Saiu Na Custódia
Esteticista presa por suspeita de vender e aplicar canetas emagrecedoras é solta após audiência de custódia em Araraquara
Justiça concedeu liberdade provisória á investigada e impôs medidas cautelares; defesa afirma que produto apontado como principal alvo da investigação não foi encontrado

A esteticista de 35 anos, presa em flagrante durante uma operação do SIG (Setor de Investigações Gerais) da CPJ (Central de Polícia Judiciária) foi colocada em liberdade na manhã desta quarta-feira (3), após passar por audiência de custódia, em Araraquara. O caso ganhou grande repercussão na cidade após a prisão da mulher, ocorrida na manhã de terça-feira (2), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, em uma residência na Vila Xavier.
Segundo a decisão judicial, a investigada responderá ao processo em liberdade e o Juízo entendeu que não estavam presentes os requisitos necessários para a conversão da prisão, em prisão preventiva. Foram impostas medidas cautelares, consideradas mais adequadas ao caso.
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A informação foi confirmada pelo advogado Gabriel Gianinni, responsável pela defesa da esteticista (Veja Vídeo No Final da Matéria).
“O caso que repercutiu em toda a cidade teve audiência de custódia realizada hoje. Ela foi colocada em liberdade porque o juízo entendeu que não existem requisitos para a manutenção da prisão. Foram impostas medidas cautelares muito mais amenas e condizentes com o caso”, afirmou.
O advogado também destacou que, segundo a defesa, não foi localizada durante a operação a substância que teria motivado parte das investigações.
“Por mais que exista essa alegação de venda de retratrutida, nenhuma retratrutida foi localizada no interior da clínica ou da residência da esteticista, o que corroborou em muito com a tese defensiva e permitiu que ela responda ao processo em liberdade. Agora vamos provar na Justiça a inocência dela”, declarou.
A prisão ocorreu após investigações conduzidas pelo SIG, apontarem a suposta comercialização e aplicação irregular de canetas emagrecedoras e outras substâncias sem autorização dos órgãos reguladores. Durante o cumprimento do mandado de busca, os investigadores apreenderam 99 seringas de 1 ml, 18 agulhas, sete seringas usadas, três agendas, duas máquinas de cartão, três celulares, R$ 867 em dinheiro, duas caixas térmicas, além de diversas ampolas, suplementos e materiais utilizados em procedimentos estéticos.
Entre os produtos apreendidos estavam ampolas identificadas como “Glow”, “GHK”, “Nevrix”, diluentes, uma caneta denominada “Syned”, vitaminas, creatina e outras substâncias. Os policiais civis também localizaram uma caneta contendo retratrutida, produto que ainda não possui autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), peptídeos e materiais de origem paraguaia.
Na ocasião da prisão, o delegado Elton Hugo Negrini afirmou que a investigação, foi iniciada após denúncias indicando a comercialização dos produtos.
“Nós já tínhamos um mandado de busca autorizado pelo juiz porque existiam informações a respeito da venda desses produtos. Conseguimos cumprir a ordem judicial e localizar diversos produtos vindos do Paraguai”, disse.
Ainda de acordo com o delegado, a preocupação das autoridades envolve os riscos à saúde pública decorrentes da utilização de substâncias sem controle sanitário adequado e sem acompanhamento médico especializado. A investigação também aponta que a esteticista divulgava em redes sociais vídeos relacionados aos procedimentos realizados, material que passou a integrar o inquérito policial.
A mulher foi autuada pelos crimes de contrabando, adulteração de produtos terapêuticos ou medicinais e receptação. Apesar da concessão da liberdade provisória, o inquérito continua em andamento e será encaminhado ao Poder Judiciário após a conclusão das diligências e análises periciais.
O caso é o quarto registrado pelo SIG em menos de dois meses envolvendo suspeitas de comercialização irregular de medicamentos e canetas emagrecedoras em Araraquara. As outras investigadas também foram presas em flagrante, passaram por audiência de custódia e atualmente respondem aos processos em liberdade.
As autoridades reforçam o alerta para os riscos relacionados ao uso de medicamentos sem registro, procedência conhecida ou acompanhamento médico, situação que pode causar complicações graves, reações adversas e até colocar a vida dos pacientes em risco.
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