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SANGUE | MUDANÇAS

Doação de sangue tem novas regras: idade máxima acaba e prazos de espera mudam; entenda

Mudança amplia a participação de doadores regulares e atualiza critérios de segurança para a hemoterapia no Brasil

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Doação de sangue tem novas regras: idade máxima acaba e prazos de espera mudam; entenda
Novas regras para doação de sangue permitem que doadores regulares continuem contribuindo após os 70 anos, desde que sejam considerados aptos na avaliação clínica Foto ilustrativa: Nayana Magalhães/ Governo do Amapá.

 

Doadores regulares de sangue poderão continuar contribuindo mesmo depois dos 70 anos com a entrada em vigor do novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil. A mudança elimina a idade máxima para quem já possui histórico de doações, desde que o voluntário esteja em boas condições de saúde e seja considerado apto na avaliação clínica feita pelo serviço de hemoterapia.

A nova regra faz parte da Portaria GM/MS 11.685/2026, publicada em julho pelo Ministério da Saúde. A norma atualiza os critérios nacionais para doação, amplia algumas possibilidades para os voluntários e modifica períodos de impedimento temporário. Segundo a Anvisa, a portaria entrará efetivamente em vigor em 30 de setembro de 2026, 90 dias após sua publicação oficial.

Até então, a regulamentação estabelecia que pessoas entre 60 e 69 anos poderiam doar desde que já tivessem realizado uma doação antes dos 60 anos. Com a nova regulamentação, o envelhecimento deixa de ser, por si só, um motivo para interromper a participação de quem já é doador. A aptidão continuará sendo definida individualmente durante a triagem.

A medida representa uma mudança importante em um momento de envelhecimento da população brasileira e acompanha a necessidade de manter os estoques de sangue abastecidos durante todo o ano. O Ministério da Saúde destaca que a atualização busca incorporar avanços científicos e adequar os procedimentos às condições atuais da hemoterapia.

 

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Doação de sangue ganha novas regras no Brasil

A mudança na idade máxima é apenas uma das alterações previstas no novo regulamento. A Portaria GM/MS 11.685/2026 reorganiza os critérios técnicos relacionados ao ciclo do sangue, abrangendo desde a seleção dos candidatos e a coleta até o processamento, armazenamento e utilização dos hemocomponentes.

A atualização também procura harmonizar as exigências técnicas do Ministério da Saúde com as normas sanitárias fiscalizadas pela Anvisa. A agência publicou uma nota técnica específica para orientar os serviços de hemoterapia durante o período de transição para o novo modelo regulatório.

Na prática, a regra não significa que qualquer pessoa com mais de 70 anos poderá simplesmente chegar a um hemocentro e realizar uma doação. A avaliação clínica continua obrigatória, assim como os demais critérios de segurança definidos para o procedimento.

A intenção é permitir que doadores habituais que chegam à terceira idade não sejam automaticamente afastados apenas por causa da idade, desde que permaneçam aptos.

 

Prazos de espera também serão reduzidos

Outra mudança importante envolve pessoas que precisam aguardar determinado período antes de voltar a doar. O novo regulamento reduz alguns desses intervalos, permitindo que determinados candidatos retornem mais rapidamente aos hemocentros.

Para quem realizou endoscopia ou colonoscopia, por exemplo, o período de espera passa de seis para quatro meses. O mesmo intervalo de quatro meses também passa a ser aplicado em situações específicas relacionadas ao uso de anabolizantes sem prescrição médica, conforme os critérios estabelecidos na regulamentação.

Procedimentos estéticos também tiveram seus prazos revisados. Pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva, microagulhamento, aplicação de botox ou preenchimentos poderão voltar a doar após sete dias quando for possível avaliar que o procedimento foi realizado em condições consideradas seguras. Quando não houver possibilidade de comprovar ou avaliar adequadamente as condições do procedimento, permanece um período de espera maior, de quatro meses.

Também houve alteração para quem utiliza piercing. Nos casos de piercing na cavidade oral ou na região genital, o período de espera passa a ser de quatro meses após a retirada. As mudanças têm como objetivo atualizar os critérios diante dos avanços nos protocolos de segurança, sem eliminar a triagem individual feita antes da coleta.

 

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Novos procedimentos reforçam a segurança das transfusões

A atualização também amplia as ferramentas utilizadas para reduzir o risco de transmissão de doenças por meio das transfusões.

