29/08/2020 às 13h00min - Atualizada em 29/08/2020 às 12h31min

Combate ao tabagismo precisa ser ainda mais intenso em tempos de Covid-19

Uma pesquisa chinesa divulgada no Brasil pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), atestou que as chances de agravamento da Covid-19 são 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo em comparação com as que não fumavam. Em 29 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, com o objetivo de conscientizar a população sobre os danos causados pelo cigarro e suas substâncias.
De acordo com o médico oncologista, Dr Luís Henrique de Carvalho, o tabagismo é um fator de risco grave para o desenvolvimento de uma série de doenças cardíacas, pulmonares, vasculares, além de aumentar o risco de doenças infecciosas, como a Covid-19, e principalmente o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
“A nicotina e todas as substâncias que estão presentes no cigarro causam muitas interações moleculares que prejudicam o sistema respiratório. Como já sabemos, a Covid-19 é uma doença que pode ser extremamente agressiva aos pulmões. Isso faz com que os fumantes entrem no grupo de risco da doença”, explicou.
Segundo o médico, o baixo nível de oxigênio no sangue e a exposição a outras toxinas do tabaco levam à disfunção da camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos e linfáticos, o que pode levar a um processo inflamatório generalizado.

Câncer e tabagismo
Além das doenças infecciosas, o tabagismo também é um dos principais causadores de cânceres de vários tipos. Dr. Luís Henrique explica que a interação da nicotina (entre outras substâncias presentes nos cigarros) modifica o processo celular do corpo e abre portas para o crescimento de tumores.
“Pesquisas estatísticas mostram que o risco de pessoas fumantes desenvolverem câncer é 30% maior que as que não fumam, mas o que vemos no dia a dia é um número ainda maior que este. O tabagismo é responsável por até 90% da mortalidade dos pacientes com câncer de pulmão, ou seja, é uma taxa extremamente alta”, disse.
De acordo com o médico oncologista, o hábito de fumar pode ser responsável pelo desenvolvimento de alguns tipos de leucemia, como a leucemia mieloide aguda, o câncer de bexiga, o câncer de pâncreas, alguns tipos de tumores de fígado, câncer de colo de útero e tumores ligados a toda a parte respiratória e digestiva alta, como o câncer de laringe, cordas vocais, cavidade oral, faringe, esôfago, estomago, traqueia, dos brônquios e do próprio pulmão.

Enfrentando o vício
Para o Dr. Luís Henrique, a definição de uma data para abordar o combate ao tabagismo é uma iniciativa importante para demonstrar apoio e incentivo ao enfrentamento do vício. “O cigarro é feito para que a pessoa não consiga parar de fumar e crie dependência química. É extremamente prejudicial”.
Deixar o tabagismo é uma tarefa difícil e, para conseguir êxito, as pessoas podem procurar serviços de saúde, seja na rede pública ou particular, que ofereçam orientação e ajuda.
“Ganha-se muito deixando de fumar. Há benefícios em qualidade de vida e sobrevida. Se pensarmos então no impacto social e econômico que essas doenças trazem, vamos ter ainda mais motivos para brigar contra esse tipo de disseminação”, disse.

Foto: Arquivo Agência Brasil


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