Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Publicidade
MRV — Residencial Flora
Publicidade

ATO DE AMOR

Santa Casa de Araraquara realiza 2ª captação de órgãos de 2026

Doação autorizada pela família viabilizou a retirada de rins e córneas em hospital filantrópico de Araraquara

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Santa Casa de Araraquara realiza 2ª captação de órgãos de 2026
Santa Casa de Misericórdia de Araraquara é credenciada pelo SUS para realizar captação de órgãos e atuou em mais um procedimento em 2026. Foto: Santa Casa Divulgação

A Santa Casa de Misericórdia de Araraquara concretizou, na noite da última quinta-feira (30), a segunda captação de órgãos registrada na instituição em 2026. Durante o procedimento, equipes especializadas retiraram rins e córneas, que serão destinados a pacientes que aguardam por transplante na fila do estado de São Paulo.

A doação só foi possível após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica e a autorização formal dos familiares do paciente. Trata-se de um gesto que, em poucas horas, tem o potencial de transformar a vida de várias pessoas: um único doador pode beneficiar até oito receptores diferentes, segundo dados do Ministério da Saúde.

Credenciada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para esse tipo de intervenção, a Santa Casa mantém uma estrutura interna específica para coordenar todas as etapas legais, éticas e assistenciais que envolvem o processo de doação.

Leia Também

Como funciona o processo de captação de órgãos na Santa Casa

A operação é conduzida pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), equipe responsável por identificar potenciais doadores, abordar as famílias e organizar todos os procedimentos dentro do hospital. Após a confirmação da morte encefálica e o aval familiar, a comissão aciona a Organização de Procura de Órgãos (OPO), sediada em Ribeirão Preto.

A OPO orienta os protocolos técnicos e coordena a chegada das equipes de transplante que farão a remoção dos órgãos. Cada órgão tem um tempo de viabilidade fora do corpo, o que exige logística rápida e precisa entre o hospital captador e os centros que receberão o material biológico.

Em todas as fases, os familiares do doador são mantidos informados sobre cada passo. A condução do processo segue rigor técnico, transparência e respeito à decisão da família — princípios considerados essenciais para preservar a confiança da população no sistema brasileiro de transplantes.

Filas no Brasil e em São Paulo seguem extensas

Os números nacionais ajudam a dimensionar a importância de cada captação. De acordo com o Ministério da Saúde, 48.880 pessoas aguardam por um transplante de órgão no Brasil em 2026. Os procedimentos mais demandados envolvem rim e córnea — exatamente os tecidos retirados na operação realizada em Araraquara.

No estado de São Paulo, a fila é igualmente expressiva. Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que 27.841 paulistas estavam à espera de um transplante ao final do ano passado. Apenas para córneas, eram 7.014 pessoas inscritas; para rins, a fila reunia 19.854 pacientes.

Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de procedimentos pelo SUS, com 30.986 transplantes realizados — alta de cerca de 21% em comparação a 2022. Mesmo assim, a oferta continua aquém da demanda, especialmente porque um obstáculo persiste há décadas: a recusa familiar.

Recusa familiar ainda é o principal entrave

Estimativas da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) indicam que cerca de 45% das famílias brasileiras recusam autorizar a doação quando são abordadas após a morte encefálica de um parente. O percentual coloca o país atrás de referências internacionais, como a Espanha, que registra mais que o dobro de doadores efetivos por milhão de habitantes.

Especialistas apontam que o medo de deformações no corpo, dúvidas sobre o diagnóstico de morte encefálica e desinformação sobre o funcionamento da fila estão entre as principais causas da negativa. Por isso, profissionais de saúde reforçam a recomendação de que cada pessoa converse, ainda em vida, com seus familiares sobre o desejo de ser doador — já que, no Brasil, a autorização final cabe sempre à família, independentemente de qualquer registro feito pelo falecido.

A captação realizada na Santa Casa de Araraquara, neste contexto, ganha relevância simbólica e prática. Cada córnea retirada pode devolver a visão de um paciente com ceratocone ou outras doenças oculares; cada rim representa a possibilidade concreta de retirar alguém da hemodiálise — tratamento que exige sessões de várias horas, três vezes por semana, ao longo de anos de espera.

Papel da Santa Casa na rede regional

Como hospital filantrópico de referência na região, a Santa Casa de Araraquara cumpre função estratégica na rede estadual de transplantes ao manter equipe permanente para identificar potenciais doadores e conduzir o processo dentro dos prazos exigidos pela legislação.

A primeira captação de 2026 já havia sido concretizada na unidade no início do ano, e a expectativa da instituição é manter a regularidade dos procedimentos ao longo dos próximos meses, sempre que houver autorização das famílias e compatibilidade clínica dos doadores.

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora