CRISE FISCAL
Prefeitura de Araraquara vai atrasar parte dos salários dos servidores
Horas extras e os subsídios do prefeito, da vice e dos secretários ficam só para o dia 20
A Prefeitura de Araraquara vai atrasar novamente parte dopagamento dos servidores municipais. Em nota, o município informou que os salários serão pagos na próxima segunda-feira, dia 6 de julho. Já as horas extras e os subsídios do prefeito, da vice-prefeita e dos secretários municipais só serão quitados no dia 20 deste mês. Segundo a administração, o escalonamento decorre da atual situação financeira do município e da necessidade de organizar o fluxo de caixa.
De acordo com a nota oficial, a estratégia busca assegurar o pagamento da folha dos servidores em primeiro lugar e, na sequência, dar conta das demais obrigações, mantendo o que a gestão classifica como equilíbrio no cumprimento dos compromissos. O comunicado encerra reafirmando o compromisso com a responsabilidade e a transparência na gestão dos recursos públicos.
A medida ocorre em um cenário de dificuldade nas contas municipais já reconhecido oficialmente. Araraquara está enquadrada no artigo 167-A da Constituição Federal, dispositivo voltado à contenção de despesas e à recuperação da capacidade financeira de entes públicos em situação de comprometimento fiscal. O município é administrado pelo prefeito Dr. Lapena (PL), tendo Meire Laurindo (Republicanos) como vice-prefeita.
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O que a Prefeitura de Araraquara comunicou
Na prática, a folha foi dividida em duas datas. Os servidores recebem no dia 6; horas extras e os subsídios do primeiro escalão, prefeito, vice e secretários, ficam para o dia 20. O formato difere do adotado em dezembro de 2025, quando os salários do alto escalão chegaram a ser suspensos por tempo indeterminado, e não apenas adiados. Naquela ocasião, o pagamento das horas extras também foi represado.
O desfecho de dezembro ajuda a dimensionar o quadro atual: a Câmara aprovou um crédito orçamentário de R$ 54,3 milhões para cobrir a folha, o 13º, as horas extras e os vencimentos do primeiro escalão que estavam travados. Parte dos recursos veio da anulação de saldos, incluindo cerca de R$ 43,7 milhões previstos em ações de saneamento.
O pano de fundo da crise fiscal
O aperto não é novo. Em audiências da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a própria equipe econômica descreveu o cenário como de “cobertor curto”, com receitas apertadas diante de despesas obrigatórias. O orçamento de 2026 foi estimado em cerca de R$ 1,9 bilhão e elaborado com a meta declarada de zerar as horas extras, apontadas pela Secretaria de Fazenda como um gasto historicamente sem controle na Prefeitura.
Houve também um alívio pontual: uma emenda constitucional reduziu a exigência de pagamento de precatórios pelos municípios, e a previsão de Araraquara caiu de aproximadamente R$ 100 milhões para R$ 28 milhões, liberando mais de R$ 70 milhões nas contas. Ainda assim, a gestão relata dívidas acumuladas com fornecedores como parte do gargalo.
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