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Empresas vão ‘batizar’ espaços públicos em Araraquara? Projeto aprovado gera debate; entenda

Proposta que libera naming rights divide vereadores, levanta críticas sobre privatização simbólica e reacende discussão sobre uso de marcas em equipamentos e eventos municipais

Redação|· 4 min de leitura
Empresas vão ‘batizar’ espaços públicos em Araraquara? Projeto aprovado gera debate; entenda
Painel da Câmara mostra aprovação do projeto de naming rights em Araraquara Foto: Reprodução.

 

A Câmara de Araraquara aprovou, na noite de terça-feira (31), o Projeto de Lei nº 75/2026, que autoriza a Prefeitura a firmar contratos com empresas para uso de marcas em equipamentos e eventos esportivos públicos — prática conhecida como naming rights. A proposta passou com 11 votos favoráveis e 6 contrários, em meio a um debate marcado por divergências políticas e questionamentos sobre transparência e gestão pública.

Com a aprovação, o município poderá permitir que empresas associem seus nomes a espaços como ginásios, estádios, pistas e eventos esportivos oficiais. A medida busca criar fontes de receita e reduzir a dependência do orçamento público para manutenção e melhorias dessas estruturas.

O projeto foi apresentado pelo Executivo como alternativa para ampliar investimentos no esporte sem aumentar despesas diretas. A proposta também prevê contrapartidas das empresas, como reformas, manutenção e ações voltadas à comunidade.

 

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Como vai funcionar?

De acordo com o texto enviado pela Prefeitura, os contratos deverão ser firmados por meio de licitação, com regras definidas em edital e prazo determinado. Além disso, a legislação estabelece que o nome original dos espaços públicos deverá ser mantido, sendo permitida apenas a inclusão da marca como prefixo ou sufixo.

Outro ponto importante é que as empresas poderão assumir responsabilidades como melhorias estruturais, conservação dos equipamentos e promoção de atividades de interesse coletivo. Todas as intervenções precisarão de aprovação prévia do poder público.

A proposta também impõe limites à publicidade, proibindo conteúdos de natureza político-partidária, religiosa ou contrários aos valores públicos. A ideia, segundo o Executivo, é garantir que o modelo respeite o interesse coletivo e preserve a identidade dos espaços.

 

Argumentos a favor do projeto

Vereadores da base destacaram que o modelo já é utilizado em diversas cidades do Brasil e do mundo. Para a base governista, os naming rights representam uma solução eficiente diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelos municípios.

A principal defesa é que a parceria com a iniciativa privada pode garantir manutenção constante dos espaços esportivos, além de possibilitar investimentos que muitas vezes não seriam viáveis apenas com recursos públicos.

Outro argumento é que empresas tendem a investir mais na conservação de locais associados às suas marcas, o que pode resultar em melhor qualidade dos equipamentos e maior oferta de atividades para a população.

 

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Críticas e preocupações levantadas

Por outro lado, a oposição criticou o projeto, apontando falta de critérios mais detalhados na lei. Parlamentares contrários argumentaram que a proposta concede ampla liberdade ao Executivo, sem definir parâmetros claros para a valoração dos espaços públicos.

Também houve preocupação com a possível descaracterização de locais históricos e simbólicos da cidade. Para a oposição, mesmo com a manutenção do nome original, a inclusão de marcas pode comprometer a identidade cultural de Araraquara.

Outro ponto levantado foi a ausência de estudos de impactos financeiros detalhados, o que, segundo eles, poderia gerar insegurança na implementação do modelo. A oposição ainda tentou adiar a votação com um pedido de vistas para ampliar o debate, mas a solicitação foi rejeitada.

 

Debate ocorre em meio a tensão política

A votação do projeto ocorreu em um contexto de forte polarização na Câmara. Durante a sessão, também foram mencionadas discussões relacionadas a operações financeiras envolvendo Daae e Empresa Morada do Sol S.A., o que contribuiu para um clima de desconfiança entre parte dos parlamentares.

Mesmo com as críticas, a proposta foi aprovada e agora depende de regulamentação por parte do Executivo para definição dos critérios práticos de aplicação.

 

Outros projetos aprovados na sessão

Além dos naming rights, a sessão ainda analisou uma série de outras matérias relevantes:

✅ Publicidade urbana:

Projeto que classifica diferentes tipos de anúncios foi aprovado em primeiro turno e deve voltar à pauta.

✅ Comércio ambulante:

Alterações nas regras foram aprovadas em segunda votação.

✅ Impacto de empreendimentos:

Ajustes em projeto sobre impactos urbanos passaram em primeira discussão.

✅ Créditos e subvenções:

11 projetos autorizando recursos para áreas como saúde, esporte e assistência social foram aprovados.

Requerimento:

✅ Convocação para esclarecimentos sobre operações financeiras envolvendo entidade municipal também foi aprovada.

 

Já um projeto que previa climatização obrigatória em novas escolas municipais foi arquivado após manutenção de parecer de inconstitucionalidade.

 

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