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Legislativo municipal abalado

Grupo de WhatsApp revela articulação para blindar vereador investigado por rachadinha em Araraquara

Prints mostram secretário e presidente da Câmara orientando votos para tentar barrar investigação contra Emanuel Sponton

Da Redação|· 3 min de leitura
Grupo de WhatsApp revela articulação para blindar vereador investigado por rachadinha em Araraquara
Imagem mostra grupo de WhatsApp onde secretário e vereadores articulam votos para tentar barrar investigação contra Sponton / Foto: Reprodução.

 

 

 

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Um grupo de WhatsApp criado nesta terça-feira (13), dia de sessão decivida na Câmara dos Vereadores, entrou no centro de uma denúncia política em Araraquara. Conversas obtidas e divulgadas pelo Jornal da EP, sob comando do jornalista José Carlos Magdalena, mostram suposta articulação política para tentar barrar a abertura da Comissão Processante (CP) contra o vereador Emanuel Sponton (PP), investigado por um esquema de "rachadinha".

 

 

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As mensagens revelam uma tentativa explícita de organizar o voto de parlamentares para evitar que a denúncia fosse adiante. Nas conversas, Leandro Guidolin, atual secretário de Governo da Prefeitura de Araraquara, orienta os vereadores a votar em abstenção enquanto aguardavam o voto do vereador Michel Kary (PL).

 

Guidolin afirma: “Assim que o Michel votar sim, todos sabem como agir”.

 

 

A instrução é reforçada pelo próprio presidente da Câmara, Rafael de Angeli (Republicanos), que no grupo responde:

“Ok. Quem sabe ele muda”.

 

Em outro momento, Guidolin orienta:

“@Rafael de Angeli você controla o tempo, se o Michel votar sim, você permita que todos alterem seus votos”.

 

 

O objetivo, aparentemente, era criar margem para alterar o placar e impedir a abertura da comissão.

 

 

Denúncia nas redes sociais

 

A denúncia ganhou força após a vereadora Filipa Brunelli (PT) usar as redes sociais para denunciar a manobra:
 

 

“VERGONHA! O GOVERNO LAPENA E A BASE GOVERNISTA TENTAM BLINDAR UM VEREADOR ACUSADO DE CORRUPÇÃO”, publicou.

 

Segundo ela, a conversa é prova de um "verdadeiro atentado contra a ética e a transparência", com uso da máquina pública para proteger um parlamentar investigado por corrupção.

 

 

“Isso não é só imoral. Isso pode ser CRIMINOSO”, afirmou Filipa. A parlamentar prometeu seguir denunciando e expondo todas as tentativas de proteger corruptos na política local.

 

 

 

Comissão foi instaurada

 

 

Apesar da tentativa de articulação, a Comissão Processante foi instaurada por unanimidade. A decisão foi tomada após leitura do parecer do Conselho de Ética, presidido pelo vereador Aluisio Boi (MDB), que conduziu a análise da denúncia baseada em áudios e documentos enviados pelo Ministério Público.

 

 

A CP terá até 90 dias para concluir os trabalhos, podendo recomendar a cassação ou o arquivamento da denúncia.

 

 

A composição da comissão foi feita por sorteio e ficou assim:

  • Alcindo Sabino (PT) – presidente
  • Cristiano da Silva (PL) – relator
  • Paulo Landim (PT) – membro

 

Aluisio Boi, por ser o autor da denúncia, ficou impedido de votar e de integrar a comissão, sendo substituído na sessão pelo suplente Gerson da Farmácia (MDB).

 

 

Acusações contra Sponton

 

Sponton é acusado de forçar ex-assessores a repassar parte de seus salários à própria mãe, como condição para manter o emprego. A prática configura o crime conhecido como rachadinha. A denúncia foi feita em março, após o vazamento de áudios comprometedores, também pelo Jornal da EP. Desde então, o caso tem sido acompanhado pelo Ministério Público, que enviou ao Conselho de Ética comprovantes bancários de três ex-assessores confirmando os depósitos à mãe do vereador.

 

 

Há ainda suspeitas de tentativa de silenciar uma servidora envolvida, o que pode configurar violação do decoro parlamentar e obstrução de investigação.

 

 

Um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) foi aberto para aprofundar os fatos, que incluem concussão, improbidade administrativa e uso indevido da estrutura pública.

 

 

Silêncio da presidência

 

O presidente da Câmara, Rafael de Angeli, que aparece nas conversas do grupo, ainda não se manifestou oficialmente. O Jornal da EP informou que tentou contato com Angeli, mas não obteve resposta até o fim do jornal. CONFIRA O JORNAL NA ÍNTEGRA.

 

 

Repercussão

 

A denúncia causou forte repercussão política na cidade e levanta questionamentos sobre o papel do governo municipal na articulação interna da Câmara. A população agora aguarda os próximos passos da comissão, que poderá ouvir testemunhas, analisar provas e, ao final, recomendar sanções que vão desde advertência até a cassação do mandato de Emanuel Sponton.

 

 

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