Mais uma crise
Sem salários, terceirizados da Prefeitura entram em greve a partir de amanhã
Trabalhadores terceirizados que atuam em escolas, creches e UBSs paralisam serviços e cobram pagamento em dia

Trabalhadores terceirizados de três empresas que prestam serviços à Prefeitura de Araraquara decidiram paralisar as atividades por causa do atraso no pagamento de salários e benefícios. A categoria marcou uma concentração para esta quarta-feira (10), às 8h, em frente ao Paço Municipal.
O movimento envolve funcionários das empresas Soluções, Sangra d'Água e Ecosystem e foi convocado pelo Siemaco, Sindicato dos Trabalhadores em Asseio, Conservação e Limpeza Urbana de Araraquara e Região. Segundo o sindicato, a greve é uma resposta direta ao não pagamento dos salários em dia.
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A mobilização reúne profissionais de setores essenciais, asseio e conservação, áreas verdes, varrição e controle de acesso (portaria), que atuam diariamente em escolas, creches, postos de saúde, UBSs e na limpeza da cidade. Na prática, a paralisação tem potencial para afetar a rotina de serviços públicos usados por milhares de moradores.
"Sem pagamento, não há trabalho", diz o sindicato
Para o Siemaco, a paralisação é justa. "A paralisação é um ato legítimo em defesa de um direito básico: receber salário em dia", afirma a entidade na convocação divulgada nas redes sociais. O sindicato resume a posição da categoria com a frase "Sem pagamento, não há trabalho" e diz que a luta é "por respeito e dignidade".
Além dos salários, a categoria costuma cobrar o repasse de benefícios como vale-transporte e vale-refeição, itens já citados em paralisações anteriores do setor na cidade, quando trabalhadoras também denunciaram falta de equipamentos de proteção, como calçados e luvas, na limpeza de creches e postos de saúde.
Greve dos terceirizados expõe a crise com a Prefeitura
O pano de fundo da greve dos terceirizados é a relação financeira entre a Prefeitura e as empresas contratadas. O argumento que circula entre os trabalhadores é direto: o município não estaria repassando os valores devidos às empresas e, sem esse dinheiro, as contratadas não conseguem fechar a folha.
A tese tem base em episódios recentes. Em novembro de 2025, funcionários da Soluções já haviam protestado em frente ao Paço, quando o município reconheceu uma dívida que ultrapassava R$ 9 milhões com a empresa e admitiu enfrentar dificuldades financeiras. Na ocasião, a advogada da contratada informou que a Soluções não tinha mais condições de manter o pagamento da folha sem o repasse dos recursos devidos pela Prefeitura.
O cenário se conecta à crise fiscal que marca a gestão do prefeito Dr. Lapena (PL), que assumiu em 1º de janeiro de 2025. A administração afirma ter herdado uma dívida milionária do governo Edinho Silva (PT), que sempre negou.
O outro lado
A reportagem procurou a Prefeitura de Araraquara. A assessoria de imprensa confirmou que está sabendo da paralisação e afirmou que mantém diálogo com os trabalhadores.
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