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SAÚDE

Morte de bebê de 2 meses por coqueluche levanta discussão sobre vacina

Baixa cobertura vacinal e aumento de casos preocupam autoridades de saúde.

Geisa Ferreira da Silva|· 3 min de leitura
Morte de bebê de 2 meses por coqueluche levanta discussão sobre vacina
Bebês menores de seis meses são mais vulneráveis ​​às complicações graves da coqueluche. FOTO: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um bebê de dois meses, natural de Castilho (SP), morreu nesta terça-feira (10) na Santa Casa de Araçatuba em decorrência de coqueluche, uma infecção respiratória grave e altamente transmissível. A criança estava internada na UTI Neonatal e Pediátrica desde o dia 15 de novembro, mas, mesmo com cuidados intensivos, não resistiu. A Vigilância Epidemiológica de Castilho, cidade de origem do bebê foi informada sobre o caso.

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella Pertussis , é particularmente perigosa para bebês menores de seis meses, faixa etária em que o sistema imunológico ainda é imaturo. A imunização, principal forma de prevenção, começa aos 2 meses de idade com a vacina pentavalente, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O bebê que morreu ainda não havia recebido a primeira dose da vacina.

Outro caso foi registrado no mesmo hospital. Uma criança de Araçatuba, também com poucos meses de vida, apresentou sintomas semelhantes em novembro, mas respondeu bem ao tratamento e recebeu alta no início de dezembro.

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A gravidade da coqueluche

A transmissão da doença ocorre por meio de gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar, fazendo com que bebês não vacinados sejam mais vítimas de complicações graves, como parada respiratória, desidratação e convulsões . Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para pneumonia, e até mesmo morte .

De acordo com especialistas, o diagnóstico em estágios iniciais é desafiador, pois os primeiros sintomas se assemelham a um resfriado comum. A tosse seca persistente, no entanto, é um indicativo importante. Exames como cultura de material da nasofaringe e PCR em tempo real são fundamentais para a confirmação do diagnóstico.

Aumento de casos no Brasil e vacinação

O Brasil, que vinha registrando quedas nos casos de coqueluche desde 2014, observa um aumento expressivo em 2024. Segundo o Ministério da Saúde, até outubro deste ano, foram confirmados 3.252 casos , sendo 13 mortes – todas em bebês menores de um ano. A situação é mais preocupante em estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Especialistas alertam que a queda nas coberturas vacinais tem sido um fator determinante para o aumento dos casos. No Calendário Nacional de Vacinação, as crianças deverão receber três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses de vida , com reforços aos 15 meses e 4 anos . Além disso, as gestantes devem se vacinar a partir da 20ª semana de gestação com a vacina dTpa, garantindo que as anticorpos sejam transmitidas ao bebê durante a gestação.

Surtos em municípios

Em Pará de Minas (MG), a situação também é alarmante. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou um surto de coqueluche, com sete casos positivos e outros dois ainda em investigação. A baixa adesão à vacinação tem contribuído para o avanço da doença, que pode ser evitada com vacinas amplamente disponíveis pelo SUS.

Para conter o aumento de casos, as autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação em dia, especialmente em bebês, gestantes e grupos prioritários.

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