Sessão da Câmara
Emanoel Sponton comparece à Câmara após acusações de 'rachadinha' em seu gabinete
Presidente da Câmara acredita da inocência do amigo, Boi diz que denúncia é grave e Fillipa reage ‘gente imoral’

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Na sessão da Câmara de Araraquara desta terça-feira (25), o vereador Emanoel Sponton (Progressistas) participou sem se pronunciar sobre as acusações que envolvem seu nome, relacionadas à prática de "rachadinha" em seu gabinete. O que chamou a atenção foi a defesa do presidente da Câmara, vereador Rafael de Angeli (Republicanos), que, durante o pequeno expediente, fez questão de declarar sua amizade com Sponton e afirmou acreditar em sua inocência. "Eu acredito na inocência dele", disse Rafael.
O vereador também ressaltou que a Comissão de Ética que pode contar com ele como presidente de Câmara para as investigações sejam feitas de forma transparente e imparcial. “E que não puder ser apurado, a gente sabe que a comissão pode apurar apenas essa legislatura, será com a justiça e creio que o Emanoel está ciente de tudo o que pode acontecer com ele”.
“Conte comigo, todos aqui dessa casa, não apenas o Emanoel, mas os outros vereadores dessa Casa”, ressaltou Rafael de Angeli (Republicanos) em sua participação no pequeno expediente.
Ficou esquisito?
Para evitar mal-entendidos, Rafael de Angeli (Republicanos) ainda compartilhou um story nas redes sociais, destacando que sua amizade com Sponton não comprometerá a imparcialidade do processo. “Minha amizade com o vereador com o vereador não interfere em nada no compromisso com a legalidade e com a imparcialidade”.
“O interesse público sempre estará acima dos vínculos pessoais. Como presidente da Câmara eu asseguro que o caso será tratado com seriedade e sem interferências políticas”.
Por sua vez, o vereador Emanoel Sponton (Progressistas) optou por se manifestar por meio de nota de esclarecimento lida no plenário. A nota já havia sido publicada em suas redes sociais mais cedo.
No documento, ele negou qualquer investigação judicial sobre sua conduta e denunciou um movimento de revanchismo político. Sponton se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e reafirmou seu compromisso com a transparência.
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Investigações
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Araraquara, em sua sessão de terça-feira (26), foi empossado, tendo como membros, Aluisio Boi (MDB), Alcindo Sabino (PT), Coronel Prado (Novo), Filipa Brunelli (PT) e Michel Kary (PL). O vereador Boi (MDB), como presidente do conselho, afirmou que as acusações são graves e garantiu que o processo será conduzido com total transparência, sem influências externas. São denúncias graves. O Conselho de Ética a partir de hoje tem que trabalhar com respaldo desta Casa para não errar. Com direito ao contraditório do vereador Emanoel e com todo o respeito a quem está fazendo a denúncia”.
“A gente não pode achar que não está acontecendo isso, muitos (vereadores) não quiseram falar aqui, mas essa casa não pode trabalhar neste guarda-chuva”.
A vereadora Filipa Brunelli (PT) também se manifestou, lembrando do simbolismo da denúncia, associando-a à ideologia de Bolsonaro, e criticou o enfraquecimento da classe política. “Esse projeto de destruição da classe política só o faz enfraquecer da democracia”.
A parlamentar também enfatizou que no mesmo dia em se iniciava o julgamento de denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, um escândalo abalava a cidade de Araraquara. “Quis o universo que aqui em Araraquara tenha início a abertura de um processo contra um vereador da mesma ideologia de Bolsonaro acusado de corrupção. É simbólico o que digo hoje e eu digo isso com tristeza”.
“Um projeto sustentado na mentira, na grana suja e no autoritarismo mascarado de discurso religioso. Gente imoral que se esconde atrás de discursos que cativam o senso comum. Porque assim fica fácil de se lambuzar no backstage político”.
Vale lembrar que a apuração preliminar, que tem prazo de até 30 dias, poderá resultar em uma série de penalidades, que vão desde advertências até a cassação do mandato de Sponton.
O processo de investigação pode avançar para uma fase processual, que poderá se estender por até 90 dias, caso o Conselho de Ética decida formalizar a denúncia. Se isso ocorrer, o vereador poderá ser suspenso temporariamente e ter que apresentar sua defesa por escrito.
‘Rachadinha'
As denúncias ganharam força após a divulgação de áudios de ex-assessores, que alegam ter sido instruídos a devolver parte de seus salários a um familiar de Sponton, com a justificativa de que o vereador precisava recuperar os custos de sua campanha eleitoral.
A devolução seria feita mensalmente via PIX, permitindo que os servidores exercessem outras atividades profissionais com vencimentos reduzidos.
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