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Educação em crise

Transporte escolar em Araraquara é alvo de denúncias em sessão da Câmara; entenda o caso

Denúncia inclui crianças barradas por falta de carteirinha, superlotação e riscos no transporte escolar

Cassiane Chagas|· atualizado em 27/04/2026 às 11:46· 5 min de leitura
Transporte escolar em Araraquara é alvo de denúncias em sessão da Câmara; entenda o caso
Transporte escolar em Araraquara é alvo de denúncias por falhas e riscos a alunos Foto ilustrativa.

O transporte escolar municipal de Araraquaravirou alvo de fortes críticas durante Sessão da Câmara Municipal, realizada nesta terça-feira (7). Denúncias apresentadas na Tribuna Popular apontam uma série de problemas que vão desde crianças impedidas de embarcar por falta de carteirinha até superlotação e falhas estruturais no serviço.

O principal relato foi feito pelo morador Anderson Cardoso, que utilizou o espaço destinado à participação popular para expor a situação enfrentada por alunos e famílias. Ele apresentou uma série de queixas, destacando riscos à segurança e falhas de gestão no sistema.

A repercussão foi imediata entre os vereadores, que classificaram as denúncias como preocupantes e cobraram providências urgentes da Prefeitura e da Secretaria Municipal da Educação.

Crianças impedidas de embarcar geram indignação

Uma das principais denúncias envolve a exigência rigorosa da carteirinha escolar. Desde 1º de abril de 2026, alunos sem o documento não podem embarcar nos ônibus, o que tem gerado situações críticas. Anderson Cardoso relatou o caso de uma criança de apenas 7 anos que foi impedida de embarcar, mesmo com o documento: “O pai informou que a filha estava com a carteirinha, que permanecia guardada na mochila da criança”.

Segundo ele, a regra tem causado episódios em que crianças são deixadas sozinhas em pontos ou retidas nas escolas, sem alternativas seguras para voltar para casa.

 

Relatos de risco e abandono preocupam

A situação se agrava com os relatos de deslocamento forçado. Anderson descreveu que muitos alunos tiveram que voltar para casa a pé, percorrendo longas distâncias: “as crianças deram uma canelada até a escola", chegando a caminhar até 1 km sozinhas. Outro ponto crítico envolve o impacto emocional nos profissionais do transporte. Ele reproduziu o relato de monitores.

De acordo com os profissionais, as crianças foram deixadas sozinhas em escolas e pontos de ônibus, sob a justificativa de que o descumprimento das regras poderia resultar em perda do emprego.

 

"A gente deixou essas crianças com muita dor no coração nas escolas nos pontos sozinhas mas ou elas ou eles faziam isso ou eles poderiam perder o emprego", reproduziu.

 

Ainda segundo o denunciante, os próprios trabalhadores apontaram falhas na gestão."Um deles me falou, Anderson era tão simples. O pessoal que pensa no transporte devia conversar com a gente que tá na ponta no dia a dia".

Em tom de crítica à condução do problema, ele repetiu diversas vezes a expressão: "tá tudo certo”, em referência à postura da Secretaria de Educação.

 

“Tá tudo certo? Educação não é brinquedo, não é favor. É obrigação do município”

 

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Superlotação e estrutura precária agravam a situação

Além da exigência da carteirinha, os vereadores relataram problemas graves de superlotação. Há registros de alunos sendo transportados em condições inadequadas. O vereador Guilherme Bianco destacou situações extremas, como crianças sendo levadas "no assoalhos" ou "amontoadas três ou quatro por banco".

Esses problemas foram identificados em diversas unidades escolares onde alunos chegam a ficar para trás por falta de espaço nos veículos. 

Outro caso citado foi o do ônibus que atende o assentamento Bela Vista, que apresentou falhas mecânicas e chegou a quebrar pouco tempo após entrar em operação.

 

Transporte especial para creches está suspenso

Outro ponto alarmante envolve o transporte especializado para crianças da educação integral. Segundo Anderson Cardoso, o serviço está interrompido desde o início do ano. Ele afirmou que a denúncia foi baseada em relatos de diretoras de unidades escolares e que a situação compromete diretamente o atendimento de alunos que necessitam de acompanhamento específico. A falta do transporte impede o deslocamento dessas crianças para atendimentos essenciais, tornando mais grave a situação da educação municipal.

 

Ordem da prefeitura gerou polêmica

Durante a sessão, o vereador Guilherme Bianco apresentou um áudio atribuído à empresa responsável pelo transporte foi reproduzido, reforçando a rigidez da regra.

 

O conteúdo apresentado dizia:

"Pessoal, só para reforçar para vocês quem não tiver a carteirinha, não vai embarcar. Estou sendo bem franco com vocês. É ordem da prefeitura e da diretoria de ensino. O pessoal vai fazer fiscalização".

 

O material reforçou a percepção de que a medida partiu diretamente da administração municipal, e que motoristas e monitores estavam apenas cumprindo ordens sob risco de punição.

Bianco ressaltou que o fato não é culpa dos monitores e nem da empresa prestado de serviço. “É uma questão da Secretaria da Educação”

 

Prefeitura admite falhas pontuais

Em nota oficial, a Secretaria Municipal da Educação afirmou que a exigência da carteirinha tem como objetivo garantir segurança e organização no transporte. O órgão informou que o processo de emissão começou em janeiro e que a obrigatoriedade foi previamente comunicada. Porém, reconheceu que "pontuais coisas podem ocorrer", indicando que os casos seriam analisados posteriormente.

 

A resposta foi criticada por vereadores e pelo denunciante, que consideraram a justificativa insuficiente diante da gravidade dos relatos.

 

Câmara vai fiscalizar o serviço

Diante das denúncias, a Comissão de Educação da Câmara Municipal se comprometeu a intensificar a fiscalização do transporte escolar e cobrar providências da Prefeitura. Entre as medidas discutidas está a possibilidade de revisão da obrigatoriedade da carteirinha até que todos os alunos estejam devidamente documentados.

 

“É grave. Faço um apelo para que a Prefeitura suspenda essa ordem até que haja uma alternativa. Não deixem nossas crianças fora da escola”, disse Anderson, ao pedir intervenção durante a sessão.

Anderson Cardoso

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