Luto
Araraquara perde Kikão, voz histórica do rádio e militante da cultura negra
Jornalista e mestre de cerimônias dedicou décadas à comunicação e à valorização da igualdade racial na cidade

Araraquara se despediu nesta terça-feira (25), do jornalista e mestre de cerimônias Francisco Luiz Salvador, conhecido como Kikão, que morreu aos 76 anos. Figura marcante na comunicação local e atuante na defesa dos direitos da população negra, ele deixa um legado de trabalho voltado à cultura, à informação e à luta por igualdade.
Natural de Araraquara, Kikão nasceu em 1950 e desde a juventude, esteve envolvido em iniciativas culturais ligadas à valorização da identidade afro-brasileira. Durante período em São Paulo, participou das atividades do CECAN (Centro de Cultura e Arte Negra). De volta à cidade, foi um dos responsáveis pela criação do Gana, grupo que organizou o primeiro FECONEZU (Festival Comunitário Zumbi), evento que se tornou referência na promoção da cultura negra no município.
- Projeto “Arte e Cultura na Cidade” abre inscrições para cursos gratuitos em Matão
- “Enterro do Carnaval” encerra folia neste domingo no Pé na Cova em Araraquara
- BAEP Canil apreende mais de 2,5 kg de drogas e prende homem no Residencial dos Oitis
No jornalismo, construiu trajetória sólida principalmente no rádio, onde se destacou pela voz firme e pelo compromisso com a informação. Atuou por 19 anos na assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Araraquara e teve papel importante na implantação da TV Câmara, contribuindo para a estruturação da comunicação institucional do Legislativo.
Também comandou programa diário na rádio Lefemara, transmitida pela internet, e colaborou com a formação da Cooperativa de Imprensa Negra, vinculada ao IPCN (Instituto de Pesquisa da Cultura Negra). O trabalho em prol da igualdade racial e da comunicação comunitária foi reconhecido publicamente em 2019, quando recebeu o Diploma de Honra ao Mérito no plenário da Câmara Municipal e na ocasião, ressaltou a importância de suas origens e da família em sua trajetória.
A Prefeitura e a Câmara Municipal divulgaram notas lamentando a morte do jornalista. Kikão é lembrado como uma das vozes mais representativas da comunicação araraquarense e como um dos principais articuladores de ações culturais e sociais voltadas à população negra. O legado deixado por ele permanece na história da cidade e nos movimentos que ajudou a construir.
Leia também
- Faturamento mensal

Área Azul arrecada R$ 370 mil por mês em Araraquara
- Preso no litoral

Líder PCC de Araraquara é preso em academia no Guarujá
- Educação

CAIC tem falta de professores, diz Secretaria de Educação
- Caso João Vitor

DNA descarta que corpo achado no Pará seja piloto de Araraquara
- Rumo à Série B

Ferroviária libera ingressos para jogo do acesso


