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Crise sem fim

Escolas de Araraquara ficam sem aula na manhã desta sexta-feira

Prefeitura de Araraquara vai tentar reabrir unidades à tarde com cooperados no lugar de terceirizados

Willian Oliveira|· 3 min de leitura
Escolas de Araraquara ficam sem aula na manhã desta sexta-feira
Unidades da rede municipal de Araraquara ficam sem aula na manhã de sexta; Prefeitura tenta reabrir escolas à tarde com cooperados

Os alunos da rede municipal de Araraquara não terão aula na manhã desta sexta-feira (11). A informação está em nota da Secretaria Municipal da Educação divilgada na noite desta quinta-feira(10). A pasta diz que está reunindo uma equipe de profissionais cooperadas para tentar abrir as unidades no período da tarde. As famílias devem aguardar novas orientações, que as escolas vão repassar ao longo da manhã.

A suspensão é mais um efeito da paralisação da Soluções Serviços Terceirizados, empresa responsável pela limpeza de escolas e Centros de Educação e Recreação (CERs). Na terça (8), a terceirizada avisou os funcionários que poderia interromper os serviços a partir de quarta (9). A empresa alegou atrasos repetidos nos pagamentos que a Prefeitura deve por trabalho já executado. A sexta será, portanto, o terceiro dia seguido de rede afetada. 

A nota contradiz o que o governo anunciou mais cedo. Em coletiva nesta quinta-feira (10), no Paço Municipal, o secretário de Governo, Leandro Guidolim, garantiu retorno parcial da rede na sexta, com um plano B caso a empresa não aceitasse negociar. "Eu afirmo que amanhã parcialmente vamos retornar a rede de ensino", disse na ocasião. De manhã, a promessa não se cumpre. À tarde, tudo depende de a Prefeitura conseguir colocar os cooperados nas unidades a tempo.

O comunicado não cita o motivo da suspensão. Também não diz quantas unidades devem abrir à tarde nem se creches e turmas de período integral estão incluídas.

Paralisação da Soluções afeta escolas de Araraquara desde quarta

Na quarta-feira (9), o CAIC Ricardo Caramuru de Castro Monteiro e os CERs Professora Honorina Comelli Lia, José do Amaral Velosa e Valdizar Pinto do Carmo dispensaram os alunos. Na quinta, o problema continuou. Em algumas unidades, as crianças chegaram a entrar pela manhã e os pais foram chamados depois para buscá-las.

Prefeitura de Araraquara admite dívida de R$ 10 milhões

A administração não nega o débito. Pelos dados apresentados pelo próprio governo, a dívida com a prestadora está em torno de R$ 14 milhões. Cerca de R$ 10 milhões desse total, segundo a gestão atual, foram herdados da administração anterior. Guidolim classificou o quadro como uma calamidade financeira e disse que nenhuma empresa que presta serviço ao município recebe em dia. 

O secretário informou ainda que o valor mensal do contrato caiu de R$ 1,8 milhão para R$ 1,44 milhão. Mesmo assim, os repasses médios ficam entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão. Pela conta do próprio governo, o município paga por mês menos do que o contrato prevê, e a diferença engorda o saldo devedor. 

As partes seguem distantes na negociação. Segundo Guidolim, a Soluções exigiu R$ 5 milhões à vista para retomar o trabalho, valor que a Prefeitura diz não ter em caixa. A proposta municipal previa R$ 500 mil imediatos, mais R$ 1,5 milhão até o fim de setembro, quitação do contrato até dezembro e amortização da dívida a partir de janeiro. Ainda de acordo com o secretário, a empresa recusou e pediu juros de 1,5% ao mês. A Prefeitura notificou a terceirizada e aguarda resposta. (araraquaraagora) (araraquaraagora)

Cooperados viram plano B nas creches

Araraquara tem 48 CERs, e a Prefeitura calcula que cada unidade precisa de pelo menos dois profissionais de limpeza para funcionar. Pela conta da reportagem, isso significa ao menos 96 trabalhadores só nas creches, sem contar as EMEFs. O governo diz que já negocia com cooperativas da cidade e quer, ao longo da próxima semana, passar aos cooperados todos os serviços que a Soluções fazia. 

A escolha reabre uma polêmica. Desde o início do governo Lapena, a Prefeitura reduziu, suspendeu ou deixou de renovar contratos com cooperativas. Um dos casos foi o da Cooperativa Sol Nascente, que fazia zeladoria urbana com trabalhadores egressos do sistema prisional. A contratação emergencial ainda passa por avaliação jurídica, porque envolve serviço contínuo.

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