Um dos destaques é o NAT Plus, teste desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz que já permite a identificação molecular de HIV e dos vírus das hepatites B e C e também contempla a detecção do parasita causador da malária. O teste já é utilizado na rede pública de hemoterapia e integra as estratégias brasileiras de segurança transfusional.

A incorporação da investigação da malária é especialmente relevante porque a doença pode representar um risco transfusional mesmo quando não há suspeita clínica evidente. A utilização de testes moleculares contribui para ampliar a capacidade de identificação de infecções antes que o sangue seja destinado ao paciente.

Com a atualização dos critérios, também houve mudança nos períodos relacionados à exposição a áreas de transmissão de malária. O novo cenário considera a disponibilidade do teste e permite uma abordagem mais precisa em situações de deslocamento para áreas de risco.

Outra novidade é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas e amostras. A padronização permite acompanhar o material ao longo das diferentes etapas do ciclo do sangue, aumentando a rastreabilidade e reduzindo possibilidades de erros de identificação.

 

Plaquetas poderão ter validade de até sete dias

Essa condição também favorece o aproveitamento de um dos componentes mais importantes das transfusões, que são as plaquetas. A validade do concentrado de plaquetas poderá chegar a sete dias quando forem utilizadas tecnologias e medidas de controle de qualidade capazes de atender aos requisitos técnicos. O Ministério da Saúde já havia autorizado essa extensão em nota técnica específica, desde que fossem cumpridos critérios para controle do risco bacteriano.

A alteração pode ajudar a diminuir o descarte de bolsas que não foram utilizadas dentro do prazo tradicional de cinco dias e melhorar a disponibilidade desse hemocomponente. As plaquetas são utilizadas em diferentes situações clínicas, especialmente no atendimento de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia, doenças hematológicas e outras condições que provocam alterações importantes na coagulação ou na contagem de plaquetas.

 

Doação regular ajuda a manter estoques

Apesar das mudanças nas regras, a necessidade de doadores continua. O sangue não pode ser armazenado indefinidamente e diferentes componentes possuem prazos de validade específicos. Por isso, a manutenção dos estoques depende de uma entrada constante de novas doações.

O próprio Ministério da Saúde ressalta que a doação regular é essencial para manter os estoques dos hemocentros em níveis seguros. Uma única coleta pode ser separada em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma, que podem atender pacientes com necessidades distintas.

Dados oficiais mostram que o sistema brasileiro vem acompanhando a recuperação das doações depois da queda registrada durante a pandemia. O Ministério da Saúde disponibiliza séries históricas e informações sobre a produção hemoterápica, enquanto a Anvisa mantém dados nacionais dos serviços de sangue.

 

Quem pode doar sangue?

Enquanto a nova regra amplia a possibilidade para doadores regulares com mais de 70 anos, os demais critérios continuam sendo fundamentais.

Entre as condições básicas estão estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto. Documentos digitais com fotografia também são aceitos, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde.

Adolescentes de 16 e 17 anos também podem se candidatar à doação, desde que cumpram as exigências específicas para menores de idade e tenham autorização do responsável legal.

A frequência das doações também deve respeitar os intervalos determinados pelos serviços de hemoterapia. Tradicionalmente, o Ministério da Saúde estabelece limites diferentes para homens e mulheres, considerando o intervalo mínimo entre as coletas.

O mais importante é que o interessado procure o hemocentro ou serviço de hemoterapia mais próximo e passe pela triagem antes de realizar a coleta. É nessa etapa que profissionais avaliam as condições clínicas e verificam se a pessoa está apta a doar naquele momento.

Em Araraquara, as doações são realizadas no Hemonúcleo Regional de Araraquara, na Avenida da Saudade, 58, na região central. O atendimento segue os protocolos de qualidade e segurança da instituição.

Quem tiver dúvidas sobre a doação pode entrar em contato com a equipe pelo telefone ou WhatsApp (16) 3301-6102.

O agendamento online pode ser feito pelo portal oficial do Hemonúcleo. Também é possível entrar em contato pelo telefone ou WhatsApp para receber orientações antes de comparecer ao local.

 

Anote!

Local: Hemonúcleo Regional de Araraquara

Endereço: Avenida da Saudade, 58 – Centro

Telefone/WhatsApp: (16) 3301-6102

Agendamento: online pelo portal do Hemonúcleo

Vale lembrar que a nova regulamentação, não transforma a doação em um procedimento automático para pessoas idosas. Ela retira a barreira etária absoluta para quem já possui histórico de doação, mantendo como prioridade a segurança do voluntário e do paciente que receberá o sangue.

 

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

Fonte: Agência gov.

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