Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Publicidade
MRV — Residencial Flora (2)
Publicidade

EMBATE | CÂMARA

‘Coisa mais difícil de votar’: IPTU vira foco de disputa política em Araraquara

Discussão sobre a PGV opõe base e oposição enquanto vereadores cobram clareza sobre o impacto no bolso dos contribuintes

Cassiane Chagas|· 8 min de leitura
‘Coisa mais difícil de votar’: IPTU vira foco de disputa política em Araraquara
Vereadores discutiram os possíveis impactos da PGV no IPTU de Araraquara durante a 80ª Sessão Ordinária da Câmara Imagens: Câmara Araraquara.

A discussão sobre a Planta Genérica de Valores (PGV) voltou a ganhar força na Câmara Municipal de Araraquara durante a 80ª Sessão Ordinária, realizada nesta terça-feira (22). Embora os projetos que tratam da atualização dos valores dos imóveis e das regras do IPTU não tenham sido votados na sessão, o tema provocou manifestações de vereadores da base governista e da oposição.

Um dos principais pontos do debate foi o possível impacto da nova PGV sobre o IPTU dos moradores de Araraquara. As propostas em tramitação podem alterar os valores utilizados como referência para o cálculo do imposto e também modificar alíquotas, regras de isenção e a tributação de terrenos sem construção.

Durante a sessão, o vereador Michel Kary (PL) resumiu a dimensão da decisão ao afirmar que se trata de “a coisa mais difícil para um vereador votar”. Ao mesmo tempo, o parlamentar defendeu que a revisão não significa necessariamente aumento para todos os proprietários. “se sua casa desvalorizou, você não vai ter aumento com essa PGV”, declarou.

A repercussão ocorre poucos dias depois de uma audiência pública realizada na Câmara, na quinta-feira (17), que reuniu vereadores, especialistas e representantes da sociedade para discutir os dois projetos. A partir das manifestações feitas no plenário, o assunto passou a concentrar um dos principais debates políticos da sessão.

 

PGV volta ao centro das atenções na Câmara

A PGV estabelece os valores utilizados pelo município como referência para os imóveis. A proposta em análise reorganiza a avaliação de terrenos e construções e divide Araraquara em 31 zonas fiscais. O tema é considerado relevante porque alterações nos valores venais podem repercutir diretamente no cálculo do IPTU. O efeito, porém, não seria uniforme para todos os imóveis.

Entre as projeções apresentadas durante as discussões estão situações de aumento, redução e manutenção do imposto, dependendo da região e das características de cada propriedade. O material, apresentado aos participantes da audiência, também aponta uma estimativa de aumento da arrecadação anual do IPTU, que passaria de aproximadamente R$ 126 milhões para R$ 162 milhões caso as novas regras sejam aprovadas. A diferença estimada é de cerca de R$ 36 milhões por ano.

 

Leia Também

 

‘Vão esperar passar as eleições’, critica vereador

Na oposição, o vereador Alcindo Sabino (PT) utilizou a tribuna para questionar o momento da discussão da proposta. “vão esperar passar as eleições para pôr para votar. Aí eu quero ver quem vai votar”, afirmou.

O vereador também criticou o possível impacto financeiro da atualização para os proprietários e afirmou que determinados contribuintes poderiam enfrentar aumentos superiores a 200%. As declarações fizeram parte da discussão política em torno da proposta, que ainda não chegou a uma votação definitiva.

Outro questionamento veio da vereadora Filipa Brunelli (PT), que criticou a condução da política fiscal da administração municipal.

 

“O Lapena, ele se vê aí diante de uma oportunidade de inflar, né, a as questões fiscais da prefeitura”, afirmou.

 

A fala foi feita durante a discussão sobre os efeitos que a atualização dos valores dos imóveis poderá produzir nas contas municipais.

 

Base defende atualização dos valores

Os vereadores que integram a base governista apresentaram outro entendimento sobre a necessidade da revisão. Já o vereador Aluisio Boi (MDB) afirmou que a atualização da PGV está relacionada a uma obrigação de revisão periódica.

 

“A revisão de valores é obrigatória. Ela tem que ser feita a cada dois anos. O Tribunal de Contas aponta”, declarou.

 

Michel Kary também defendeu que a atualização precisa considerar as mudanças ocorridas no mercado imobiliário e nas diferentes regiões da cidade. Na mesma linha, o vereador Enfermeiro Delmiran (PL) afirmou que os parlamentares da base estão analisando o conteúdo antes de uma decisão. “Estamos discutindo com muita seriedade o projeto da PGV. Os vereadores da base estão debruçados”, disse.

O debate, portanto, não ficou restrito à possibilidade de aumento do IPTU. Os parlamentares também discutiram a metodologia utilizada para definir os novos valores e as consequências da revisão para diferentes regiões do município.

 

Leia Ainda

 

Audiência pública teve críticas à metodologia

Antes da sessão de terça-feira, a audiência pública realizada na Câmara já havia apresentado uma série de questionamentos. A professora Luciana Gonçalves, da UFSCar, explicou que a PGV funciona como uma representação da dinâmica imobiliária da cidade.

