Pátio esvaziado
Leilão de veículos em Araraquara rende R$ 2,5 milhões
Nono certame do DER-SP em 2026, o leilão on-line deu novo destino a carros e motos parados há anos no pátio da cidade.

Carros e motocicletas que ocupavam vagas no pátio do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP) em Araraquara voltaram ao mercado e deixaram um saldo expressivo: os lances vencedores somaram perto de R$ 2,5 milhões. O resultado foi apurado em junho, ao fim de um leilão de veículos em Araraquara realizado inteiramente pela internet.
Foram para o martelo automóveis removidos das rodovias, abandonados pelos donos, acidentados ou recolhidos em ações de fiscalização — todos sem qualquer reivindicação dos proprietários dentro do prazo legal. Na prática, são bens que estavam parados, perdendo valor e ocupando espaço público.
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A confirmação dos valores ainda depende do encerramento das etapas administrativas previstas para certames públicos, como pagamento, homologação e transferência da documentação. Mesmo assim, a cifra dá a dimensão da procura: foi o nono leilão de veículos promovido pelo departamento em 2026.
Como foi o leilão de veículos em Araraquara
O pregão reuniu mais de 800 lotes entre automóveis e motocicletas em estado de conservação razoável, sucatas aproveitáveis e sucatas inservíveis. As sessões aconteceram nos dias 15, 16 e 17 de junho, sempre a partir das 9h, conduzidas pelo Grupo Carvalho Leilões em plataforma digital.
Antes da disputa, os interessados puderam checar pessoalmente o que estavam comprando: a visitação ficou aberta de 8 a 12 de junho, das 9h às 12h e das 13h às 16h. O pátio de Araraquara concentrou o maior volume, com reservas técnicas em Barrinha, Jaú, Pirassununga, Santa Cruz do Rio Pardo e Serrana.
As condições seguiram o padrão desse tipo de venda: os bens saem no estado em que se encontram, podendo apresentar peças faltantes, ferrugem, motor travado ou irregularidades na numeração do chassi. Cabe ao arrematante arcar com o conserto e com a regularização.
Economia circular por trás dos lotes
Para o poder público, esvaziar pátio não é só questão de espaço. Cada veículo devolvido ao mercado — inteiro ou desmontado — evita a extração de matéria-prima nova, princípio central da economia circular.
"Chegamos ao 9º leilão de veículos em 2026 com resultados importantes, como este promovido na região de Araraquara que contou com uma arrecadação significativa. É muito gratificante perceber o interesse do público e saber que ações deste tipo colaboram diretamente com a economia circular", afirmou Rommel Valério, coordenador de Pátios e Leilões do DER-SP.
A lógica é simples: o que ainda roda volta às ruas regularizado; o que não tem conserto vira peça reaproveitável ou segue para fundição, transformando lataria em aço reciclado. O departamento é vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
Recursos públicos e fiscalização das rodovias
Os leilões também cumprem função orçamentária. O dinheiro arrecadado retorna aos cofres públicos, enquanto a liberação das vagas reduz custos de guarda e permite que novas remoções sejam feitas sem gargalo operacional.
Veículos abandonados em acostamentos representam risco real de acidente e atrapalham a manutenção das pistas. Ao acelerar a retirada e a destinação desses bens, o DER-SP mantém o ciclo de fiscalização funcionando.
Nova chance ainda em agosto
Quem ficou de fora tem uma segunda oportunidade sem sair da região. O Detran-SP abriu um leilão com 697 lotes que envolve pátios de Araraquara, Matão e Américo Brasiliense: são 63 veículos em condição de circulação e 634 lotes classificados como sucata para desmonte ou fundição.
A visitação ocorreu de 10 a 14 de agosto, e as sessões públicas se estendem de 17 a 21 de agosto, divididas por categoria de lote. Uma das novidades do modelo é o prazo definido para entrega: o veículo arrematado é liberado em até 10 dias contados do vencimento do pagamento.
Vale a atenção às regras de habilitação. Pessoas físicas e jurídicas com cadastro regular na Receita Federal podem disputar os veículos aptos a circular; já os lotes de sucata são reservados a desmanches credenciados e empresas de fundição. Antes de dar o lance, o comprador deve conferir débitos, multas e a real condição do bem — o preço baixo raramente inclui a conta da regularização.
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