24/03/2022 às 08h35min - Atualizada em 24/03/2022 às 08h35min

"Eu tô fora dessa", disse Manoel para pastor após suposto pedido de propina

Prefeito denunciou suposto pedido de propina de R$ 40 mil

Direto da Redação
Prefeito Manoel do Vitorinho durante agenda no MEC em janeiro de 2021/ Redes Sociais

O prefeito de Boa Esperança do Sul, Manoel de Souza, foi um dos gestores que relataram o suposto pedido de propina feito por um pastor que atua na assessoria do Ministério da Educação (MEC). O caso vem ganhando repercussão nacional como 'Gabinete Paralelo' do MEC.

O relato do prefeito de Boa Esperança do Sul, cidade vizinha de Araraquara, veio à tona após uma matéria veiculada no jornal "O Globo". Nela, Manoel relatou que o suposto pedido de propina foi de R$ 40 mil.

Nesta quinta-feira (24), uma matéria também foi veiculada na CBN e o prefeito de Boa Esperança do Sul voltou a relatar como ocorreu o suposto pedido de propina por parte do pastor Arilton Moura.

“Ele me levou até uma mesinha na saída de um restaurante que ficava no andar de cima de um hotel. Aí eu falei: queria saber como que vão ser as demandas. Como que os municípios serão atendidos? Todos os municípios serão atendidos? Como vai ser?", contou Manoel.

 

"Ele falou assim: vou ser bem sincero com você, prefeito. Você não está precisando de uma escola profissionalizante lá no município? [...] O que eu tenho, se você quiser eu ligo agora, é essa escola profissionalizante. Aí ele falou assim: eu falo lá, já faz um ofício, só que você tem que fazer um depósito de R$ 40 mil para ajudar a igreja", relatou o prefeito.


Na sequência de sua fala, Manoel explicou como foi a sequência dos fatos após o suposto pedido de propina. "Aí eu levantei e falei assim: muito obrigado, Arilton. Pode ficar com a sua escola profissionalizante aí. Eu falei: muito, muito obrigado. Eu estou fora dessa".


Entenda

A reunião teria sido no dia 13 de janeiro, com 30 gestores municipais e, após a audiência, cada prefeito recebia uma senha e esperava para apresentar as demandas para assessores.

Na reunião, Manoel pretendia pedir verbas para ampliar uma escola e terminar com a terceiração de ônibus escolar. Após isso, Manoel e outros prefeitos foram até um restaurante na companhia do pastor Arilton Moura.

Outro prefeito que relatou o pedido, Kelton Pinheiro, de Bonfinópolis (GO), contou que teve uma audiência com Milton Ribeiro e outros 15 gestores municipais no dia 11 de março.

O ministro teria deixado o local com Arilton Moura e Gilmar Santos, que também é pastor e preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil.

Gilmar Santos e Arilton Moura atuavam como assessores informais do MEC, intermediando encontros de Milton Ribeiro com prefeitos. Em áudios vazados, o ministro disse que o governo prioriza prefeituras assessoradas pelos dois líderes evangélicos e o pedido seria de Bolsonaro.

Em nota divulgada à imprensa, Milton Ribeiro disse não haver nenhum tipo de favorecimento na distribuição de verbas da pasta. Segundo o ministro, a alocação de recursos federais segue a legislação orçamentária.

"Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, disse o ministro na nota.


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