POLÊMICA NO CARNAVAL
Prefeito chama Carnaval de 'pão e circo' e provoca reação em Araraquara; 'desrespeito'
Fala de Lapena (PL) sobre o Carnaval gera repúdio de parlamentares e repercute nas redes sociais

Após classificar o Carnaval como “pão e circo”, o prefeito de Araraquara Lapena (PL) recebeu críticas de vereadores e provoca debate nas redes sociais. O presidente da Câmara Municipal, Rafael de Angeli (Republicanos), divulgou um vídeo em que ironiza a realização da festa popular ao destacar preços de itens como gasolina (R$ 6,30), café (R$ 69,90) e picanha (R$ 89,90). A postagem, acompanhada da frase “Brasil sil sil…”, rapidamente repercutiu entre moradores e lideranças políticas.
O conteúdo, que teve ao menos 15 compartilhamentos e dezenas de comentários, associava o momento festivo ao cenário econômico nacional, marcado por inflação e alta no custo de vida. Internautas reagiram com críticas à situação do país e também à administração municipal, citando problemas urbanos, saúde pública e manutenção de bairros.
No entanto, o episódio ganhou grandes proporções após a interação do prefeito Lapena (PL) na própria publicação. Em comentário, ele utilizou a expressão em latim “Panis et circenses” — traduzida como “pão e circo” — termo historicamente ligado à Roma Antiga, onde governantes ofereciam alimento e entretenimento para conter insatisfações populares. Na sequência, o prefeito também escreveu que “pessoal da ‘mortadela’ não é capaz de enxergar a realidade”, ampliando ainda mais a controvérsia.
Vale lembrar que a expressão “pão e circo”, utilizada pelo prefeito, é frequentemente evocada em discussões políticas para criticar ações governamentais consideradas superficiais ou voltadas à distração da população.
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Reação política ao comentário sobre Carnaval
As declarações provocaram reação imediata de vereadores da oposição. O vereador Alcindo Sabino (PT) publicou nota classificando a fala como “desrespeitosa” e afirmou que o comentário atinge não apenas foliões, mas trabalhadores que dependem economicamente da festa. “Desrespeito com quem trabalha o ano inteiro e encontra o carnaval geração de trabalho e renda.
Na mesma linha, a vereadora Filipa Brunell, utilizou suas redes sociais para criticar o posicionamento do prefeito e do presidente da Câmara. Para ela, a publicação demonstra “arrogância” e desprezo com a população que participa do evento ou trabalha direta e indiretamente na organização do Carnaval. “É curioso ver quem governa uma cidade com UPA colapsada, exames atrasados, bairros abandonados e serviços desmontados achar que o problema é o povo estar feliz no carnaval”, reforçou. “Eles governam como quem faz um favor. O povo vive como quem paga a conta.
E a pior parte para eles é que, diferente do que imaginam, o povo está enxergando tudo”.
Já Fabi Vigílio (PT) reforçou que o Carnaval é patrimônio cultural brasileiro, reconhecido como uma das maiores manifestações populares do país, e destacou o impacto econômico local. Segundo ela, ambulantes, músicos, costureiras, técnicos de som, comerciantes e trabalhadores informais encontram na festa uma oportunidade de geração de renda temporária.
“Não sei se é mais grave o vereador que ataca o carnaval ou um prefeito que tenta reduzi-lo. Vergonha não é um povo ocupar as ruas, vergonha é desprezar um povo. O carnaval não é distração, não é anestesia social, não é manobra politica, é patrimônio cultural, é identidade, é economia real girando nas mãos dos trabalhadores e das pessoas trabalhadoras que sustentam a cidade”
A vereadora Maria Paula (PT) também se posicionou, afirmando que a declaração do prefeito foi desrespeitosa com servidores públicos e com a população em geral. Para ela, o debate político deve ocorrer sem ataques ou termos pejorativos.
Por outro lado, o vereador Michel Kary (PL), integrante da base governista, defendeu a realização do evento e ressaltou a valorização de artistas locais e fornecedores durante o período festivo. Já o vereador Guilherme Bianco (PCdoB) afirmou que a população “não está nem aí” para a polêmica, sugerindo que o comentário não teria grande impacto entre os moradores.
Até o fechamento desta reportagem, nem o prefeito Lapena haviam divulgado nota oficial sobre a repercussão do caso.
Especialistas em políticas culturais, no entanto, ressaltam que a Constituição Federal garante o direito à cultura como um princípio fundamental. O artigo 215 estabelece que o Estado deve apoiar e incentivar a valorização das manifestações culturais.
Nesse contexto, o Carnaval não é apenas entretenimento. Trata-se de uma manifestação histórica, social e econômica que mobiliza comunidades, fortalece identidades e gera impacto financeiro significativo.
Nas redes, o tema dividiu opiniões. Parte dos comentários apoiou a crítica ao momento econômico, enquanto outros usuáros consideraram inadequada a associação da festa popular à ideia de alienação social.
Moradores também aproveitaram o espaço para cobrar melhorias em áreas como saúde pública, manutenção urbana e serviços essenciais. “A cidade está caindo os pedaços façam alguma coisa, está fazendo vergonha coberta de mato não estou conseguindo fazer caminhada. Principalmente nos bairros da periferia está abandonado”, disse um comentário.
“Estamos fritos e mal pagos”, comentou outro morador.
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