Desespero e desamparo
‘Temo por mim e minha filha’: mulher vive terror com stalker em Araraquara
Mesmo com boletins de ocorrência e provas, homem acusado de assédio e mensagens com teor pedófilo continua solto em Araraquara

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Uma moradora de Araraquara vive há mais de um ano um verdadeiro pesadelo. Mãe de uma menina de 7 anos, ela denuncia perseguição e assédio insistente por um homem que, segundo boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil, envia mensagens com teor sexual explícito envolvendo a criança.
A vítima afirma que, mesmo após apresentar provas concretas e entregar seu celular à perícia, a única providência tomada foi a internação do acusado por menos de dois meses em uma clínica. Desde então, ele teria voltado a persegui-la, usando chips falsos, perfis nas redes sociais e até ligações na madrugada para tentar contato.
“Não quero vingança. Quero paz. Quero proteção. Quero viver. Quero proteger minha filha”, desabafa a mulher, que preferiu não se identificar por segurança.
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Os documentos aos quais o portal Araraquara Agora teve acesso revelam detalhes chocantes. Em um dos boletins, é descrito que o agressor envia mensagens de teor pedófilo, chegando a citar atos sexuais envolvendo a filha da vítima, e registrando o conteúdo em áudios e prints.

A psicopatia fez outras vítimas na cidade, que também enfrentam a mesma situação. Segundo relatos, ele cria diversos perfis falsos nas redes sociais para assediá-las, muitas vezes utilizando as próprias fotos delas. “Ele usa nossas imagens para montar esses perfis fakes”.
A vítima ainda afirma ter procurado a delegacia, mas se frustrou com a resposta recebida. “Mesmo com os registros no meu celular, me disseram que provavelmente não vai dar em nada, porque é considerado um crime leve. Mas vão esperar ele fazer algo mais grave?”.
Provas ignoradas e silêncio das autoridades
A moradora afirma ter buscado ajuda várias vezes. Registros foram feitos tanto online quanto presencialmente. Em uma das denúncias, ela relata que o acusado já havia tentado suicídio e tinha histórico psiquiátrico. Mesmo assim, após a rápida internação, ele foi liberado e seguiu livre, retomando o contato e o assédio.
“Minha saúde mental está completamente destruída. Não durmo, não como, tomo remédios controlados para aguentar o dia. Tenho crises de pânico, vivo assustada, evito sair de casa com minha filha”, conta. A gravidade emocional da situação a fez inclusive perder o emprego.
Apesar do acervo de mensagens, prints, áudios e vídeos entregues à polícia, ela relata que nunca foi formalmente comunicada sobre qualquer andamento judicial ou proteção real. Em contrapartida, afirma ter sido procurada pela mãe do acusado, não para pedir desculpas, mas para implorar que ela retirasse a denúncia, minimizando a gravidade das mensagens recebidas.
‘Ele destruiu minha vida’
Além do terror psicológico, a vítima denuncia que o homem também responde por tentativa de homicídio contra o próprio irmão, o que, segundo ela, aumenta ainda mais o risco de uma tragédia. “Ele já demonstrou que é capaz de tudo. Eu tenho medo do que ele pode fazer comigo ou com a minha filha.”
Ela também relata que já foi alvo de assédio por parte de familiares do acusado, e que o cerco de proteção se restringe a registros oficiais sem consequência prática.
“As autoridades sabem. Eu imploro por proteção. Mas sigo completamente desamparada.”
Um grito de socorro
O caso levanta um alerta sobre a ineficiência na proteção de mulheres e crianças em situação de ameaça grave, mesmo diante de provas claras e boletins de ocorrência recorrentes.
A vítima segue em estado de sofrimento psicológico, tenta resistir e recuperar sua vida. “Preciso trabalhar. Preciso cuidar da minha filha. Preciso sair de casa sem medo. Preciso respirar sem pânico.”
Mas teme que o silêncio e a impunidade levem a um final trágico, como tantos outros casos ignorados até que seja tarde demais. “Eu só quero proteger minha filha”.
Até o momento, sem respostas
O Portal Araraquara Agora entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) solicitando o posicionamento diante do caso com quatro questionamentos:
✔ O motivo da falta de medida protetiva ou de prisão preventiva, mesmo com os indícios claros e recorrência dos fatos?
✔ A atual situação do inquérito ou processo criminal.
✔ A atuação da Polícia Civil local e o acompanhamento da Delegacia de Defesa da Mulher.
✔ O porquê da vítima não ter sido oficialmente informada sobre os desdobramentos.
Porém, apesar da confirmação do recebimento do e-mail, até o fechamento desta reportagem, a SSP não respondeu nenhuma das perguntas. A matéria será atualizada assim que surgirem novas informações ou posicionamento da secretaria.
Matéria em andamento.
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