Guichês vazios
Paralisação dos bancários atinge Araraquara nesta quinta
Após rejeitar a Fenaban por 97%, categoria leva a paralisação dos bancários às agências da região.

As agências bancárias de Araraquara e região devem operar com equipes reduzidas — ou permanecer fechadas — nesta quinta-feira (20). Trabalhadores do setor financeiro de todo o Brasil cruzam os braços por 24 horas em um movimento nacional que pressiona os bancos a apresentarem, enfim, um índice de reajuste salarial.
Na cidade, a adesão foi decidida em assembleia realizada na segunda-feira (17) pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro de Araraquara e Região. Na terça-feira (18), a entidade protocolou o aviso formal de paralisação dos bancários, cumprindo o prazo exigido pela legislação trabalhista para atividades consideradas essenciais.
O estopim foi a sétima rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Em vez de apresentar o percentual de reajuste prometido, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) levou à mesa um pacote que, na avaliação das entidades sindicais, fatia a categoria em grupos com direitos distintos.
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O que a Fenaban colocou na mesa
A proposta patronal previa três faixas diferentes de reajuste, separando quem ganha os menores salários, quem está na faixa intermediária e quem recebe os maiores vencimentos. O mesmo raciocínio valeria para o vale-alimentação (VA) e o vale-refeição (VR), com valores variáveis conforme o estado e o porte do município — o que abriria caminho para pagamentos menores em cidades do interior paulista, como Araraquara.
Havia ainda um terceiro ponto sensível: o congelamento do piso de ingresso, o salário de entrada de quem chega ao setor. Para o Comando Nacional dos Bancários, a combinação dos três itens significaria o fim da negociação unificada, uma conquista histórica da categoria.
A pauta entregue aos bancos em junho pede reposição integral do INPC somado a 5% de aumento real — não só no salário, mas também na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e nos benefícios alimentação. A data-base da categoria é 1º de setembro.
Por que a paralisação dos bancários ganhou força
A resposta nas urnas foi contundente. Nas assembleias realizadas em todo o país, 97,66% dos participantes rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação de 24 horas, segundo apuração divulgada pelas federações sindicais.
Mais do que salário, o movimento coloca em disputa o modelo de atendimento bancário. A categoria reivindica garantia de emprego, freio à terceirização e à precarização dos contratos e, sobretudo, a manutenção da rede física de agências — pauta que pesa em municípios médios, onde o fechamento de uma unidade obriga o cliente a se deslocar ou depender exclusivamente do aplicativo.
Lucros bilionários no centro do debate
O argumento econômico dos trabalhadores se apoia nos balanços. Somados, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander lucraram R$ 107,8 bilhões em 2025. Incluindo a Caixa Econômica Federal, o resultado dos cinco maiores bancos do país se aproxima de R$ 123,3 bilhões no ano.
O número veio acompanhado de um movimento na direção oposta no emprego: o setor bancário eliminou cerca de 8,8 mil postos de trabalho entre janeiro e setembro de 2025, enquanto o mercado formal brasileiro abria 1,7 milhão de vagas no mesmo intervalo. Os dados do Novo Caged mostram ainda que o salário médio de quem foi admitido (R$ 7.743,43) ficou abaixo do salário médio de quem foi desligado (R$ 8.589,85) — indício de troca de profissionais experientes por contratações mais baratas.
O que muda para o cliente em Araraquara
Caixas eletrônicos, aplicativos e internet banking seguem disponíveis normalmente durante a paralisação. Em mobilizações anteriores da categoria, contas com vencimento na data do movimento puderam ser quitadas no primeiro dia útil seguinte sem cobrança de multa — recomenda-se, ainda assim, confirmar a regra com a instituição.
Para o sindicato, o dia 20 funciona como instrumento de pressão diante da estagnação das conversas. A expectativa é que a Fenaban retome a mesa com uma proposta econômica concreta antes da data-base, em 1º de setembro. Até lá, a categoria promete manter a mobilização.
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