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Indignação

Após 7 anos de espera, paciente tem cirurgia suspensa de novo em Araraquara; ‘só dor’

Angela sofre com dores intensas e hemorragias, e denuncia falta de explicações do AME

Cassiane Chagas|· atualizado em 26/06/2025 às 08:40· 3 min de leitura
Após 7 anos de espera, paciente tem cirurgia suspensa de novo em Araraquara; ‘só dor’
Angela Cristina Barbosa, moradora de Araraquara, sofre com miomatose uterina grave e aguarda há anos por cirurgia cancelada cinco vezes pelo AME Foto: Arquivo pessoal.

 

Atualização da matéria para reposta da Secretaria Estadual da Saúde e correção para AME de Américo Brasiliense. 

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Angela Cristina Barbosa, moradora de Araraquara, vive uma luta silenciosa, mas cheia de dor, frustração e revolta. Diagnosticada com miomatose uterina em 2010, ela aguarda há quase sete anos por uma cirurgia para retirada do útero, única alternativa restante após uma série de tratamentos que não surtiram efeito. A paciente sofre com hemorragias intensas, dores incapacitantes e anemia profunda agravada pelo uso de anticoagulantes, consequência de duas tromboses anteriores.

 

No dia 25 de junho, a tão esperada cirurgia foi cancelada mais uma vez pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Américo Brasiliense. Segundo Angela, essa é a quinta vez que o procedimento é suspenso.

 

 

"Desta vez disseram que não havia leitos na UTI por causa da influenza. Em outras ocasiões, já fui sedada e levada até o centro cirúrgico, mas a cirurgia não foi feita", conta.

 

Angela organizou uma campanha de doação de sangue para a data da cirurgia, que mobilizou pessoas da cidade e da região. “Me senti envergonhada, triste e frustrada. Fizemos tudo certinho, muita gente me procurou querendo doar. E mesmo assim, cancelaram”, lamenta.

 

A paciente também denuncia a falta de empatia e transparência da unidade de saúde. “Fui avisada por telefone, depois pedi confirmação por mensagem. Eles não deram previsão de nova data”.

 

 

“Estou passando por psiquiatra e psicóloga porque desenvolvi síndrome de ansiedade depressiva. É muito sofrimento psicológico.”

 

Além do desgaste emocional, Angela vive sob risco iminente: “Tenho anemia profunda e, se sofrer um acidente ou sangrar mais do que o normal, posso morrer. Já faço tratamento com ferro para controlar a ferritina, mas é um risco diário. Só quero qualidade de vida. Não estou pedindo luxo, só dignidade”, desabafa.

 

 

Indignação e dor

 

Além da dor física, Angela relata o impacto emocional de anos de promessas quebradas e incertezas.

 

“Estou em acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Desenvolvi síndrome de ansiedade depressiva. Já tentei todos os tratamentos possíveis, até indução de menopausa. A cirurgia é a única saída.”

 

Uma denúncia recebida por Angela de um funcionário da própria unidade torna mais grave o cenário: segundo ele, há uma “ala branca” com 20 leitos parados dentro do AME. A informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas levanta um alerta.

 

 

"Como pode faltar UTI se há uma ala fechada com leitos parados? Não quero luxo, quero minha vida de volta. Quero sair de casa sem medo de sangrar, sem vergonha. Só isso: qualidade de vida."

 

Angela afirma ter registrado uma queixa formal na ouvidoria da unidade (SAU), mas até agora não recebeu nenhuma nova previsão. A reportagem enviou questionamentos ao AME solicitando esclarecimentos e aguarda retorno.

 

Angela explica que a condição a deixa inchada

 

Em nota o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Araraquara lamentou o ocorrido e disse que um novo agendamento será realizado. “A paciente será contatada assim que a data for definida”.

 

 

“A paciente realizou um procedimento cirúrgico em 2023 no Hospital Estadual Américo Brasiliense (HEAB) relacionado à mesma condição de saúde, e está em acompanhamento, com histórico de tratamentos, no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) desde 2021. Ela passou em consulta médica na última segunda-feira (23) com clínico multiprofissional”.

 

Porém Angela lembra que no dia 23 ela passou por consulta na ginecologista que “ não fez nada, apenas deu um resumo do meu histórico clínico. Faz tempo que estou me sentindo uma cobaia deles. Estou cansada”.

 

 

“Não estou pedindo luxo. Só quero qualidade de vida e dignidade”, desabafa.

 

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