A CASA CAIU
Justiça manda prender ex-presidente da Câmara Ronaldo Napeloso por lavagem de dinheiro
Decisão da 3ª Vara Criminal contra o ex-vereador Napeloso transitou em julgado e prevê 11 anos e 8 meses em regime fechado

A Justiça de Araraquara determinou a prisão do ex-vereador Ronaldo Napeloso após o trânsito em julgado de sua condenação por lavagem de dinheiro. Com o esgotamento de todos os recursos, a decisão se tornou definitiva e a 3ª Vara Criminal da Comarca expediu o mandado de prisão para o cumprimento da pena.
Segundo o documento, assinado pelo magistrado Roberto Raineri Simão, o ex-parlamentar deverá cumprir 11 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado, além do pagamento de multa. O mandado é do tipo “definitiva decorrente de condenação transitada em julgado” e tem validade até fevereiro de 2042.
A ordem judicial já está em vigor e marca o início do cumprimento da sentença. Informações obtidas pelo Araraquara Agora dão conta de que ele já está detido
O que diz a decisão
A condenação tem origem no processo nº 0000432-83.2015.8.26.0037, que tramitou na 3ª Vara Criminal de Araraquara. De acordo com a síntese da decisão, o ex-vereador foi considerado autor de 12 crimes de lavagem de dinheiro, praticados na forma de crime continuado, com base na Lei 9.613/1998.
Além da pena de prisão, a sentença fixou 38 dias-multa, calculados em fração do salário mínimo. O acórdão que selou o caso transitou em julgado depois de a defesa esgotar as possibilidades de recurso, o que tornou a decisão irrecorrível e autorizou a expedição do mandado.
Quem é o ex-vereador Napeloso
A trajetória política de Napeloso em Araraquara é longa. Ele iniciou a vida pública como vereador na legislatura de 1997 a 2000 e foi reeleito sucessivas vezes, chegando a presidir a Mesa Diretora da Câmara em diferentes biênios.
Em dezembro de 2010, chegou a exercer interinamente o cargo de prefeito de Araraquara por dez dias e, a partir de 2011, assumiu a Secretaria Municipal de Agricultura.
A guinada veio em 2013. Em agosto daquele ano, o então vereador, filiado ao DEM, foi preso durante uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público e solto dias depois, quando renunciou ao mandato, pondo fim a quase duas décadas de mandatos consecutivos.
O caso que levou à condenação
As suspeitas que deram origem ao processo envolviam um suposto esquema de cobranças ligadas à concessão de áreas públicas. Napeloso e outros investigados tiveram bens bloqueados sob suspeita de desvio de recursos e cobrança de propina, em apuração ligada às Secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Sustentável.
Na época, a própria Câmara abriu uma comissão para investigar o caso. Durante os trabalhos da CEI, um empresário relatou ter sido cobrado para viabilizar a aprovação de um projeto em terreno doado pela Prefeitura. O conjunto das apurações desembocou na ação penal que, anos depois, resultou na condenação agora definitiva por lavagem de dinheiro.
A defesa do ex-vereador não havia se manifestado até a publicação. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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