 

“A planta genérica de valores é como uma radiografia... é a dinâmica da cidade expressa pelos valores imobiliários”, afirmou.

 

Ao mesmo tempo, a especialista defendeu que os valores utilizados pelo poder público estejam próximos da realidade do mercado. “A justiça social aqui seria a gente ter o valor mais próximo do real ou menor do que o real mas nunca maior do que o real”, declarou.

Participantes da audiência questionaram, entre outros pontos, o uso de anúncios imobiliários como referência para determinados valores e a metodologia empregada para definir os preços dos terrenos.

Também houve críticas relacionadas à existência de diferentes classificações fiscais em áreas próximas, além de pedidos por maior transparência antes da votação.

 

Audiência ocorreu na última quinta-feira (17)
Audiência ocorreu na última quinta-feira (17)

 

Vereadores discutem momento da votação

Vale lembrar que os projetos da PGV ainda não foram votados. As propostas permanecem sobrestadas e ainda não há uma data definitiva para a votação em plenário. O vereador Paulo Landim (PT) reforçou durante a discussão que o assunto não deveria ser levado imediatamente à votação. A manifestação ocorreu no contexto do debate sobre o tempo necessário para que os vereadores analisem as mudanças.

Por se tratar de projetos de lei complementar, a tramitação ainda precisa seguir as etapas previstas no processo legislativo municipal antes de eventual sanção.

 

‘Calculadora cidadã’ é uma das propostas

Entre as sugestões apresentadas durante a audiência está a criação de uma ferramenta para permitir que cada contribuinte consulte antecipadamente o impacto da nova PGV sobre seu imóvel. A proposta foi apresentada pelo advogado Marcelo Catalani e pelo vereador João Clemente (Progressistas).

 

“Disponibilizar uma calculadora cidadã onde cada cidadão possa... saber o impacto antes da votação”, defenderam.

 

A ideia é permitir que o proprietário tenha acesso a uma estimativa antes que o texto seja aprovado. Outra sugestão é que eventuais aumentos sejam aplicados de forma gradual. A vereadora Fabi Virgílio (PT) propôs: “Estudar algo que se assemelhe a uma aplicação gradativa do impacto resultante da ampliação do valor venal”.

A parlamentar também destacou como ponto positivo a retirada do modelo de avaliação em massa do terceiro substitutivo do projeto que trata da PGV. “O ganho positivo que a gente entende que se tem alguma coisa que pode ser positiva eu acho que é a retirada do modelo de avaliação em massa”, afirmou.

 

Projeto também prevê isenção de IPTU

Enquanto o debate se concentra nos possíveis aumentos, a proposta também contém medidas que podem reduzir a cobrança para parte dos proprietários. O Substitutivo nº 2 ao Projeto de Lei Complementar nº 20/2026 prevê isenção para proprietários de um único imóvel residencial com valor venal de até R$ 150 mil.

A estimativa apresentada durante a discussão é de que aproximadamente 18 mil famílias ou propriedades possam ser beneficiadas. Fabi Virgílio comentou a possibilidade durante a audiência:

 

“A gente vai ser favorável porque a gente acha que isenção é sempre algo legal de se pensar”.

 

A regra, porém, também gerou discussão sobre os critérios utilizados para definir quem terá direito ao benefício, especialmente em relação à ausência de um critério de renda.

 

Terrenos vazios também entram na discussão

Outro ponto de atenção é a tributação dos terrenos urbanos sem construção. A proposta prevê aumento da alíquota máxima para imóveis desse tipo, de 1,08% para 2,59%. De acordo com as projeções apresentadas na discussão, alguns terrenos poderiam registrar aumentos expressivos na cobrança.

A professora Luciana relacionou o assunto à necessidade de evitar a manutenção de áreas vazias com finalidade especulativa. “Ninguém quer terreno vazio... especulativo esperando valer mais”, afirmou.

A audiência também apresentou a possibilidade de utilização do IPTU progressivo no tempo como instrumento voltado a terrenos urbanos que permanecem sem utilização adequada.

 

Próximos passos; entenda

A tramitação dos projetos que atualizam a Planta Genérica de Valores (PGV) e as alíquotas do IPTU ainda depende de novas etapas na Câmara Municipal. As propostas são tratadas nos Projetos de Lei Complementar (PLC) 19/2026 e 20/2026, que receberam novas versões durante a discussão.

Na Câmara, os textos mais recentes são o Substitutivo nº 3 ao Projeto de Lei Complementar nº 19/2026 e o Substitutivo nº 2 ao Projeto de Lei Complementar nº 20/2026. As propostas já passaram pela análise das comissões permanentes e ainda precisam ser apreciadas em Plenário.

Por se tratar de projetos de lei complementar, os textos precisam ser submetidos a duas votações antes de serem encaminhados ao Executivo para eventual sanção.

 

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora