CERs de Araraquara suspendem aulas após paralisação de funcionárias terceirizadas
Falta de pagamento do vale-alimentação pela empresa terceirizada suspende aulas em unidades da rede municipal
Funcionários terceirizados da limpeza paralisaram as atividades e provocaram suspensão de aulas em unidades da rede municipal de Araraquara / Foto ilustrativa: Tetê Viviani / Câmara Araraquara/ Arquivo.
Pais e responsáveis por alunos da rede municipal de ensino de Araraquara foram surpreendidos na manhã desta quinta-feira (23) com a suspensão das aulas em parte das unidades escolares. O motivo é a paralisação de funcionários da limpeza terceirizada, que alegam a falta de pagamento do vale-alimentação por parte da empresa responsável pelo serviço.
Sem as equipes de limpeza, algumas escolas informaram que não seria possível manter o atendimento aos estudantes devido às exigências sanitárias para o funcionamento das unidades. Os comunicados começaram a ser enviados às famílias ainda na quarta-feira (22), alertando para a possibilidade da paralisação e orientando que os pais se organizassem caso a situação fosse confirmada. Na manhã desta quinta, algumas direções confirmaram o fechamento das unidades.
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Escolas afetadas
Até o momento, a paralisação atingiu as seguintes unidades:
- CER Dona Carmelita Garcez I, no São José;
- EMEF CAIC Ricardo Monteiro, no Vale do Sol;
- CER Prof.ª Maria Enaura Malavolta Magalhães, no Vale do Sol;
- CER Maria Pradelli Malara, no Selmi Dei (com atendimento mantido apenas em um dos prédios);
- CER Maria Aparecida de Azevedo Bozutti, no Jardim Indaiá.
Em comunicado encaminhado às famílias do CER Maria Pradelli Malara, a direção informou que as aulas ocorreriam normalmente apenas no prédio Malara, enquanto o prédio Hellé Nice permaneceria fechado devido à paralisação dos funcionários terceirizados.
Prefeitura diz que fez o repasse
A Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal da Educação, informou que, neste momento, 10 unidades da Educação Infantil estão temporariamente sem atendimento em razão da paralisação das funcionárias terceirizadas responsáveis pelos serviços de limpeza. As outras 38 unidades seguem funcionando normalmente.
"A Prefeitura esclarece que realizou, às 9h30 de quarta-feira, 22 de julho de 2026, o repasse financeiro à empresa responsável pela prestação dos serviços, destinado ao pagamento do vale-alimentação das trabalhadoras. A Secretaria Municipal da Educação acompanha a situação e mantém diálogo com a empresa responsável, com o objetivo de contribuir para a normalização dos atendimentos".
Repasse da Prefeitura foi insuficiente, diz empresa
Na manhã desta quinta-feira (23), cerca de 30 trabalhadoras foram até a sede da empresa Soluções para cobrar o pagamento do vale-alimentação, acompanhado pelo SIEMACO. Segundo informações repassadas pelo sindicato, a Prefeitura realizou um repasse financeiro à empresa na quarta-feira (22). No entanto, o valor recebido seria insuficiente para quitar o benefício das colaboradoras.
De acordo com o presidente do SIEMACO, a empresa informou que o montante repassado não cobre a dívida existente com a Prefeitura e, por esse motivo, não efetuará o pagamento do vale-alimentação neste momento.
As trabalhadoras receberam normalmente o salário do mês, mas o vale-alimentação, que deveria ter sido depositado em 15 de julho, segue em atraso e não há previsão para o crédito. Para as funcionárias, o benefício é parte essencial da renda familiar e garante a compra de alimentos ao longo do mês. Diante da falta de pagamento, elas decidiram manter a paralisação.
"A obrigação do pagamento é da empresa", destacou o SIEMACO, ressaltando que a responsabilidade pelo depósito do benefício é da empregadora, independentemente da situação contratual com o poder público.
Ainda segundo o sindicato, enquanto o vale-alimentação não for pago, não há previsão de retorno das equipes às atividades. A ausência das profissionais impede a execução dos serviços de limpeza e, consequentemente, o funcionamento normal de parte das unidades da rede municipal.
Problemas já haviam ocorrido anteriormente
Esta não é a primeira vez que a prestação de serviços terceirizados gera impactos na rotina das escolas municipais. Nos últimos meses, situações envolvendo contratos terceirizados e dificuldades operacionais já provocaram preocupação entre pais, servidores e a comunidade escolar, principalmente em relação à continuidade de serviços considerados essenciais para o funcionamento das unidades.
A ausência das equipes de limpeza impede o cumprimento dos protocolos de higiene exigidos para o atendimento de crianças e adolescentes, especialmente nos Centros de Educação e Recreação (CERs).
Portal Araraquara Agora acompanha o caso.
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