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Em Araraquara, cesta básica exige até 146 horas do trabalhador em março

Alta nos alimentos pressiona orçamento e eleva custo da cesta básica na cidade

Cassiane Chagas|· 5 min de leitura
Em Araraquara, cesta básica exige até 146 horas do trabalhador em março
Cesta básica mais cara em Araraquara pressiona orçamento das famílias e exige mais horas de trabalho Foto: Diculgação.

O custo da cesta básica em Araraquaravoltou a subir e já impacta diretamente o bolso da população. Em março, o trabalhador que recebe um salário mínimo precisou dedicar cerca de 146 horas de trabalho — o equivalente a quase 18 dias — para garantir itens essenciais de alimentação. O dado reflete a pressão contínua nos preços dos alimentos, fenômeno que vem sendo observado em todo o país.

De acordo com levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio, o valor médio da cesta básica no município atingiu R$ 1.075,82, registrando alta de 1,92% em relação ao mês anterior. O aumento reforça a dificuldade das famílias em manter o padrão de consumo, especialmente em um cenário de inflação concentrada em produtos essenciais.

A elevação dos preços não ocorre de forma isolada. Fatores como condições climáticas, redução da oferta agrícola e oscilações na produção têm influenciado diretamente o custo dos alimentos. Esse conjunto de variáveis torna o orçamento doméstico mais vulnerável, principalmente entre famílias de menor renda.

 

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Alimentos puxam alta da cesta básica em Araraquara

O principal responsável pelo aumento foi o grupo de alimentação, que concentra a maior parte do peso na composição da cesta básica. Em março, esse grupo apresentou crescimento de 2,29%, o que representa um acréscimo de quase R$ 20 no valor final.

Entre os itens que mais impactaram o consumidor, a cebola teve uma disparada expressiva de 70,4%, tornando-se o produto com maior variação no período. Já o feijão carioca, presença indispensável na mesa do brasileiro, registrou aumento de 19,4%, pressionando ainda mais o custo da alimentação diária.

Outro destaque foi o queijo muçarela, que apresentou alta de 18,5%. A elevação está ligada à redução na produção de leite no início do ano, influenciada tanto por custos no campo quanto por condições climáticas adversas. Esse cenário afeta toda a cadeia produtiva e acaba sendo repassado ao consumidor final.

Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda de preços e ajudaram a amenizar parcialmente o impacto. O café torrado e moído, por exemplo, teve redução devido ao aumento da oferta e à proximidade do período de colheita, mostrando como o mercado agrícola pode variar de forma significativa ao longo do ano.

Variação mensal do preço médio dos produtos componentes da Pesquisa de Preços da Cesta Básica em Araraquara – março/2026
Variação mensal do preço médio dos produtos componentes da Pesquisa de Preços da Cesta Básica em Araraquara – março/2026

 

Cenário nacional reforça tendência de alta

O comportamento observado em Araraquara acompanha uma tendência nacional. Em março, todas as capitais brasileiras registraram aumento no custo da cesta básica, segundo levantamento do DIEESE em parceria com a Conab.

As maiores altas ocorreram em cidades como Manaus, Salvador e Recife, onde os aumentos ultrapassaram 6%. Produtos como feijão, carne e outros itens essenciais lideraram as elevações, influenciados principalmente por fatores climáticos e pela redução da oferta.

Essa realidade demonstra que o aumento não é pontual, mas sim resultado de um cenário mais amplo que afeta tanto grandes centros quanto cidades do interior.

 

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Feijão atinge maior valor da série histórica

O feijão carioca, um dos principais componentes da alimentação brasileira, alcançou níveis recordes de preço. Dados recentes indicam que o produto atingiu o maior valor desde o início da série histórica acompanhada por instituições do setor.

O aumento acumulado no primeiro trimestre já ultrapassa 48%, impulsionado por dificuldades na colheita, menor disponibilidade no mercado e expectativas de redução na produção futura. Essa combinação de fatores tem elevado significativamente o custo do alimento. “Quando a gente observa o comportamento da cesta básica, fica claro que o impacto vai além dos números”, explica a economista Maria Clara Kirsch, do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara

 

“O aumento de itens essenciais, como o feijão, tem relação direta com fatores estruturais, como clima, produção agrícola e oferta. Isso mostra que o consumidor está cada vez mais exposto a variáveis que não controla, o que pressiona o orçamento mesmo quando a inflação geral parece estável”.

 

Impacto direto no dia a dia das famílias

Na prática, o aumento dos preços já é sentido pelos consumidores. Muitas famílias estão sendo obrigadas a adaptar hábitos, substituir produtos ou até reduzir a quantidade de itens comprados.

A auxiliar administrativa Ana Paula Souza, de 38 anos, relata que a diferença no carrinho do supermercado é evidente.

 

“A gente vai com a mesma lista, mas cada vez traz menos coisas. O feijão está muito caro, e às vezes precisamos trocar ou deixar de comprar alguns itens”, afirma.

 

Esse tipo de ajuste se tornou comum em diversos lares, refletindo a dificuldade de manter o orçamento equilibrado diante da alta dos alimentos.

 

Cesta básica consome grande parte da renda

Atualmente, o custo da cesta básica representa cerca de 66,4% do salário mínimo. Mesmo com a inflação geral apresentando certa estabilidade em 12 meses, a variação interna dos preços revela um cenário de instabilidade. Enquanto alguns produtos apresentam queda, outros sofrem aumentos expressivos, criando um desequilíbrio que impacta diretamente o consumo.

 

Perspectiva ainda é de instabilidade

A tendência para os próximos meses ainda é incerta. O comportamento dos preços dependerá de fatores como clima, safra agrícola e custos de produção. Caso as condições não sejam favoráveis, novos aumentos podem ocorrer.

Por outro lado, períodos de maior produção podem trazer alívio temporário, especialmente em itens como café e grãos. No entanto, especialistas alertam que o cenário deve continuar instável no curto prazo. Diante disso, o consumidor precisa manter atenção redobrada ao planejamento financeiro, buscando alternativas para equilibrar o orçamento.

Veja a pesquisa completa, AQUI.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

Fonte: Sincomercio Araraquara.

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