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Axé em luto

Netinho, ícone do axé, morre aos 60 anos em Salvador

Artista lutava contra um linfoma havia mais de um ano e chegou a ter falência renal nos últimos meses de tratamento.

Willian Oliveira|· 3 min de leitura
Cantor Netinho sorri em foto de divulgação
Cantor Netinho, símbolo do axé music, lutava contra o câncer Foto: Divulgação

O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O artista enfrentava havia mais de um ano um câncer do sistema linfático.

De acordo com a assessoria do músico, o diagnóstico era de linfoma não Hodgkin do tipo B. Nos últimos meses, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, agravando o estado de saúde já debilitado.

Por vontade do próprio artista, o velório e a cremação vão acontecer em caráter reservado, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. Não haverá abertura ao público, conforme determinação deixada por ele ainda em vida.

Netinho revelou o câncer em 22 de março de 2025, depois de dar entrada no Hospital Aliança Star, em Salvador, com fortes dores nas pernas. A partir daí, o cantor optou por não esconder a doença e passou a registrar nas redes sociais as etapas do tratamento, incluindo o momento em que raspou a cabeça por causa da quimioterapia.

Origem no Recôncavo e início da carreira

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho mudou-se para Salvador aos 10 anos de idade, quando teve o primeiro contato mais próximo com a música. Ganhou o primeiro violão de presente da mãe aos 14 anos e, aos 16, entrou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal).

Enquanto cursava a faculdade, o futuro cantor se apresentava em escolas e, depois, passou a tocar profissionalmente em bares da capital baiana, com repertório voltado para MPB e bossa nova.

Explosão nacional com o axé music

Em 1988, Netinho estreou como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador e, no mesmo ano, alcançou projeção nacional com "Beijo na Boca". Vieram em seguida outros sucessos, como "Estrela Primeira", "Barracos" e "A Vida é Festa".

O auge da carreira veio em 1996, três anos após o início da trajetória solo, com o lançamento de "Milla", canção que se tornou um dos maiores símbolos do axé music e projetou o nome do baiano para além das fronteiras do país, com shows em locais como Itália e Chile.

Fora dos palcos, Netinho também construiu carreira como empresário. Montou um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, espaço que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Ele também criou um selo próprio voltado a impulsionar novos talentos baianos.

Na vida pessoal, foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, relação da qual nasceu a filha Bruna Trindade.

Saúde, afastamento e retorno aos palcos

Em 2010, o cantor assumiu publicamente a bissexualidade. Dois anos depois, em entrevista ao programa Fantástico, evitou se estender sobre o tema, afirmando apenas não enxergar necessidade de longas explicações sobre a própria sexualidade.

Em 2013, três acidentes vasculares cerebrais comprometeram a voz do artista, principal ferramenta de trabalho de quem vivia dos palcos. A sequência de AVCs o afastou do Carnaval de Salvador por quatro anos seguidos, período em que precisou se reabilitar para recuperar a capacidade vocal.

Tentativa frustrada na política

Netinho disputou uma vaga de deputado federal pelo PL nas eleições de 2022, mas somou cerca de 31 mil votos, número insuficiente para a eleição. O nome dele chegou a constar como suplente do partido no registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante esse período, o cantor se declarava apoiador de Jair Bolsonaro e participou de pelo menos um ato político em favor do então presidente, em 2021, posicionamento que gerou repercussão negativa entre parte do público e da classe artística.

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