Prestaram Depoimento
Polícia Civil ouve avó e neta acusadas de abandonar cachorro dentro de caixa em Boa Esperança do Sul
Mulher afirmou que agiu em desespero ao ver o estado do cão que estava debilitado e imaginou que moradores poderiam resgatá-lo; animal não resistiu e morreu na última segunda-feira (9)

A Polícia Civil ouviu na tarde desta quinta-feira (12), uma mulher de 58 anos e sua neta de 17, suspeitas de abandonar um cachorro em uma área de mata no bairro Jardim Maria Tannuri. O caso ganhou grande repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem o momento em que o animal foi deixado no local dentro de uma caixa de papelão.
As duas foram intimadas para prestar esclarecimentos na delegacia após as investigações avançarem na identificação do carro utilizado na ação, um Renault Sandero branco, que aparece nas imagens registradas por câmeras da região. O abandono ocorreu na tarde da última sexta-feira (6), e nas imagens analisadas pelos investigadores, é possível ver o veículo chegando à Rua dos Vanali.
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Na sequência a avó e neta seguida descem, caminham até uma área de mata e deixam o cachorro dentro de uma caixa de papelão, retornando ao carro logo depois. A denúncia foi feita por uma protetora de animais, que foi até o local após receber informações de moradores.
Com ajuda de moradores ela encontrou o animal em estado crítico com ferimentos graves, desnutrido e com o olho tomado por moscas. O cachorro foi resgatado com a ajuda de um morador e encaminhado para atendimento veterinário na cidade de Dourado, onde segue recebendo tratamento.
Durante depoimento, a suspeita afirmou que o cão estava com a família havia mais de cinco anos. Ela relatou que o animal havia desaparecido por dois dias e reapareceu cerca de quinze dias antes do ocorrido, já bastante debilitado e machucado.

A investigada chegou a administrar medicamentos ao animal, mas o cahorro não apresentava melhora. No dia do abandono, disse ter entrado em desespero ao ver o estado dele. A mulher contou, que pediu ajuda à neta para colocar o animal em uma caixa e levá-lo de carro até outro local.
A suspeita também disse que sabia que havia câmeras de segurança na região e que imaginou que moradores próximos, poderiam ver o animal e acabariam acolhendo o cachorro: “Coloquei o animal dentro de uma caixa, embrulhado em um pano, levei até o local e deixei no chão de um terreno”, afirma.
A mulher também declarou que faz uso de medicamentos antidepressivos e para ansiedade há mais de dez anos, com acompanhamento psiquiátrico, e apresentou documentos que comprovam o tratamento. Ainda segundo ela, o cachorro já era cego de um dos olhos desde o nascimento e afirmou estar arrependida da atitude, dizendo que agiu em um momento de extremo desespero.

Já a neta dela relatou que estava dormindo, quando acordou com a avó gritando e bastante alterada dentro de casa. Temendo que ela estivesse passando mal ou em algum tipo de surto, a adolescente decidiu acompanhá-la quando em determinado momento sairam de carro.
Durante o trajeto, a jovem afirmou que percebeu a presença do cachorro no veículo e imaginou que a mulher estivesse indo levar o animal até o veterinário. No depoimento, a estudante conta que as duas chegaram a um local afastado, onde a avó desceu do carro com o animal, entrou na mata e depois retornou.
A adolescente afirmou ainda que não recebeu explicações durante o trajeto de volta, dizendo que a mulher apenas chorava e não respondia às perguntas. O cachorro não resistiu e morreu, na última segunda-feira (9).
Um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia de Boa Esperança, como maus-tratos a animais, crime previsto na legislação brasileira. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que deverá encaminhar o inquérito ao Ministério Público após a conclusão das das investigações.
Pela lei, praticar abuso ou maus-tratos contra cães e gatos pode resultar em pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais.
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