21/10/2020 às 15h56min - Atualizada em 21/10/2020 às 15h56min

Ganho de peso e aumento dos níveis de estresse podem piorar doença do refluxo

A mudança imediata nos hábitos de vida de muitos brasileiros nos últimos meses atingiu diretamente a relação das pessoas com a atividade física. Nomeada por pesquisadores como a “pandemia de sedentarismo”, a disseminação do novo coronavírus – ainda sem previsão de melhora– refletiu no ganho de peso e aumento dos níveis de estresse da população. 

A gastroenterologista Amanda Morêto explica que, mesmo nos casos mais leves, essas consequências podem afetar o organismo de diversas maneiras, sendo que uma delas é a piora da Doença do Refluxo Gastroesofágico. 

“Complicações devido ao ganho de peso ocorrem porque a condição leva ao aumento da pressão intra-abdominal, forçando o ácido a sair do estômago e voltar para o esôfago. Já o estresse é responsável pelo aumento da secreção ácida, que pode piorar os episódios de refluxo”, explica. 

Segundo a gastroenterologista, a enfermidade pode atingir qualquer indivíduo, mas existe maior concentração de risco em pacientes do sexo feminino, obesos, idosos e gestantes. Além disso, o histórico familiar direto, como pais, irmãos ou avós, também aumenta a predisposição ao desenvolvimento da doença.

Em geral, os sintomas variam entre queimação atrás do peito e regurgitação (quando ocorre a volta de um gosto amargo na boca). Entretanto, a médica explica que em alguns casos o paciente apresenta esses sinais de maneira ocasional, que pode estar associado apenas a alguma alteração na alimentação. 

“Somente quando o quadro se repete de maneira crônica e começa a afetar a qualidade de vida é que é considerada a hipótese da Doença do Refluxo”, diz. 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico clínico ocorre quando o paciente apresenta os sinais clássicos da doença. O tratamento consiste em mudanças comportamentais no estilo de vida e também pode ser realizado por meio de medicamentos da família do omeprazol.

Contudo, também existem quadros clínicos com sintomas atípicos, como a dor torácica, sensação de um globo parado na garganta, conhecido como “Globus”, tosse crônica, Apneia do sono, Asma, pneumonia de repetição, otite de repetição, sinusite, rouquidão, pigarro ou até mesmo o mau hálito. A endoscopia é uma ferramenta importante no diagnóstico pois auxilia a descartar doenças mais graves. 

“Essa opção é realizada quando o paciente tem sinais de alarme, que nos levam a pensar em doenças mais perigosas, pois a Doença do Refluxo não costuma ser grave, salvo raros casos de complicação, em que pode ocorrer estenose esofágica ou evolução para uma lesão pré-maligna, que é o Esôfago de Barrett”, comenta a Dra. Amanda. 

As orientações médicas quando ás mudanças comportamentais são a perda de peso, evitar deitar-se por 2 horas após as refeições, evitar alimentos condimentados, praticar atividades físicas regularmente, parar de fumar e evitar bebidas gaseificadas como refrigerante, água com gás e cerveja. 

“O ideal é que os pacientes tentem evitar esses alimentos e bebidas de maneira consciente e, não abolir de uma vez da dieta, pois assim fica mais tranquilo de seguir as orientações. Sobre o café, por exemplo, só será necessária a interrupção ou diminuição quando o consumo desencadear os sintomas”, diz Amanda.

Quem é Dra. Amanda Morêto Longo?

Formada em 2012 pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), Amanda Morêto Longo fez residência de clínica médica pelo Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e, na sequência, de Gastroenterologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. 

Possui fellowship na Unidade de Gastroenterologia do Hospital Clinic de Barcelona, na Espanha. É especialista titulada pela Federação Brasileira de Gastroenterologia e também é doutoranda em Hepatologia pela Faculdade de Medicina da USP.

Atualmente, faz parte do corpo clínico da GastroVita Araraquara, é médica assistente do Hospital Estadual de Américo Brasiliense e professora da disciplina e do internato de Gastroenterologia, do curso de medicina, da Universidade de Araraquara (Uniara).


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