CIDADANIA
Plataforma Perfil Eleitoral usa tecnologia para ajudar eleitores a tomar decisão
Ferramenta online apresenta questionários por cargo e cruza as respostas de eleitores e candidatos; proposta é ampliar considerações para além da disputa presidencial

Escolher um candidato apenas pela lembrança de uma propaganda, pela indicação de amigos ou por uma decisão tomada na véspera da eleição é uma realidade para muitos brasileiros. Para ajudar o eleitor a comparar propostas e posições de forma mais estruturada, o empresário e profissional de tecnologia Alexandre de Alexandri criou a plataforma Perfil Eleitoral. “As pessoas se preocupam muito com o presidente, mas muitas vezes não acompanham quem vai ocupar o Senado e a Câmara. Não adianta escolher o presidente se ele não tiver apoio no Congresso para colocar suas propostas em prática”, afirma Alexandri.
Pesquisa Datafolha divulgada em junho deste ano mostra que 85% dos eleitores se lembram do voto para presidente nas últimas eleições, em 2022, mas apenas 23% dos entrevistados recordam a escolha para deputado federal. O mesmo estudo aponta ainda que quatro em cada dez respondentes não conseguem citar nenhum senador em exercício. “Esse é um cenário insistente e as novas tecnologias podem ajudar a todos. É uma preocupação minha, que os eleitores tenham acesso à informação de qualidade e mecanismos perenes não só de esclarecimento, mas também de acompanhamento dos eleitos após as eleições.”
O site funciona a partir de questionários sobre temas relevantes da agenda política brasileira. O eleitor responde às perguntas de acordo com suas próprias convicções e, depois, pode visualizar quais candidatos apresentam maior compatibilidade com suas ideias. A plataforma contempla diferentes cargos em disputa e permite consultar os concorrentes por estado e vaga. A proposta é oferecer ao usuário uma visão comparativa especialmente sobre candidaturas ao Legislativo, como deputado estadual, deputado federal e senador.
Como funciona a comparação
A coleta dos dados básicos dos candidatos teve início em 16 de agosto, após o encerramento do prazo oficial para cadastramento das candidaturas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A plataforma utiliza como fonte os dados públicos disponibilizados pelo próprio Tribunal no sistema DivulgaCandContas. As respostas dos candidatos são utilizadas para estabelecer a comparação com as respostas dos eleitores, que podem dar peso em cada tema do questionário. Quanto mais alto o peso atribuído, maior a necessidade do candidato ser compatível com determinado posicionamento.
O Perfil Eleitoral foi concebido como um instrumento apartidário de consulta e recomendação individual, e não como uma pesquisa de intenção de voto ou uma sondagem da preferência eleitoral da população. O sistema compara as respostas de cada usuário com as respostas dos candidatos cadastrados. O resultado exibido, portanto, é individualizado: ele indica o grau de compatibilidade entre as posições declaradas pelo eleitor e aquelas apresentadas pelos candidatos.
Segundo o criador, a confiabilidade da correspondência está diretamente relacionada às respostas fornecidas pelos participantes. Ou seja, o resultado não pretende prever o comportamento do eleitor nas urnas, mas mostrar quais candidaturas apresentam convergência com as posições que ele próprio declarou na plataforma. A ferramenta também pode ser uma forma de apresentação para candidatos menos conhecidos do público. “O importante é disseminar informação de qualidade e constituir uma fonte confiável, facilitando o acesso ao que foi registrado pelo TSE. Eu, como eleitor, tenho interesse nesse sistema. Torná-lo algo acessível ao grande público é um dever cívico”, reflete Alexandri.
Plataforma também acompanha mandatos
As respostas dos candidatos são públicas na plataforma e podem ser utilizadas pelos eleitores para comparação. Já os candidatos não têm acesso às respostas de eleitores individualmente. Segundo o empresário, os dados dos eleitores poderão ser apresentados aos candidatos apenas de forma estatística e agregada, permitindo visualizar tendências nas respostas dos usuários, mas sem identificar individualmente quem respondeu ou quais posições foram declaradas por determinada pessoa.
O Perfil Eleitoral também não solicita ao usuário a informação sobre em quem pretende votar ou efetivamente votou, preservando a privacidade e autonomia do eleitor e fazendo com que a ferramenta funcione como instrumento de comparação de ideias e não como mecanismo de identificação da escolha eleitoral. Desta forma, todas as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são observadas e garantidas.
Mas a proposta do Perfil Eleitoral não termina no dia da eleição. A plataforma pretende acompanhar, ao longo dos quatro anos de mandato, a atuação dos candidatos eleitos e comparar suas ações com as posições apresentadas durante a campanha. O objetivo é criar um histórico que permita ao eleitor avaliar posteriormente se o candidato manteve coerência entre o que defendia antes da eleição e aquilo que efetivamente realizou no exercício do mandato. “Assim, o cidadão poderá chegar à próxima eleição com algo mais importante do que novas promessas: um histórico do que cada eleito efetivamente fez”, afirma o profissional.
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