Antena parabólica
Fundador da Nação Zumbi, Gilmar Bolla 8 comanda Noite Manguebeat
Oficina de Manguebeat, curta pernambucano e pocket show com a Gabirú Elétrico ocupam a Casa SP Afro Brasil, na Vila Xavier, de graça

A Noite Manguebeat da 3ª Semana do Maracatu de Araraquara acontece nesta sexta-feira (9), na Casa SP Afro Brasil – Oswaldo da Silva Bogé, na Vila Xavier. O convidado principal é o percussionista Gilmar Bolla 8, integrante da formação original da Nação Zumbi, que conduz uma oficina dividida em duas partes, às 19h e às 21h.
Entre as duas etapas, às 20h30, o público assiste ao curta-documentário "Dynamite Som – O Futuro é Lamento Negro", dirigido por Lia Letícia e Pedro Severien. A trilha sonora do filme é de Bolla 8, que também aparece no elenco.
A noite termina às 22h com um pocket show interativo da banda Gabirú Elétrico, que divide o palco com o músico pernambucano e com quem tiver participado da oficina. Todas as atividades são gratuitas.
A Semana é realizada pela Associação Cultural de Maracatu Sementes Crioulas. Segundo a peça de divulgação, o financiamento vem do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. A Prefeitura, pela Secretaria Municipal de Cultura e Fundart, a Subsecretaria de Políticas Étnico-Raciais e o Sesc Araraquara aparecem como apoiadores.
Quem é Gilmar Bolla 8, fundador da Nação Zumbi
Gilmar Bolla 8 acompanhou de perto o nascimento da Nação Zumbi. Ele tocava no Grupo Afro Cultural Lamento Negro, de Peixinhos, em Olinda (PE), quando se aproximou de Chico Science. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, em 2009, contou que os dois eram colegas na Emprel, empresa de processamento de dados da Prefeitura do Recife, e que a amizade começou quando viu Chico batucando na mesa.
Em 1991, a percussão do Lamento Negro se juntou ao Loustal, grupo de Chico que misturava rock, soul, funk e hip-hop. Da união saiu Chico Science & Lamento Negro, nome que depois mudou para Chico Science & Nação Zumbi. Na nova formação, Bolla 8 passou a comandar as alfaias, os tambores graves do maracatu que se tornaram marca do som da banda.
Ele gravou discos como "Da Lama ao Caos" (1994) e "Afrociberdelia" (1996), continuou no grupo depois da morte de Chico, em 1997, e saiu da Nação Zumbi no fim de 2015.
Em paralelo, montou o Combo X, projeto que trabalha com sopros e percussão afro-pernambucana, em diálogo com maracatu, afoxé e frevo. O primeiro álbum, "A Ponte", saiu em 2013 como homenagem a Chico Science.
Curta tem trilha do convidado
"Dynamite Som – O Futuro é Lamento Negro" tem cerca de 20 minutos. A história se passa num futuro em que a música e a dança desapareceram. Duas jovens saem à procura dessas memórias e chegam ao passado, onde encontram o Lamento Negro.
A codireção é de Lia Letícia, artista que vive entre Recife e Olinda desde 1998 e trabalha com performance, vídeo, fotografia e instalação, e do cineasta pernambucano Pedro Severien.
Segundo a organização, o filme recebeu os prêmios de Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora no Panorama Pernambuco do 7º Curta na Serra, festival de cinema ao ar livre realizado em Pernambuco, e o de Melhor Trilha Sonora na Mostra Pernambucana do Curta Taquary. A trilha premiada é de Bolla 8.
O grupo retratado no curta surgiu nos anos 1980 na Associação de Moradores de Peixinhos, com oficinas de percussão, confecção de instrumentos e capoeira para jovens do bairro. O som do Lamento Negro reunia afoxé, coco, maracatu, ciranda e o samba-reggae que chegava da Bahia.
Oficina de Manguebeat termina em palco aberto
De acordo com os organizadores, a ideia é que oficina, filme e show funcionem como uma sequência. Na primeira parte, às 19h, Bolla 8 apresenta ritmos e procedimentos ligados ao Manguebeat pela prática musical, e não apenas pela história. Depois da sessão, às 21h, a segunda etapa aprofunda o que foi trabalhado.
No pocket show das 22h, quem fez a oficina é chamado a tocar com a Gabirú Elétrico e com o percussionista. A divulgação não informa se é preciso inscrição prévia nem se há limite de vagas.
Movimento nasceu no Recife nos anos 1990
O Manguebeat ganhou forma no Recife no começo dos anos 1990. O manifesto "Caranguejos com Cérebro", escrito em 1992 por Fred Zero Quatro, da Mundo Livre S/A, propunha misturar maracatu, coco e frevo com guitarras, hip-hop e música eletrônica. A imagem que resumia a proposta era uma antena parabólica fincada na lama do mangue.
"Da Lama ao Caos", estreia de Chico Science & Nação Zumbi, virou referência do movimento. Em fevereiro deste ano, o tema chegou à Marquês de Sapucaí com o enredo "A Nação do Mangue", da Acadêmicos do Grande Rio.
Em Araraquara, a noite se liga ao tema desta edição da Semana, "O Mangue Ancestral", que, segundo a organização, busca aproximar maracatu, culturas afro-brasileiras e Manguebeat. A programação vai até domingo (11).
Serviço
Noite Manguebeat – 3ª Semana do Maracatu
Data: sexta-feira, 9 de outubro
Local: Casa SP Afro Brasil – Oswaldo da Silva Bogé (Av. Paulo da Silveira Ferraz, 1195, Vila Xavier)
19h – Oficina de Manguebeat (parte 1), com Gilmar Bolla 8
20h30 – Exibição de "Dynamite Som – O Futuro é Lamento Negro", de Lia Letícia e Pedro Severien
21h – Oficina de Manguebeat (parte 2), com Gilmar Bolla 8
22h – Pocket show interativo com Gabirú Elétrico, Gilmar Bolla 8 e participantes da oficina
Entrada: gratuita
Fonte: araraquaraagora.com
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