e vão conversar com as protetoras que têm experiência de décadas”.
Defesa do trabalho do canil
Apesar das críticas à política pública, Aluísio Boi fez questão de ressaltar que não está questionando o trabalho do canil municipal, que atualmente é terceirizado.
Ele afirmou que a estrutura cumpre seu papel, mas alertou que o aumento constante no número de animais pode gerar sobrecarga e comprometer o bem-estar dos acolhidos.
O vereador reforçou que seu objetivo é provocar ajustes na condução da política pública e não criar embates políticos. “Ponto crucial: o aumento de filhotes, de colônias de gatos indo para o canil para adoção. Muitas pessoas relatando as dificuldades para o direito à castração, mas isso é uma economia para o governo”, pontuou.
Secretaria se pronuncia
A Prefeitura de Araraquara divulgou nota oficial rebatendo críticas feitas na Câmara Municipal sobre a política de Bem-Estar Animal. Segundo a Subsecretaria, o aumento no número de animais abandonados não pode ser atribuído à atuação do setor.
De acordo com o órgão, o abandono é um fenômeno multifatorial, ligado a fatores como desemprego, redução de renda e aumento do custo de vida — realidade observada em diversos municípios do país.
A Prefeitura afirmou ainda que a política de castração gratuita em Araraquara continua estruturada e funcionando regularmente. O município utiliza comprovante de renda para garantir que as vagas sejam destinadas prioritariamente à população de baixa renda, respeitando critérios de justiça social e responsabilidade fiscal.
Segundo a nota, o limite mensal de 260 castrações está sendo integralmente utilizado, além de cerca de 100 animais atendidos por mês pelo programa CED (Captura, Esterilização e Devolução).
A Subsecretaria informou também que agora é possível enviar documentos e fichas de castração por e-mail, procedimento que antes não era aceito. O atendimento nos CRAS segue disponível.
O setor também destacou que o serviço passou a funcionar em área centralizada, com horário estendido até as 15h30, e estuda permitir envio de documentos pela plataforma 1Doc.
Sobre a falta de diálogo com protetoras, a gestão afirmou que todas as representantes que procuraram a atual administração foram atendidas dentro dos protocolos legais.
A nota reforça compromisso com controle populacional ético, microchipagem, fiscalização de maus-tratos e transparência administrativa.
Veja a nota completa:
“A Subsecretaria de Bem-Estar Animal de Araraquara vem a público esclarecer que o aumento do número de animais abandonados registrado no município não pode ser atribuído à atuação do setor.
O abandono animal é fenômeno multifatorial, diretamente relacionado a fatores socioeconômicos amplos, como instabilidade econômica nacional, desemprego, redução de renda familiar e aumento do custo de vida. Trata-se de realidade observada em diversos municípios do país, independentemente da estrutura local de bem-estar animal.
Sobre as castrações gratuitas
A política de castração gratuita permanece ativa e estruturada.
O município adota o comprovante de renda como critério técnico e social, com o objetivo de:
• Garantir que as vagas sejam prioritariamente destinadas à população de baixa renda.
• Assegurar justiça social na aplicação dos recursos públicos.
• Evitar que o benefício seja utilizado por quem possui capacidade financeira de custear o procedimento na rede privada.
• Promover equidade no acesso às políticas públicas.
Trata-se de medida administrativa voltada à correta focalização do serviço, respeitando princípios de responsabilidade fiscal e distribuição justa dos recursos.
No que se refere a castração preventiva, o município recebe relatotio mensal da empresa terceirizada, informando que o limite máximo de 260 castrações foi utilizado, além dos CEDs que mensalmente chegam a praticamente 100 animais por mês.
Foi aberto a população o envio de documentos e ficha de castração por e-mail, que não era aceito anteriormente o que também foi estendido aos CRAS que continua os atendimentos a população normalmente no preenchimento das fichas de castração. Temos facilitado a vida dos contribuintes, que não podiam se deslocar até a sede administrativa do Bem-Estar Animal que era no parque pinheirinho, local ermo e sem transporte público adequado. Hoje atendemos em área centralizada com horário estendido até as 15:30 horas. Está sendo feito estudo para que a população possa enviar os documentos via 1doc.
Compromisso Institucional
Referente ao diálogo com as protetoras todas as que vieram ter dialogo com a atual gestão foram atendidas e tiveram suas demandas atendidas dentro da Lei e dos protocolos seguidos nessa e na gestão anterior, nos estranha tal afirmação sobre colônias e proteção animal, levando em conta que temos em media 100 animais recolhidos pelo programa CED, que mostra além do diálogo, trabalho feito em parceria com a população e com a causa animal.
A política pública de bem-estar animal exige planejamento técnico, responsabilidade orçamentária e critérios claros de atendimento.
Reafirmamos o compromisso com o controle populacional ético, microchipagem e responsabilização, fiscalização de maus-tratos, transparência administrativa e priorização social no acesso às políticas públicas.
A Subsecretaria permanece à disposição para esclarecimentos técnicos”.
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