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Preso no litoral

Líder PCC de Araraquara é preso em academia no Guarujá

Condenado a 17 anos, ele era apontado como interlocutor de Marcola e usava documentos falsos para escapar da polícia.

Willian Oliveira|· 4 min de leitura
Homem é escoltado por policiais armados em frente a academia, cena da prisão de Gralber Compri no Guarujá.
Gralber Compri é conduzido por agentes após ser capturado em academia no Guarujá, alvo da Operação Hauler.
RESUMOver em 30 segundos
  • Gralber Compri, apontado como liderança do PCC em Araraquara, foi preso em uma academia no Guarujá nesta quarta-feira (7).

  • Ele estava foragido havia cerca de um ano, procurado por mandado da Operação Hauler, deflagrada pela PF em setembro de 2025.

  • Durante a abordagem, tentou fugir e apresentou documentos falsos; com ele foram apreendidos cartões falsos e dois celulares.

  • Compri tem condenação definitiva a 17 anos de reclusão por lavagem de dinheiro em esquema que movimentou mais de R$ 74 milhões.

  • A PM o aponta como interlocutor direto de Marcola, com quem teria convivido na Penitenciária de Presidente Venceslau em 2013.

Um araraquarense apontado pela Polícia Militar como uma das lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi preso nesta quarta-feira (7) dentro de uma academia de ginástica no Guarujá, na Baixada Santista. Gralber Compri estava foragido havia cerca de um ano e era procurado por um mandado expedido no âmbito da Operação Hauler, deflagrada pela Polícia Federal em Araraquara em setembro de 2025.

A captura, na região da Praia da Enseada, reuniu policiais do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior (21º BPM/I) e agentes da PF de Santos. Segundo a PM, Compri tentou fugir durante a abordagem, sem sucesso. De acordo com a PF, ele ainda apresentou documentos de identificação falsos para tentar despistar os agentes.

Segundo a PM, ele tem condenação definitiva a 17 anos de reclusão por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 74 milhões. Depois da prisão, Compri foi levado à sede da Delegacia de Polícia Federal em Santos, onde a PF adotou os procedimentos de polícia judiciária.

Com ele, os policiais apreenderam documentos e cartões falsos emitidos em nome de outras pessoas, além de dois celulares. Os aparelhos passarão por perícia.

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Operação Hauler mirou esquema com base em Araraquara

A Operação Hauler foi às ruas em 11 de setembro de 2025. Naquela quinta-feira, a PF cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 19 de busca e apreensão contra 22 pessoas físicas e jurídicas em Araraquara, Matão, Ribeirão Preto e Santos. A investigação apurava lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e associação criminosa.

Na ocasião, a Justiça mandou bloquear mais de R$ 74 milhões em bens e valores dos investigados, entre veículos, imóveis de luxo e contas bancárias. Segundo a PF, o grupo se organizava em dois núcleos, que usavam empresas de fachada, "laranjas" e movimentações financeiras atípicas para esconder a origem do dinheiro.

A corporação informou ainda que parte dos alvos tinha antecedentes por tráfico de drogas e vínculos conhecidos com facções criminosas. Os investigadores estimavam que o volume real poderia ser maior, porque parte dos negócios envolvia carros de luxo, imóveis e embarcações transacionados fora do sistema bancário.

A Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/1998) prevê pena de 3 a 10 anos de reclusão, que pode subir de um a dois terços quando o crime é cometido de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

Por que a PM aponta o araraquarense como líder do PCC

A Polícia Militar sustenta a importância de Compri na facção com base no histórico prisional dele. O araraquarense esteve preso na Penitenciária de Presidente Venceslau, no oeste paulista, onde teve convívio direto com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como o principal chefe do PCC. Os dois teriam dividido a unidade em 2013, e a PM classifica Compri como interlocutor direto de Marcola.

Marcola está preso sem interrupção desde 19 de julho de 1999. Em fevereiro de 2019, foi transferido para o sistema penitenciário federal, em meio a investigações sobre ameaças à segurança pública. Ele acumula penas que passam de 300 anos e, perante a Justiça, nega ser o líder da facção.

Cerco a lideranças do PCC

A prisão no Guarujá se soma a uma série de capturas de nomes ligados ao comando do PCC. Em 21 de setembro, Márcio Barbosa da Silva, o Beiço de Mula, apontado como a maior liderança da facção no ABC Paulista, desembarcou em Guarulhos depois de ser preso na Bolívia e extraditado. Em maio de 2025, uma ação conjunta da PF com a polícia boliviana já havia prendido em Santa Cruz de la Sierra Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, que chegou a ser descrito como o principal líder do PCC fora da cadeia.

Investigadores acompanham a presença da facção no Guarujá há anos. Em outubro de 2024, a Operação Hereditas, conduzida pelo Gaeco e pelas polícias Civil e Militar, cumpriu 26 mandados de busca na Baixada Santista, 19 deles no município. Um relatório da Polícia Civil ligado ao caso chegou a descrever o município como "sequestrado" pelo crime organizado. As informações divulgadas até agora não ligam Compri àquela investigação.

Próximos passos da investigação

Segundo a PM, o material apreendido na academia, incluindo os documentos e cartões em nome de terceiros, vai subsidiar a continuidade das investigações.

O Araraquara Agora tenta localizar a defesa de Gralber Compri. O espaço segue aberto para manifestação.

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